Paulo Guedes: O Milagre de 2022
Paulo Guedes: O Milagre de 2022. Ou: A Farsa do Banco central Independente
O
ano de 2022 foi um período histórico na economia que, teoricamente, desafiou fundamentos.
Porque no mesmo momento em que o governo Bolsonaro fazia o populismo com o
Bolsa Reeleição, no aspecto fazendário parecia que andava tudo a mil
maravilhas. Deste modo, ou o Paulo Guedes é o Deus supremo da economia ou é um
farsante contumaz. O que será que ele é de fato? Neste blog já se sabe a
resposta.
No
ano de 2021, o Banco Central divulgou que o Brasil tinha uma dívida pública de
87% na relação dívida/PIB provocada pela pandemia [o que é justificável]. Mas, em
2022, o mesmo Banco Central divulgou redução de 9%, caindo para 78% a
dívida/PIB. Note que mesmo o Bolsonaro abrindo os cofres públicos para tentar
se reeleger. Isso é quase que um milagre.
O
fato é que em 2021, com apoio do congresso nacional [com ajuda aliás do PT], houve
uma mudança nas regras dos bancos em geral. Na regra antiga, que é a mais
segura, os bancos, no final do dia, deveriam sempre equalizar suas contas, o
que era chamado de spread bancário. O spread bancário mexia com títulos
públicos e taxa de juros, o que fazia virar uma operação compromissada. E
quando virava uma operação compromissada, caia como dívida pública, aumentando
o endividamento do país.
O
Banco Central trocou o spread bancário pelo depósito voluntário. Ao invés dos
bancos negociarem títulos do governo, eles agora vão trocar dinheiro. Esta
simples regra faz virar operação não compromissada. E operação não compromissada
não entra como dívida na regra de composição do Banco Central.
Porém,
a ampla maioria dos países do mundo trabalham com a regra de que operação não
compromissada também seja dívida. Até o FMI usa este modelo de mensuração.
Essa
fraude de tirar as operações não compromissadas da dívida pública foi criada no
governo Lula em 2006. O governo Lula queria gastar mais e isso geraria aumento
de dívida pública. Então os petistas fizeram esta burla para tapear o mercado.
E em 2021, o Banco Central fez esta mesma burla para criar a mágica redução de
endividamento das contas públicas ao trocar spread bancário por depósito voluntário,
reduzindo a dívida em 78% do PIB em 2022.
Essa
mudança também implica na possibilidade de o Banco Central imprimir real sem gerar
inflação porque os bancos fazem o depósito voluntário e retêm esta liquidez. Mas
uma hora ou outra essa moeda fora de circulação irá entrar no mercado. Caso contrário,
vira título podre.
Neste
mesmo 2021, o Banco Central ficou “independente”.
De
2020 até 2024, o Banco Central dobrou a quantidade de reais impressos pelo
governo. Só não houve hiperinflação por causa destas burlas já explicadas
anteriormente.
E
pra fechar, em 2022 o Banco Central cometeu um erro que seria escandaloso em
qualquer lugar do mundo, mas por aqui foi só uma questão irrelevante.
O
Banco Central simplesmente cometeu um erro bilionário. Ao revisar os números do
fluxo cambial, o país que estava a atrair dólares ao Brasil, estava na verdade
tendo uma fuga de capital, com dólares saindo do país.
Hoje,
em 2024, o Brasil possui um Banco Central “independente”. Ele é independente
para cometer o crime para a política. O Banco Central comete o erro para favorecer
o governo, fica como culpado, para preservar o governo populista vigente. E
chamam isso de evolução.
Já,
pela lógica anterior, que funcional para o Brasil, o Banco Central dependente e
como parte do governo, os erros do banco geram cobrança no presidente. Foi por
isso que a Dilma foi destituída. Hoje, não dá para derrubar presidente, caso o
Banco Central faça conluio com o governo. Porque é independente. Piorou a
situação.
Com
moeda impressa, mas estocada em bancos, com maquiagem da dívida pública e erro
na divulgação do fluxo cambial, o Brasil pareceu estar bem e, com isso, não
estressou a inflação nem assustou ou agentes do mercado, criando esse falso ano
de 2022 maravilhoso. E mesmo com toda essa fraude, perderam para o Lula.
Deste
modo, com estas mudanças citadas no texto, o Banco Central maquiou o
endividamento público e aumentou impressão de moeda sem causar hiperinflação [no
curto prazo]. E também escondeu o problema do fluxo cambial em 2022.
O
Banco Central cometeu muitos crimes para manter um Paulo Guedes acomodado e fanfarrão,
ao dizer que é bom ter Banco Central independente, que reduziu o endividamento
em quase 10% em 2022, com crescimento econômico e sem inflação.
***
O
Banco Central, no governo Lula, continua a cometer os mesmos erros. A maioria
dos diretores do Banco Central foram indicados pelo Bolsonaro e por Lula. Por
isso que Galípolo virou presidente do BC de forma unânime.
Galípolo e Campos Neto, diretores do BC: eles riem da tua cara.
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