Estanislau
Por: Júlio César Anjos
Anos
90, 7ª Série, Colégio Particular.
É
primeiro dia do ano. Entre confraternização entre os coleguinhas e a confusão
em saber em qual sala os alunos estarão, soa o sino para começar a primeira
aula do ano letivo.
Com
todos aos seus postos em sala de aula, ao começar a organização, a professora apresenta-se
para os alunos. E cria uma regra para começar a fazer a chamada. Ela irá fazer
a presença ao usar números ao invés de nomes.
Então,
cada aluno terá um número de chamada que será a sua representação.
A
professora começa a chamar os nomes, pedindo somente para os alunos se
levantarem para gravar os seus números:
-
Número 1, Ana [ela levanta-se e senta-se novamente]
-
Número 2, Bruno [ele levanta-se e senta-se novamente]
-
Número 3 Carla [ela levanta-se e senta-se novamente]
(...)
-
Número 15, Estanislau [ele levanta-se e senta-se novamente]
(...)
-
Número 35, Wilma [ela levanta-se e senta-se novamente]
E
assim a professora finalizou a chamada sucessivamente para fixar o nome ao
número dos 35 alunos presentes na sala de aula.
A
professora diz, então, que no outro dia ela irá falar somente o número e o
aluno terá que se levantar e pronunciar o seu respectivo nome, seguido da
palavra presente, em voz alta.
[...]
O
segundo dia de aula chega.
A
professora começa a fazer a chamada.
-
Professora: Número 1
-
Aluna: Ana, presente! (ela levanta-se e senta-se novamente)
-
Professora: Número 2
-
Aluno: Bruno, presente! (ele levanta-se e senta-se novamente)
-
Professora: Número 3
-
Aluno: Carlos, presente! (ele levanta-se e senta-se novamente)
(..)
E
assim foi indo sucessivamente até chegar o número 15.
Professora:
Número 15
Estanislau
era um rapaz muito tímido. Não gostava de estar em evidência nem de ser notado.
Pra ele, só o fato de ter que se apresentar já gerava uma mistura de pânico e
desespero.
Mas
regras são regras, era a vez de ele ter que se levantar e responder a chamada.
Totalmente
nervoso, Estanislau tenta se apresentar:
-
Aluno: Es..., Es..., Es... Esqueci o meu
nome, professora.
Ninguém
conseguiu segurar e todos na sala começaram a gargalhar.
O
Estanislau, por causa de nervosismo, esqueceu o próprio nome.
Estanislau
saiu da sala chutando a porta e bufando. Trocou de sala. Foi estudar na outra
7ª série.
E
há ainda quem acredite que esse conto seja verdadeiro.

Estanislau de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://efeitoorloff.blogspot.com.

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