Postagens

Mostrando postagens com o rótulo maltrapilho

O Bêbado e o Equilibrista

Imagem
Por: Júlio César Anjos Numa época longínqua de uma cidade distante, havia um bairro de classe média baixa em evolução, com o urbanismo padrão em que se avistava na entrada da rua um bar na esquina da quadra abrindo a região. A viela era a extensão do boteco, cujo lugar era tido como um clube de reunião de alguns trabalhadores que, toda a noite os acólitos alcoólicos reuniam-se a bater ponto no recinto, ao tomarem o combustível que satisfaz o vício, para só depois de a reunião  acabar os beberrões partirem para o recolhimento das suas casas, fazendo deste hábito um padrão.  Muitos residentes desfrutam o boteco, mas há aquelas exceções dos viciados que fazem do bar praticamente a sua morada. E uma dessas figuras chama-se Adamastor. Adamastor mora no casebre no começo da rua, mais próximo ao bar do que as outras residências locais. Apesar de ter a casa e o seu carrinho velho caindo aos pedaços, além de ser um alcoólatra inveterado, ao menos o sujeito trabalhador leva com...

Sumidouro dos Desvalidos

Imagem
Por: Júlio César Anjos Pedro A boa noticia é que parou aquela incessante dor de dente que Pedro estava sofrendo sem parar. Caiu o último incisivo que fazia a resistência de perdurar em sua boca, cuja se materializava somente em sofrimento e que não tinha mais serventia para nada. Não há dor naquilo que não se tem. É preciso ter para doer. O dente? Não. Serve também pra qualquer coisa que o valha. Mesmo banguela, o homem estava, por um breve momento, radiante: uma dor a menos para suportar.   Para quem não tem nada, isso é algo muito significativo. Então, fez o que mais sabe fazer, beber para comemorar. Pedro tinha mais coisas que o fazia lembrar, e por isso doía, o que o tempo fez questão de anestesiar. Idoso, o maltrapilho não viveu sempre na rua, pois, tinha emprego, família e um abrigo para chamar de lar. Bom contador, pai ausente, e sempre presente estava um copo ou uma garrafa de bebida alcoólica nas mãos. A sua íntima - e personalíssima - tristeza era represa...