O Povo: Massa Amorfa e Maioria Silenciosa

 

Por: Júlio César Anjos

 

Mais de uma semana após o fim da eleição presidencial de 2022, disputada na polarização de ladrões entre Lula e Bolsonaro, grupos de indivíduos extremistas bolsonaristas estão na frente dos quartéis pedindo intervenção. Uma espécie de terceiro turno sem fim, essas células terroristas são contra a elegibilidade do petista Luiz Inácio, pois é considerado o candidato do Sistema que possui apoio do stabelichment [Mídia, Supremo, Forças Globalistas Internacionais e etc.]. Como contraponto, querem desde intervenção militar, cujos militares dariam golpe para alçarem ao poder, até intervenção Federal, cujos querem que o Bolsonaro se restabeleça imediatamente à presidência da república. Só há um pequeno detalhe nisso tudo: eles não são o “povo”.

Adolf Hitler, em seu livro biográfico Mein Kampf  [Minha Luta, em português], disse que palavras como “cidadania” e “povo” não possuíam substância alguma, ou seja, diziam tudo e nada ao mesmo tempo. Deste modo, ao invés do político querer alguma coisa na primeira pessoa do singular [eu], como por exemplo: “eu quero”, por pura malandragem semântica irá pedir/querer esta coisa na terceira pessoa do singular [ele]: “O povo quer”.  Ou seja, trazendo esta regra para os dias atuais, ao invés de dizer que o Bolsonaro quer golpe militar, os emissários de Jair dizem que: “o povo quer intervenção federal”. E pra não ser injusto, o Lula também usa e abusa do termo Povo como recurso semântico daquilo que ele deseja para si. Porque os populistas usam e abusam da palavra povo sem nem corar.

Deste modo, a palavra povo poderia ser condicionada em dois fenômenos de aspectos sociais: A Massa Amorfa e a Maioria Silenciosa.

A maioria silenciosa, que condiz a ampla maioria da população, é o que o nome já diz: uma maioria passiva que não age e só observa aos acontecimentos de maneira taciturna. Esse grupo de pessoas é desprendido da política em geral, não fazendo engajamento social no seu dia a dia.  Mas geralmente acabam sendo manipulados pela minoria barulhenta que é ativa e faz de tudo para alçar o poder. Só que há vários grupos de minorias barulhentas que geram uma bagunça na cabeça da população. E essa bagunça faz a maioria silenciosa outrora passiva, virar ativa nas ações políticas gerais. E como ainda não foi dominada por ninguém, vira a massa amorfa.

A Massa Amorfa vai às ruas sem controle nem domínio de nenhum grupo político específico, sendo que só quer derrubar toda a ordem estabelecida. Essa massa não é contra um grupo político e a favor de outro, ou vice versa, porque é simplesmente o “povo” revoltado com tudo o que está acontecendo, sendo que quer uma mudança abrupta na sociedade em geral. Quer revolução. A massa amorfa quer derrubar todo o Sistema, mas não consegue fazer algo simples que é colocar algum grupo político no lugar. No fim, a massa amorfa só serve para gerar caos e nada mais.

   Se for verificar o levante popular de 2013, com a massa amorfa nas ruas pedindo a queda do Sistema, no final do processo Dilma ganhou eleição de 2014 no segundo turno contra o Aécio, e Alckmin foi eleito governador me São Paulo mais uma vez. Ou seja, esses grupos espontâneos fizeram o levante, nos quais geraram o caos, mas não fizeram o básico [e nem poderiam fazer porque são amorfos] que era apontar algum grupo político como detentor deste poder de massa popular.

E aqui se volta à questão dos bolsonaristas indignados com o resultado eleitoral em 2022, cujos estão nos quarteis pedindo intervenção. Esses grupos são sectários, extremistas, adoradores de político de estimação e que não representam toda a sociedade em geral justamente porque o bolsonarismo tem lado. Não são “o povo”, como emissários do Jair dizem nas mídias por aí.

O máximo que dá para chamar de povo é a maioria silenciosa. Mas a maioria silenciosa, no dia posterior à eleição, na segunda-feira, acordou cedo, lavou o rosto e foi trabalhar. A maioria silenciosa sabe que Bolsonaro não é antissistema coisa nenhuma, aliás, é o suprassumo do Sistemão militar.

Mais alguns dias e esses grupos sectários bolsonaristas irão ser derrotados pelo cansaço. A maioria silenciosa não irá virar massa amorfa e depois ser sequestrada para satisfazer um político como Bolsonaro. Jamais.

Portanto, o bolsonarismo está fazendo uma espécie de terceiro turno por não concordar com o resultado eleitoral. E age indo para os quarteis pedindo intervenção. Com apoio de emissários do Jair Bolsonaro na mídia, chamam esse grupo sectário, extremista, e violento de “povo”. Mas o povo, como maioria silenciosa, na segunda-feira após a eleição lavou o rosto na cara e foi trabalhar. Essa maioria silenciosa não está ativa ao ponto de virar uma massa amorfa nas ruas “contra tudo isso que está ai”. E, por não favorecer o Bolsonaro, esse bolsonarista nas ruas vai desfavorecê-lo ao passa do tempo. O bolsonarismo irá ser derrotado pelo cansaço. Porque o povo não está com Jair.

 


 

 

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