A Política é Cíclica

 

A Política é Cíclica. Ou: Ninguém Aguenta mais o Centrão

 


No último sábado, 01/02/2025, Hugo Mota e Davi Alcolumbre foram eleitos presidentes da câmara e do senado federal. Houve uma transição na dança das cadeiras, mesmo que elas tenham sido tímidas por apenas haver trocas de políticos, embora o poder mantenha-se em controle do centrão. Por mais que não pareça, esta modificação levará o Brasil em um rumo diferente do direcionado pelos seus antecessores: Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. Mas não haverá apenas essa transformação. Ocorrerá também outras renovações que acontecerão nas eleições em 2026. Porque, como é sabido, a política é cíclica; e ninguém aguenta mais o centrão.

 Os votos foram apurados. Hugo Motta e Alcolumbre eleitos. E o centrão todo reunido em satisfação. Ao registrar em fotos, mostram-se todos felizes achando que tudo o que praticam contra o país será eternizado. Deixam esquerda e direita brigarem, para gerarem distrações e rejeições, para que o centrão ganhe eleições ao fazer política rasteira com emendas parlamentares.

Enfeitiçados pela Húbris, juntam-se em um monobloco em que fazem as eleições, tanto da câmara quanto do senado, apenas jogo de cartas marcadas, em que já há vitoriosos antes mesmo de iniciar a apuração. As vitórias dos presidentes da câmara e do senado são avassaladoras, como se essa unicidade garantisse um respeito perante a sociedade, aos pares e sobre qualquer um que ouse enfrentar esta composição.

Então regozijam-se entre os pares porque acreditam fielmente que voltarão, sempre e sempre, ao congresso nacional. Se estabelecerão pelo toma lá, dá cá, pelo conchavo, pelas artimanhas e pelas nebulosas negociações. Todos os partidos do centrão com dezenas de parlamentares que fazem controlar grandes volumes de fundos partidários e eleitorais, o que tornaria quase impossível qualquer renovação.

Então, todo mundo que vê este teatro a céu aberto, em que sempre as mesmas forças conseguem alçar ao mais altos graus de poder, todos os outros players começam a ficar desmotivados ao até mesmo começar uma campanha de mudança com consequência de renovação. E é isso mesmo que eles querem.

Mas não terão porque a política é cíclica. E haverá insatisfações. Como acontecerá rejeições, a eleição de 2026 será um altar de sacrifício, em que muitos políticos serão castigados na urna. Porque a urna pune.

Deste modo, enquanto eles fizerem suas negociatas, fazendo do congresso um balcão de negócios, haverá valorosas pessoas que irão reagir a estas corrupções legalizadas que são noticiadas como se fossem situações normais.

E ao tentarem se equilibrar ao atender esquerda e direita, deixando estes posicionamentos imaginários descontentes, será latente a volta das exigências populares nas ruas, em que, agora, as manifestações também terão como alvo o centrão.

Porque ninguém aguenta mais o centrão.

Todavia, o centrão não sente o cheiro fétido da sua podridão e fará as suas manipulações contra o povo à luz do dia, com notícias serenas, oposição pacifica dentro do congresso, mas com um povo totalmente inquieto e à espera de achar um parlamentar em algum lugar público para cobrá-lo e tirar satisfação.

É tempo de voltar a pulsar as ruas. De fazer a política do dia a dia, além das redes sociais. Mostrar para estes parasitas que só sabem aumentar o próprio salário, fazer corrupções com emendas e fazer nebulosas negociações que o povo está em alerta, sabe disso e que serão castigados nas próximas eleições. Porque a política é cíclica.

Portanto, este centrão que está todo satisfeito e juntando-se em congratulação, começa a definhar pelo seu fim. Há um desgaste natural em curso que é impossível reverter. Por isso que o novo zeitgeist será acabar com o centrão.

Amém.

 

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