Em Estado Deplorável

 

 Por: Júlio César Anjos

 

Instituições aparelhadas e tripartição do poder em conflito.  Manifestações sectárias mais inflamadas, populismo barato em vigor. A democracia, ainda jovem no Brasil, está passando a sua mais dura provação, por causa de uma polarização de ladrões, que emerge diante uma população brasileira que não está sabendo escolher os seus mandatários nas eleições. O resultado?  A república está apodrecida; o presidencialismo esgotou.  O Brasil com dificuldade em encontrar o seu rumo, embora tenha que se reencontrar o quanto antes para não colapsar de vez. Caso contrário, tudo só tenderá a recrudescer. E quem, no final, irá perder? Bom, quem perderá sempre será o povo em geral. 

O povo, em sua maioria eleitoral, vota nos seus representantes para o executivo e para parlamentares do legislativo. O presidente indica pessoas para conduzir a polícia federal e escolher até mesmo quem será o ministro do STF. Na teoria, o político vencedor tenderia a governar para todo mundo. E esse governar para todo mundo significaria até mesmo que os eleitos fariam com que suas ideologias políticas ficassem em segundo plano porque o sentimento republicano e democrata sobressairia diante sentimentos abstratos – tanto ideológicos quanto pessoais.  Deste modo, em teoria, não haveria o tão criticado aparelhamento das instituições. 

O problema é que nas últimas décadas são justamente os políticos mais extremistas e ideologizados que conseguem a promoção para fazer presidente e legisladores – tanto da câmara quanto do senado. O famoso: “nós contra eles” implantado pelo PT nos anos 2000, que funciona nos dias atuais, permanece até hoje como uma cicatriz que não curou, ao dividir o Brasil em duas partes. A cisão virou ativo político. E a ideologia que é um veneno contra o Estado tornou-se o elixir para conseguir sucesso eleitoral neste novo sistema democrático empedernido e factual. 

  “A polarização é boa”, dizia um intelectual qualquer. A polarização febril e delirante extremista faz também as instituições serem contaminadas com esse dualismo que encarcera as mentes de toda a nação. Em qualquer repartição pública de qualquer região há uma polarização velada sobre o time da direita versus o time da esquerda. A instituição, neste sentido, institui uma espécie de Estado policial em que o colega de trabalho é um inimigo por ser de esquerda ou direita, no qual é contrário aos seus valores estabelecidos. Só que o Estado não é esquerda versus direita. Estado é certo versus errado, funciona versus não funciona, pode versus não pode diante tais ações liberadas ou não pelo documento constitucional. Ou seja, a instituição não é esquerda ou direita, ela é constituição. 

Diante o Estado-nação polarizado, essa polarização é permissiva a criar até mesmo a polarização de ladrões, como a que ocorre para a disputa eleitoral de 22, com Lula versus Bolsonaro.  Após condenado em 3 instâncias, Lula restitui os direitos políticos como se nada tivesse acontecido. O motivo? Fachin foi escolhido ministro do STF pelo PT. Do outro lado, a mesma coisa. O Bolsonaro continua a ficar em pé politicamente porque as forças armadas estão do lado do “chefe supremo do exército”.  Ou seja, instituições cooptadas por ideologia barata e mantendo a polarização de ladrões como algo válido para obter o poder. 

Note que a república surgiu para acabar com o poder absolutista que os monarcas possuíam ao dizerem ter uma força oriunda de Deus. E a república apodrecida faz com que os lideres populistas transfigurem como reis endeusados que podem fazer tudo porque nada os atingem – como na época dos barões. E nada os atingem porque possuem voto popular de uma maioria ideologizada que se sentimentalizou ao perderem a moralidade básica ao votar em político corrupto de estimação. Além, é óbvio da polarização em qualquer repartição pública que continua a fazer esta roda de confusão girar sem parar. 

E como tudo está na base do “nós versus eles”, até mesmo a tripartição de poder começa a colapsar. Executivo ataca judiciário, judiciário ataca legislativo e legislativo ataca executivo. A tripartição que era para ser uma divisão de poder que se juntaria para ser harmônica, diante a ideologização extremada que contamina toda a nação, faz os poderes brigarem, em que, no final, quem sofre é o povo no geral. 

Em um Estado imaginado perfeito e sadio, a república seria coesa, a democracia seria limpa e as instituições seriam independentes. Este cenário traria também uma eleição presidencial em que os candidatos fossem ilibados ao mexerem com o dinheiro do contribuinte, educados porque lidariam com o povo e competentes porque teriam que conduzir toda a nação. 

Já o que acontece na realidade dos dias atuais é o inverso. A república está podre porque as instituições são aparelhadas, a democracia deixa o Lula ladrão do petrolão e o Bolsonaro da rachadinha [e propina na vacina] disputarem a eleição mostrando que não são ilibados. Ao desferirem ataques ad hominem e extremados uns aos outros, tais condições só mostram que os agentes polarizadores não são educados. E eles também são incompetentes porque provaram a falta de qualidade no trato da coisa pública ao mostrarem precariedade nas suas governabilidades – um sendo ladrão e o outro sendo incompetente. 

A polarização já existe no código eleitoral. Chama-se segundo turno. E a existência do segundo turno demonstra que não há necessidade de fazer polarização no primeiro turno porque já há essa condição ao dispor, caso o político não consiga uma maioria de mais de 50% de votos válidos no primeiro turno. Não precisa fazer a polarização de ladrões, com Lula e Bolsonaro na disputa, 3 anos antes da eleição! Campanha antecipada que é proibida pelo código eleitoral, mas que os dois não estão nem aí em respeitar a lei.   

E para fechar com chave de ouro o estado deplorável do Estado, os adeptos tanto Lula quanto Bolsonaro vão às ruas no dia 7 de Setembro de 2021 se manifestar sobre o nada. Um não quer o outro e esta demanda política já está de bom tamanho. Os dois já possuem gados o suficiente para manter a polarização de ladrões em curso. Porque a rua virou ativo político e não uma instrumentalização de mudança social. 

07 de setembro de 2021 ficará marcado como o ápice da decadência total do Brasil. Parabéns, os polarizadores estão fazendo história.

 

 Viva a polarização de ladrões!

  PSDB - Tucanos 

 


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