O Seletor do Crime
Por: Júlio César Anjos Havia uma época, em teoria, que existia o tal do “engavetador geral da república”. O PT, eterna oposição, saia às ruas sempre gritando: “Engavetador!”, para o representante do ministério público que deixava de exercer a função de indiciar bandidos, por fingir que não existia certa demanda jurídica. O povo, é claro, não entendia nada nos termos técnicos, compreendia apenas as situações de práxis popular, traduzindo o jargão politico como a justiça acobertando ladrão de colarinho branco. Se existiram ou não os engavetadores, não se sabe. O que se sabe é que se fosse fato tal condição, o procurador sempre arquivava o lote todo, dando lógica ao termo engavetador. Janot, ao indiciar apenas Eduardo Cunha, não se mostrou um mero engavetador; mas apresentou-se como uma espécie de Seletor do Crime. E isso é grave, tanto no sentido jurídico quanto nas verves políticas. Janot terá que se explicar. Janot quebrou acordo tácito do místico “engavetador” de fingir ...