Efeitos Práticos do Fim da Escala 6x1
Efeitos Práticos do Fim da Escala 6x1
No
texto anterior, publicado neste blog, viu-se que se o objetivo principal é o
bem-estar do trabalhador, não importando implicações e consequências, então o
problema não está na escala 6x1, mas na carga horária semanal de 44 horas. Porém,
há consequências ao fazer essas modificações que serão vistas aqui.
O
principal problema desta demanda laboral é a deturpação do debate porque é uma causa
populista. Gera a questão de que quem é a favor da causa é uma pessoa boa e
quem é contra, justamente por ver possíveis problemas com o fim desta escala, é
o vilão.
Deste
modo, o dono da vendinha de bairro é o vilão por contratar na escala 6x1. Se
esta vendinha está aberta, é porque dá lucro. Se dá lucro, tem acúmulo de capital
por supostamente explorar o trabalhador. E esse capital acumulado ele usa para
continuar o negócio dele para continuar a supostamente a explorar o trabalhador.
Este
mesmo dono da vendinha, um monstro por explorar o trabalhador, pode resolver
fechar o seu negócio, que dá lucro, para viver de outro lucro: o do rentismo.
Além, é claro, deste dono da vendinha começar a trabalhar como CNPJ.
Aí
se tem aumento de desemprego formal.
Porque
a maioria das contrações são feitas em microempresas [negócios pequenos].
O
aumento de desemprego é ruim para o trabalhador que quer redução de jornada de
trabalho para buscar bem-estar, mas é excelente para o Governo federal administrar
o país e fazer ajuste fiscal. Porque o desaquecimento da economia faz esfriá-la.
E a economia fria controla a inflação. Agora note que a economia do Brasil está
fria e o governo quer esfriá-la mais ainda. Isso pode gerar recessão.
Ao
controlar a inflação, o governo federal não precisa mais aumentar taxa de juros
SELIC visando o problema inflacionário. Resolve uma demanda que o Banco Central
cobra do governo neste momento
Porém,
cria outro. Redução de arrecadação. Só que cada problema de cada vez.
É
fato que todo mundo quer ganhar bem e trabalhar pouco. E não há nada de errado
nisto. Só que este tipo de eficiência só
pode ser alcançado por meio de uma reforma educacional robusta. O que não é o
caso.
Por
isso que demandar estas questões pontuais não resolve nada e só se mostra
populista. Supostamente melhora de um lado, piora de outro e vida que segue.
Além
disso, esse negócio de que trabalhador feliz produz mais é um conto de fadas.
Porém, ninguém aguenta trabalhar em um lugar em que o trabalhador se desgaste
tanto físico quanto mental. Então, as campanhas motivacionais servem mais para
tirar a toxicidade do ambiente de trabalho do que aumentar produtividade por
felicidade. Porque ambiente tóxico gera ainda mais improdutividade – e prejuízo
no final.
E
o povo indo atrás deste “bezerro de ouro” do populismo, o que se mostra é que o
discurso da prosperidade está perdendo o fôlego na sociedade.
Além
de tudo isso, neste tipo de emprego, em que precisa cumprir um determinado
período fixo por dia no trabalho, não é possível contratar por CNPJ. O fiscal
do trabalho multa o dono da vendinha que contrate um CNPJ para ser atendente.
Então, o fim do 6x1 terá muitas consequências na economia brasileira. Porque o
Brasil é continental e pequenas mudanças geram efeitos gigantescos.
Mesmo diante todas essas questões, este que vos escreve é a favor do fim da escala 6x1.
Elon Musk e a sua executiva que, de tanto trabalhar dormiu no trabalho, e acabou sendo demitida. Bem, alguns patrões são vilões de verdade.
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