Big Techs: Nova USAID

 

Big Techs: Nova USAID

 


Em 1956, Nikita Khrushchev iniciou o que seria chamado de: desestanilização, ao fazer um discurso secreto voltado para os soviéticos. O líder comunista precisava derrubar o antigo regime de Stalin para iniciar uma nova era. E só se faz mudança de estrutura ao mostrar para toda a sociedade as atrocidades maquinadas pelo regime anterior - ao colocar no lugar algo supostamente melhor e superior. A mesma coisa acontece agora com a USAID dos EUA.

  No Chile, no Brasil, no Peru e em outras partes do mundo se fez anistia ao derrubar as ditaduras implantadas nestes países para instaurar as ditas democracias liberais. E como parte da anistia, que significa um grande acordão para não punir ditadores e revolucionários, o que fica estabelecido é somente abrir os documentos para mostrar as atrocidades dos dois lados. Ou seja, é um regime anterior que não serve mais sendo catapultado pela nova era que se inicia com divulgação de informações que seriam até mesmo confidenciais.

A USAID, na teoria, era uma Agência humanitária. Na prática, um órgão de Estado que visava disseminar propaganda dos EUA pelo mundo.

Esta agência, num primeiro momento, serviu para fazer propaganda anticomunista na época da guerra fria. Talvez seja possível até mesmo fazer um cruzamento de dados entre a USAID e o caso IPES-IBAD, em que esses núcleos de estudo visavam impor o Sistema de governo no qual os EUA desejariam aos seus aliados. O IPES-IBAD ajudou a ditadura militar de 64 subir ao poder.

Após a queda do muro de Berlim, cujos soviéticos foram derrotados, a USAID passou a virar um órgão de financiamento para o progressismo no mundo. A ideia era simples: OS EUA eram defensores das liberdades, tanto econômicas quanto sociais, e se o mundo fosse mais progressista, defensor de democracias liberais, estes países teriam um alinhamento automático e ao natural com os norte-americanos. E aí os norte-americanos manter-se-iam como um império pelo aspecto cultural. O problema é que o progressismo esgotou.

 E o mecanismo da USAID também exauriu.

Os EUA, para conseguirem infiltrar para gerar disseminação de informação nos países afetados, antes do surgimento da internet, eles tinham que fazer as ações de maneira indireta.

Pegue-se o próprio Brasil como exemplo.

O Brasil sempre teve legislação quanto à difusão de comunicação, nos sistemas de rádio e televisão. O dono do meio de comunicação tem que ser brasileiro. A informação tem que seguir regras e a transmissão tem que cumprir alguns acordos. Por exemplo, destinar ao menos 10% da programação para conteúdo local.

Desta forma, com os donos e a legislação impedindo uma estrangeirização, como não poder comprar uma emissora de TV, os EUA só conseguiam se infiltrar de maneira indireta.

E a forma de infiltração indireta era criar ONGs para colocar figuras públicas e/ou influentes na folha de pagamento dos norte-americanos. E para facilitar a adesão das empresas de comunicação, por outro lado, investir em propagandas na Rádio e TV.

Com essas duas questões em curso, os EUA se infiltravam e propagavam suas informações.

Hoje, com a internet sem nem mesmo uma regulamentação abrangente, os EUA não precisam mais disseminar informação de maneira indireta; fazem de maneira direita mesmo.

Deste modo, a USAID perdeu o seu efeito. E por isso foi fechada.

E no lugar da USAID, as big techs dão conta de continuar a propagação da propaganda dos EUA de maneira direta, com influenciadores de redes sociais.

A USAID acabou também porque a quantidade de recursos que foram jogados no Lixo, em que se pagavam pessoas ao redor do mundo para não fazerem absolutamente nada, é gigantesca.

Aliás, tem um caso parecido envolvendo os socialistas no Brasil. Após 1964, os soviéticos e os chineses enviaram recursos para os revolucionários fazerem a revolução. Muitos dos ditos revolucionários brasileiros pegaram o dinheiro e foram comprar terras, ao viverem no interior.

Esse dinheiro que vem destas agências de governos estrangeiros não possui carimbo nem qualquer tipo de declaração de existência. Como não estão à luz da transparência, quem der calote neste recurso acaba não sofrendo retaliação. Porque o dinheiro, teoricamente, não existe [parecido com dinheiro do crime].

A USAID operava de maneira analógica num mundo analógico. Pagava por meio de ONGS figuras públicas para ficarem se ensaboando e sendo dúbias. Agora, com as big techs, os anunciantes podem pagar os influenciadores para falar de forma direita que amam ser colônia dos EUA.

E aquele que passar do ponto será automaticamente cancelado.

O velho caiu e o novo surge. As Big Techs são a nova USAID. Portanto, a USAID não fechou porque o Trump é bonzinho, mas porque a agência tornou-se inútil após o advento da internet e das big techs. 

 

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Em uma reportagem publicada na Agência a Pública verificou-se que a USAID também pagou para figuras públicas da direita.

Fonte: https://apublica.org/2025/02/a-usaid-sempre-financiou-a-direita/

 

 

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