Tesouro e Bacen: Dívida Externa e Selic
Deu na CNN [05/08/26]:
Abram-se
aspas.
O
Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reduziu os juros em
0,25 ponto, trazendo a Selic para 14% ao ano, segundo decisão publicada nesta
quarta-feira (5).
Fecham-se
aspas.
O
Banco Central, na última reunião antes da realização da eleição de 2026,
reduziu a Selic justamente no momento em quer a inflação está fora da meta e a
dívida pública brasileira está descontrolada.
Faz
sentido? Faz por causa da manobra econômica feita em parceria do Banco Central
com o Ministério da Fazenda.
O
principal risco de o governo baixar a taxa Selic sem estar amparado aos
fundamentos econômicos, como neste caso, se dá pela condição dos investidores
não comprarem os títulos do governo.
Aquele
investidor que tem o seu título com a data de vencimento disponível irá pedir o
resgate, ao invés de manter o investimento ao aceitar a taxa de juros como
parte da rolagem da dívida.
A
Fazenda e o Bacen sabem disso.
Prevendo que os investidores irão querer
resgatar o prêmio integral ao invés de rolar, o governo precisa de recursos
para honrar os compromissos.
Aqui
entra a dívida externa.
O
governo contrai a dívida externa, enche o caixa do governo com recursos, para
pagar o resgate do investidor que queira sair da posição.
Ou
seja, O Banco Central baixa a taxa de juros sabendo que o Tesouro irá cobrir os
resgates dos investidores que estão em dívida interna [em Reais] por dívida
externa [em dólar].
Tanto
é que há uma proposta em curso no congresso.
A
proposta, de subir a dívida externa para um limite anual de US$ 35 bilhões,
surge em um momento em que o volume de emissões externas já vem crescendo e o mercado
internacional ganha espaço como alternativa para financiar o governo e
administrar a rolagem da dívida, diante do aumento do custo das captações no
Brasil.
Lembrando
que recentemente o Tesouro não conseguiu vender um leilão de NTN-bs.
Mas
para a manobra surtir efeito, o Senado tem que aprovar esse aumento de limite
da dívida externa. O que vai ocorrer em breve porque a câmara alta voltou de
recesso parlamentar e irá aprovar esta medida em troca de outros acordos de
interesse do congresso.
Até
mesmo ocorreu neste mesmo dia o milagre do Lula se reunir com o presidente do
Senado, Davi Alcolumbre, para fechar estes acordos “republicanos”.
E
note que esta república faz justamente esta operação próximo da eleição.
O
que mostra que o Banco Central Independente no Brasil não passa de ilusão.
Logo
passe a eleição, o governo e o Banco Central terão que fazer escolha:
Parar
de fazer dívida externa e aumentar a Selic para conseguir voltar a rolar a dívida;
Ou
continuar com o aumento da dívida externa, podendo até mesmo baixar ainda mais a
taxa de juros. Porém, com o poder econômico nas mãos dos estrangeiros, como
ocorreu na época do FMI.
O
brasileiro já sabe o que acontece quando o Brasil, bagunçado que é, fica
dependente de poderosos que possuem o poder pela dívida externa.
A
dívida pública passou de R$ 10 trilhões, com uma relação dívida/PIB de 100%,
num cenário de inflação que passou a meta, sendo que nenhum investidor sério
acredita nesta inflação do IBGE do Marcio Pochmann.
Soma-se
a isso com a questão de que a moeda Real já é um título privado podre, ou seja,
um bem que todo mundo sabe que se desvalorizará ao longo do tempo, e se tem a
volta da década de 80.
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Fontes:
https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/lucinda-pinto/economia/macroeconomia/tesouro-busca-ampliar-emissao-no-exterior-em-meio-a-alta-do-custo-da-divida/
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/bc-copom-agosto-2026/
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