Os escondidos
Por: Júlio César Anjos Eu estou neste exato momento me escondendo das pessoas para não mostrar a minha verdadeira vida. Tento ainda resguardar um pouco da dignidade que restou. Quieto! Não fale nada, não emita som, pois pode ser desmascarado, pego na mentira. Qualquer ruído neste momento e ruirá toda a estratégia de invisibilidade, do desaparecimento relâmpago. Ruídos ínfimos que não mostrem que uma pessoa se encontra em um determinado local. Abafe o som com um pano, estratégia perfeita! O que fazer neste meio tempo? Que tortura! O relógio luta em não passar, o tempo relativo está mais demorado, agonia, aflição, não agüento tanta pressão, tenho que fazer alguma coisa, nem que essa coisa seja não fazer nada. Ficar parado, tão estático quanto o ponteiro do relógio parece estar. Barulho lá fora, isso, barulho! Mais barulho abafa pequenos ruídos. Passarinho, vamos, cante mais alto; britadeira peça para o trabalhador utilizá-lo, brincar com você; crianças continuem destrui...