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A Carta

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Por: Júlio César Anjos Enquanto amarro o cadarço do sapato, a espera do ônibus – sentido casa, os pensamentos cristalizam e começo a dar conta que a vida não vale à pena. Desempregado, sem namorada (trocado pelo melhor amigo) e sem capital, apenas ando como um zumbi na cidade do crédito e do dinheiro. Chego à casa insatisfeito com a vida que manobrei até então, já está na hora de largar a biografia, e deixar á deriva a vida que nada bonificou até agora. Olho meu rosto no espelho do banheiro, e vejo um rosto castigado pelo tempo, sendo totalmente escondidos os sentimentos pela barba não feita. Vejam, pareço um mendigo, roupas antigas, rosto triste, vida nauseante, morando de favor (Ao não pagar o aluguel, isso significa morar de favor), e não tomo um banho quente faz tempo, já que até a conta de luz está cortada faz tempo. Pequenos gozos da vida já me são regalias para um sujeito falido como eu. A cama não é quentinha, não dou um beijo de boa noite para a minha esposa e não...