Emendas Parlamentares: O Mecanismo

 

Emendas Parlamentares: O Mecanismo. Ou: a bandeira contra a corrupção apenas hiberna.

 

A bandeira do combate à corrupção não funciona contra líderes populistas. Se funcionasse, Lula e Bolsonaro já estariam aposentados faz tempo. Mas ela funciona contra todos os outros políticos que não tenham defesas de cunho sentimentais nem tenham apoios de grupos ideológicos para autodefesa. A esquerda pensou nisto. E deixou o centrão se refastelar com o dinheiro público desde que Lula assumiu o poder.

A primeira mudança que o governo Lula fez ao distribuir emendas foi retirar o poder de repasse do dinheiro público dos presidentes do legislativo, da câmara e do Senado, chamado de RP9, para os ministérios, RP2.

Essa mudança não tem caráter somente de poder monetário, mas também do que é mais valoroso que dinheiro: informação.

Porque as emendas ao estarem no poder do legislativo, as informações destes recursos estavam em posse dos presidentes das casas legislativas, fazendo o executivo ter maior dificuldade em saber de fato as corrupções com o dinheiro público.

Diga-se que o RP9 era uma espécie de camada de proteção dos parlamentares. Por isso que estas emendas são chamadas de “emendas do relator”, e possuem apelido de orçamento secreto.

Ao mudar as emendas para os ministérios [RP2], o governo Lula pode de um lado tirar as emendas de um grupo político ao retira-lo do ministério [é uma perda de poder significativa pelo capital], o que já seria ruim. E também pode fazer o segundo passo, quando o governo se sentir ameaçado pelos “aliados” de ocasião.

E qual é a ameaça? A chantagem.

Porque agora o governo federal tem maior clareza das corrupções que acontecem diante o seu nariz.

Veja como funciona o mecanismo.

Na primeira fase, o governo aumenta as ementas parlamentares e atrai todo mundo para o seu governo, não importando se é de esquerda, centro, direita ou plutão.

Na segunda fase, deixa a farra acontecer como se não houvesse amanhã, dando a entender que o petismo pode encobrir os rastros da corrupção dos seus “aliados”.

Na terceira fase, o poder de fato. Sabendo o que os políticos fizeram no verão passado, esta condição vira um poder para o executivo obliterar o legislativo de vez.

Porque, como sabido, o governo Lula controla o STF, o TCU, a Polícia Federal e a PGR.

Tendo os órgãos fiscalizadores em mãos, o governo Lula pode devagar e a conta-gotas revelar as corrupções que os políticos fizeram ao estarem juntos com os petistas.

  Mas aí, alguém dirá: mas o governo Lula também sofreria as consequências por estar justamente incentivando a corrupção dos seus falsos aliados para chantagearem depois. Afinal, quem facilita a corrupção é corrupto também.

Só que aí você tem que voltar para o primeiro parágrafo deste texto. A bandeira moral do combate à corrupção não surte efeito contra líderes populistas.

Numa volta de “demanda popular” de combate à corrupção, criada pelo próprio Sistema, quem sairia destruído em uma disputa entre Lula e Centrão?

Pergunta retórica.

O governo Lula continuará a pagar emendas pelo RP2. E vai continuar a fingir que nada está acontecendo.

Enquanto os políticos do Centrão aceitarem ser comprados, o governo Lula vai continuar a compra-los na maior normalidade e naturalidade do mundo.

Quando houver algum desgaste ou problema extraordinário entre executivo e legislativo, o governo Lula irá mostrar devagar e a conta-gotas quem pode mais.

A bandeira da corrupção não acaba, ela apenas hiberna. Quando o Sistema começar a movimentar PGR, STF, TCU e Polícia Federal contra algumas galinhas do Centrão, o povo irá se revoltar contra estes corruptos.

E pensar que o bolsonarismo se vangloriou ao dizer que esse legislativo que se elegeu em 2022 é o mais conservador de todos. Todo mundo vê o que conservam neste momento político em que atravessa o país. Ganharam votos da oposição e a primeira coisa que fizeram foram se corromper ao petismo.

Deste modo, o centrão não serve para ser oposição ao governo Lula. Então, descarta-se de antemão os cincos do centrão: PP [Progressistas], MDB, Republicanos, PSD e União Brasil.

Só há 3 grupos políticos que podem se opor ao Lula hoje, justamente por não terem cargos de ministérios: Partido Novo e PSDB.

O resto, pelo mecanismo, está nas mãos do PT.

 

O PL não serve para ser oposição ao petismo porque já teve vice-presidente no governo Lula com o José Alencar. O presidente do Partido Valdemar Costa Neto já foi preso junto com o José Dirceu no mensalão. E nunca bateu de frente contra o petismo desde que existe.

 

                            A farra com o dinheiro público tem método. 


 

 

 

 

 

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