União Centrista: Considerações

 

Por: Júlio César Anjos

 

Para reflexão: Enquanto os mais agitados estão olhando para Outubro de 2022, os mais experientes olham para Junho de 2023.

 

 Há uma tensão política manifesta entre os atores políticos nem-nem, cujos não querem nem Lula nem Bolsonaro vencendo o pleito de 2022. Estes oposicionistas estão olhando para além da eleição, pois observam o que poderá acontecer em Junho de 2023, caso a polarização prossiga até lá. Diga-se, assim, que a governabilidade não será algo fácil a conquistar, caso o povo, na urna, não dê a lição ao rejeitar populista desde já. Porque quem perder não irá aceitar. Então, neste caso, é preciso criar uma terceira via de centro para capitular os políticos corruptos de estimação desta dada parcela significativa da população.  E essa terceira via terá que prosperar.

Só que há algumas coisas na vida que não adianta forçar; nem mesmo forçar uma bricolagem de terceira via que não dará liga e que ninguém irá gostar. Querer ligar matizes ideológicos antagônicos, sendo que um posicionamento centrista é pragmático e por isso não está presa em prerrogativa ideológica nenhuma, é forçar a barra para gerar algo que não irá vingar. Colocar no mesmo bojo MBL, Luciano Huck, Danilo Gentili, Novo e PSDB - com Eduardo Leite e Doria -, é uma junção difícil de dar certo porque há mais divergência do que convergências nesta composição. Deste modo, então, ao invés de pensar em construir uma união de centro determinada em um monobloco condicionado a um político só, o certo é construir lideranças para ir além do pensamento de curto prazo que enseja somente a próxima eleição. É preciso olhar para o longo prazo, enxergar também as eleições vindouras.

O MBL, que diante as situações políticas impostas no cenário atual quer virar centro, coloca a faca no pescoço do nem-nem para que todo mundo esteja junto com eles na eleição de 2022. E faz a chantagem absurda com data-limite de decisão: abril de 2022. O MBL, cujo faz pensamento incoerente por falta de visão holística sobre o assunto, acha que as composições são definidas após o fechamento das filiações partidárias. Mal sabem que as composições de COLIGAÇÕES são feitas em agosto de 2022, sendo esta a data-limite para ver quem será aliado ou não na disputa eleitoral. Deste modo, O MBL, do qual faz até curso sobre política, está com uma miopia que chega até assustar. 

Um exemplo prático sobre o fato de que a data-limite na eleição é a data das coligações se dá no caso da Marta Suplicy. A Marta Suplicy foi escolhida como vice do Bruno Covas, para a eleição municipal de 2020, desde Outubro de 2019. A Marta Suplicy filiou-se no partido Solidariedade [do Paulinho da Força], cujo partido era base aliada dos tucanos de longa data, tempo ao perder de vista. Então, tudo estava acertado. Marta Suplicy no Solidariedade como vice do Covas. Mas aí o Bolsonaro queria ganhar São Paulo com o Celso Russomano e tirou partido Solidariedade da coligação tucana - fazendo a Marta ter que escolher ser vice de Celso, concorrer como vereadora ou não mesmo disputar o pleito. A ex-prefeita de São Paulo resolveu ser leal e apoiar o Bruno Covas mesmo fora da disputa [e com isso ela terá apoio dos tucanos em 2024].

 E será exatamente isso que acontecerá em 2022, caso haja uma unicidade em um nome só para concorrer como nome de centro em 2022. Um Luciano Huck, por exemplo, pode se filiar ao Cidadania e o Cidadania poderia ser cooptado por Lula ou Bolsonaro, fazendo o Huck sair do páreo eleitoral porque a legenda não o daria espaço para concorrer na esfera presidencial. Deste modo, todas as forças do centro orbitariam no Luciano Huck, sendo que, no final, essa força seria dissipada por causa da coligação eleitoral. Isso vale também para Danilo Gentili, Mandetta e até o Amoedo.

Esse problema se dá porque o calendário eleitoral brasileiro é um absurdo. O fechamento de filiação eleitoral, geralmente em abril, vem antes do fechamento de coligações, geralmente em agosto do ano da eleição majoritária nacional. Isso faz o político ficar amarrado na coligação, podendo até mesmo ser impedido de concorrer eleitoralmente no cargo que gostaria por decisão do presidente da legenda, diante negociações políticas nacionais.

Quanto aos tucanos, as movimentações do partido são independentes porque a legenda tem estrutura e força necessária para ir ao pleito e conseguir resultado positivo tranquilamente. Os tucanos não podem atender necessidades de players políticos que nem sabem o que estão fazendo, ao querer gerar uma lógica absurda de que, em abril de 2022, quem estiver à frente será o líder deste centro político sem pé nem cabeça. Acompanhar essa loucura é fazer o partido todo ser naufragado como a Marta Suplicy foi na eleição municipal de São Paulo em 2020. É questão simples de analisar e entender calendário eleitoral.

Outro entrave se dá na questão do tamanho deste escolhido como candidato do centro que fará esta unicidade. O PSDB só viraria linha auxiliar de um candidato avulso do centro se esse player político, em abril, tiver dois dígitos em votos na pesquisa eleitoral. Caso contrário, esse ator político é peixe pequeno, no qual não vale a pena compor.

Além disso, caso Eduardo Leite, João Doria e Azambuja deixem a cadeira de governador dos seus respectivos estados em abril de 2022, isso pode ser que o objetivo destes políticos seja o senado, que é um cargo elevadíssimo também.

Vale lembrar, também, que um ataque autofágico do centro, em que um agride o outo sem parar, só facilitará a vida para o Lula e o PT vencerem o pleito em 2022. Quanto mais polarizado, melhor para o Lula no segundo turno, caso um político de centro não consiga ir para o segundo turno em 2022 porque foi agredido também por forças do centro. Portanto, se o MBL quer agredir forças do centro a partir de abril de 2022 porque poderá não haver unicidade a um nome centrista, isso só fortalecerá a esquerda para 2022.

Portanto, não adianta pensar somente nesta unicidade do centro por causa de diferenças ideológicas, de problema de calendário eleitoral e de estratégia pragmática ao enfrentar uma polarização partidária que pode ser vencida pelo Lua e o PT em 2022. É preciso ser minimamente inteligente e parar para pensar. E também voltar as forças para construir, ao invés de destruir, lideranças de centro que irão disputar a eleição de 2022.

 

O que está acertado no PSDB é assim:

Haverá prévias no PSDB em 17 de outubro de 2021.

O vencedor, caso seja governador, sairá do cargo em abril para disputar a eleição em 2022.

Esse líder tucano verá o cenário político até agosto de 2022.

Se houver um líder de centro que não seja um tucano, em abril de 2022, com 2 dígitos nas pesquisas eleitoras [uns 15% de intenção de votos], o PSDB pode sim pensar em compor nesta chapa de centro, sendo linha-auxiliar.

Desde que o partido desse líder não seja cooptado para a chapa de Lula ou Bolsonaro.

Caso contrário, com as forças de centro com 1 digito nas pesquisas, e cooptados por Lula ou Bolsonaro, o PSDB vai como cabeça de chapa para 2022.

 

Portanto, a data-limite para compor o centro, infelizmente é em agosto de 2022 – no fechamento das coligações.

 

 


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