Libertinagem: Liberdade com a Data de Validade Vencida

 

Por: Júlio César Anjos

 

A data era 29 de Setembro de 2017, quase um ano para a eleição de outubro de 2018. Os institutos liberais – Livres, MBL, Instituto Millenium - viraram fiscais de museu. A direita como um todo, fiscal da arte. O fiscalismo, naquele momento, justificava-se porque um museu resolveu fazer uma performance artística em que um homem pelado interagia com uma criança em ato teatral. Atentado ao pudor!, Pedofilia!, marxismo cultural degenerando a Infância!, bradavam os conservadores, na época, ao entenderem que a liberdade tinha limite. Hoje, parece que a liberdade não precisa ter limites para a direita em geral. Defendem bandidos pelo apelo da liberdade de expressão. O que mudou? Bem, o poder modifica as pessoas de forma visceral.

Este que vos escreve defendeu o limite da liberdade diante a alegação de que a arte não pode tudo. Afinal, caso pudesse, bastava fazer uma apresentação de teatro matando uma pessoa no palco que o assassinato seria somente uma liberdade de expressão. A liberdade sadia possui limitação. Porque tudo o que passa do ponto diante daquilo que é livre vira libertinagem, que nada mais é que a liberdade com a data de validade vencida.

Na bíblia, de Paulo de Tarso em Coríntios 6:12, destaca-se: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm”. Ou seja, o homem é livre para fazer o que bem entender; mas também tem responsabilidade em pesar se esta liberdade é benéfica ou maléfica. E a menos que o novo testamento defenda morte política, é possível entender que a liberdade de expressão em matar opositor é uma libertinagem que nem a bíblia concede exceção.   Deste modo, Daniel Silveira preso é algo compreensível até mesmo na bíblia sem contestação.

A mesma coisa serve para a tal “liberdade de mercado”. O livre mercado poderia, diante a lógica de oferta e demanda, colocar desde rim humano até pedra de crack na gondola do supermercado. Tendo gente, também, vendendo o próprio rim humano para comprar Iphone. .Já pensou o marketing? “Troque o seu rim humano por um celular no lançamento”. Portanto, em qualquer ramo que seja, a liberdade tem os seus limites.

Deste modo, voltando às artes, foram justamente as libertinagens artísticas como a peça macaquinhos e a performance do homem nu no museu, entre outros, que fez a direita virar fiscal de bumbum para tornar o Bolsonaro o homem que defende os valores conservadores ao chegar presidente do Brasil. Como Bolsonaro defendia valores, a liberdade deveria ser limitada porque estava se passando daquilo que era aceitável não somente aos conservadores como também pela constituição.

Hoje, a data é 07 de setembro de 2021, faltando 1 ano para a eleição de outubro [ou novembro] de 2022. A direita vai às ruas pedir liberdade de expressão. Mas que liberdade é essa? É a libertinagem para tornar livres jornalistas, parlamentares, figuras públicas e influenciadores ao poderem pregar golpe, insurgir revolução, ameaçar outras pessoas com surra e até morte em redes sociais.  

E, como sabido, as figuras patéticas da direita foram presas pelo Alexandre de Moraes.

Note que o Alexandre de Moraes, cujo é o ministro que prende tais figuras da direita com relevância nas redes, está fazendo o trabalho que as mídias sociais não fazem: que é banir todo aquele que não estiver respeitando os termos de uso das big techs. Ou seja, Alexandre de Moraes está fazendo o que Google, Facebook, Youtube, entre outros, deveriam fazer: que é bani-los das redes. Como as mídias sociais não fazem o seu trabalho e tais figuras passam dos limites, então só resta prendê-los porque as mídias deixaram a libertinagem correr à revelia sem pudor nenhum.  As big techs lucram com a libertinagem de países como o Brasil. Porque o Brasil é uma republiqueta das bananas.

O ex-presidiário Lula já sinalizou vontade de regular a mídia e a pergunta que fica para as big techs é: Precisa? Talvez haja necessidade de regulamento, pelo menos as big techs, pois, tais grupos não fazem a autorregulação por não banir gente que passa do ponto e faz da liberdade um mero instrumento de ataque aos adversários, mostrando que talvez uma regulação dos meios não seja algo ruim, dando azo e razão para o comandante do PT.

E como as big techs são estrangeiras, isto deriva até de soberania. Basta lembrar que quem orienta o conservadorismo no Brasil é o Steve Bannon.

Porém, o certo é dar margem de liberdade para as big techs tomarem as decisões acertadas. O problema é que parece que para a direita tudo é livre, podem fazer tudo que nada cai no filtro de violação dos termos de uso de tais empresas. Há de modificar isto senão há margem para regulação.

Para fixar bem: a liberdade sadia tem limite. Limite diante daquilo que se proíbe em constituição, limite do bom senso, entre certo e errado e sobre aquilo que causa dano em uma população. E até mesmo limite das big techs, muito em falta hoje em dia, ao violar os termos de uso de tais companhias.

O certo a partir de hoje é trazer a palavra libertinagem como expressão negativa de uma liberdade sem filtro nem freio, que aceita desde pedofilia em museu até morte de ministro do STF em vídeo da internet.

Porque a liberdade do cotidiano não pode aceitar o esgoto de uma deepweb como coisa normal e que seja habituada pela sociedade em geral.

A liberdade no Brasil chegou ao ápice da podridão ao aceitar o negacionismo de uma pandemia brutal como esta do Covid-19. Daqui a 30 anos, quando se fizer de fato a renovação geracional, em 2050 tudo o que aconteceu no Brasil será considerado totalmente doentio pela população mundial. A conclusão será que essa loucura coletiva foi uma nova revolta da vacina liderada por um psicopata sem freio e mídias sociais coniventes com loucura de negacionistas.

E todo mundo descobrirá que muita gente assinou manifestos de liberdade de expressão, sendo que, na verdade, era libertinagem – a liberdade com a data de validade vencida.

***

Sobre esse Zé Trovão, abram-se parênteses.

O que esse tal de Zé Trovão está fazendo é simples: ou as polícias, sejam elas estaduais ou federais, são extremamente incompetentes ao encontra-lo até 7 de Setembro de 2021; ou são cúmplices. Nos dois casos, os policiais estão sendo humilhados por um tal de Zé Trovão.

Esse Zé Trovão simplesmente obrigou a polícia encontra-lo antes de 7 de Setembro para não ser humilhada por um fanfarrão de Youtube.

A mesma coisa serve para as big techs que estão deixando as mídias dele circularem.

Fecham-se parênteses.





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