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Clarice Lispector e a Literatura de Fluxo de Consciência

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Por: Júlio César Anjos Na literatura, em geral, o normal é o autor (escritor), por vezes utilizando de um narrador, inventar o imaginário da estória com a produção de três pilares de construções: Personagem; Ambiente; e Diálogo. Todavia, existe um quarto artifício, pouco utilizado, muitas vezes produzido em segundo plano na confecção da narrativa, um recurso chamado Fluxo de Consciência. E é nesse último aspecto que a Clarice Lispector soube manejar tal ferramenta literária com maestria, sendo considerada a “Virginia Woolf” brasileira. Primeiro, que se compreenda o que significa fluxo de consciência.  Fluxo de consciência é quando o narrador ou a personagem começam a ter divagações sobre questões plurais, abstraem-se, pensam na vida, nos seus infortúnios, nas suas idiossincrasias. Geralmente este pensamento furtivo solapa o tempo, além de que, também, a personagem ou o narrador ficam presos a digressões gerais. Ou seja, filosofam sobre a vida, mas com ligações que fazem ce...

Resenha Livro Esaú e Jacó – Machado de Assis

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Por: Júlio César Anjos “A Abolição é a aurora da liberdade; esperemos o sol; emancipando o preto, resta emancipar o branco.” (Paulo, p.71). Com essa exposição, alguém ainda tem dúvida que Machado de Assis é um realista com verniz romancista? Se o leitor não entendeu, calma, a explicação virá logo como complemento. Segue: A lógica é simples, Paulo, que era o revolucionário republicano, ironizou o fato de a princesa Isabel ter assinado a abolição da escravatura; porém, não podendo ir contra esse decreto bem quisto popularmente, o gêmeo de Pedro resolveu enviar um teleguiado, uma ameaça, ao dizer que, se os republicanos não pegaram os monarquistas nesta questão, pegarão os desafetos políticos de outra maneira. Dito e feito, após a abolição, não deu dois anos da sanção da lei e a monarquia caiu. É sabido, também, que na capa constam os irmãos Esaú e Jacó, mas na narrativa aparecem os gêmeos Pedro e Paulo. Os dois são progênitos de Natividade, que possui esse nome não p...

Resenha do Livro: Triste Fim de Policarpo Quaresma

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Por: Júlio César Anjos Observação: Antes de tudo, que fique bem clara a questão: só entenderá o texto quem já leu o Livro: Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. Quem não apreciou a leitura, não compreenderá o que fora escrito nesta resenha. Isso não impede a leitura, só dificulta a interpretação. Fica o aviso prévio. Lima Barreto, embora utilize sempre em seus textos de deveras troças, nesta obra específica, intitulada: Triste Fim de Policarpo Quaresma, tal trabalho tendeu a uma rota mais inebriante. Doravante à estilística, o escritor ao menos foi fiel aos preceitos, possuiu a mesma linguagem coloquial que sempre executou de forma impecável em seus trabalhos de literatura. O foco principal desta escritura se deveu à crítica sobre os moldes da república que já nascia doente, ao passo que denunciava certos problemas sociais à época, como desigualdade de gênero, hierarquia militar e o comportamento dos brasileiros em geral. Como é rotina neste blog, esta resenha não...

Dividir o Custo da Obra Pública

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Por: Júlio César Anjos Eu sou favorável a dividir o custo da obra pública entre os moradores da região e a prefeitura. Esse serviço é pontual, específico, em que o povo clama melhoria, mas não pode mexer na estrutura da área, pois, a legislação não permite tal modificação, por isso somente a desburocratização já é um ponto positivo para aceitação de tal medida. Mas há outros pontos favoráveis ao aceite de tal legislação. A primeira coisa que tem que verificar é o agente que será diretamente afetado pela lei. No aspecto legal, o rico dividiria os custos de uma obra pública entre os beneficiados diretamente na execução e o governo que teria que desembolsar em menor escala um projeto que melhoraria a condição de micro localidade. O rico aceita ser sobretaxado para ter algo bom em frente de casa? Com certeza o rico aceita. Se o ente afetado pela situação, o confortável financeiramente, aceita a determinação instaurada (porque acha que se beneficia com ela), não há o que discutir, ...

Ensinamento

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Por: Júlio César Anjos Um monge fornece apenas um lápis e uma folha em branco para o seguidor escrever uma sintaxe qualquer. Diz-se ser uma atividade de reflexão, pois manuscrever é pairar o tempo, dominar a mente e materializar a alma. A tarefa é árdua para o menino de pouca experiência, só traz na consciência as insuficiências de jovem de pouca idade, por isso redigir é temeridade. O Seguidor, ao antecipar a trama, com a malandragem de iniciante, pede uma borracha, por que, ao escrever, poderá cometer erros; ao passo de que com todos os materiais em mãos, o jovem passaria a trabalhar tranqüilo. Todavia, o monge não confere ao bom moço uma borracha. E vai além à negação, explica que o aprendiz deve transcorrer lentamente, sem solavancos e nem percalços, a escritura que deverá ser devagar e contínua, a fim do escritor jovial concentrar-se ao sabor da criação de um bom texto, confeccionará, por fim, uma obra-prima. Após a afobação da proatividade, o mestre explica que as ...

Segunda Smith - Fatores que compõe o preço das mercadorias

 Por: Júlio César Anjos A alma da precificação de uma mercadoria se dá através de vários fatores, sendo que o mais comum é o trabalho a empregar, a dificuldade em executar e a raridade em encontrar/fazer. Um trabalho de difícil execução, ou que dependa de um tempo maior de finalização, é mais valioso que os seus antônimos. A facilidade faz perder o valor e o preço deve decrescer diante da simplicidade em fabricar tal produto. Quando o produto percebe-se de destreza por mão de obra qualificada por anos de experiência e habilidade, deve-se cobrar mais caro pela mão de obra. Antes as pessoas pegavam as frutas da natureza. Havia uma época em que ninguém era dono da terra, os seres vivos não sabiam trabalhar o terreno e viviam de forma itinerante como nômade. A exploração predatória liquidava os frutos e os animais de abete em tal região, fazendo tal povoado ter que migrar para outra região para fazer a mesma exploração. Com as mudanças revolucionárias do homem, o s...