O Tiziu
Por: Júlio César Anjos
O
pessoal foi pescar. Calor de rachar a cuca.
A
turma achou um pesqueiro na margem do açude, um lugar de abrigo para o pessoal “acampar”.
O pessoal começa a jogar o anzol com a isca no rio, com a taquara presa firmemente para ficar "descansada" no pesqueiro, apetrecho de pesca ao lado, além de lanche e água potável para consumo porque o dia era longo daqueles já conhecido por todos os pescadores.
Era
aqueles dias que só o que pegava era butuca, borrachudo, dengue e nada de pegar
peixe.
Muita
gente foi embora e só ficaram pescando o seu Jão e o senhor Leudo.
O tempo foi passando até chegar próximo do cair da tarde.
Os dois se preparavam para ir embora, até que, de repente, bem na ponta da vara, pousa um
passarinho.
Era um Tiziu.
E
o bichinho começa a fazer o que é da sua natureza: pular e gorjear “tiziu”, sem
parar, na ponta da vara de pescar.
Os
dois compadres não acreditavam naquilo.
Além
disso, se já estava difícil pegar peixe na condição normal, com o Tiziu fazendo
barulho e mexendo na ponta da vara então é que não se pegaria nada mesmo.
Leudo,
então, teve uma ideia. E executou com precisão:
Bem
na hora que o Tiziu estava a aterrissar do pulo, ele tirou a vara rapidamente,
fazendo o Tiziu mergulhar na água.
Tchibum!
O
bichinho mergulhou no rio e emergiu pesado por causa da água, saiu voando lentamente
e assustado, e, desesperado, saiu pra bem longe daquele lugar.
Jão
e Leudo até hoje contam essa história. Mas ninguém acredita neles porque os
dois são pescadores.
E estória de pescador é difícil de acreditar.
***
A
maioria das pessoas que vivem nos centros urbanos nem sabem da existência de um
Tiziu, quanto mais do seu comportamento excêntrico de gorjear “tiziu” e dar pulinho ao mesmo tempo.
Eu
tinha uns 10 anos quando vi pela primeira vez um Tiziu. Chamei o meu pai para
saber sobre informações do passarinho. O meu pai foi criado na roça e no mato e
poderia entender aquilo. Meu pai na hora disse que era o Tiziu.
Um
tempo passou e aí eu fui pescar. Odiava pescar. Só ia para agradar o meu pai e
amigos.
Sentado
à espera de peixe, a minhoca já estava branca de tanto tempo cozinhar na água, bateu
a “eureca!” e aí eu juntei as ideias.
Já
pensou se um Tiziu pousa na ponta da vara de pesca, que legal seria?
E
após um tempo foi colocado o elemento de o Tiziu cair na água para dar graça no
conto.
Não
é de hoje que sou contador de estórias. Vem desde pequeno.
E
fica a lição: nem toda estória de pescador é criada por... pescador.
Às
vezes a estória de pescador é criada por uma criança de 10 anos que odeia pescar.

O Tiziu de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://efeitoorloff.blogspot.com.

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