Bolsonaro: Cara, Eu Ganho; Coroa, Você Perde

 

Por: Júlio César Anjos

 

A oposição identitária diz: “tudo o que o Bolsonaro é a favor, eu sou contra. E tudo o que o Bolsonaro é contra, eu sou a favor”.

Aí o Bolsonaro diz: “sou contra a pedofilia, tá ok”.

E a oposição fica num jogo de cara ou coroa. Se reagir, é cara e o Bolsonaro vence. Se não reagir, é coroa, e a oposição perde.

Cara, Bolsonaro vence; Coroa, a oposição perde.

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Deste modo, o que o Bolsonaro quer fazer é um plebiscito entre “sim e não” sobre tais pautas [comportamentais].

É a favor da pedofilia? Sim ou Não?

É a favor do aborto? Sim ou Não.

É a favor de casamento com mais de quatro pessoas, a poligamia? Sim ou Não.

Se o congressista cair nesta regra do jogo somente, esse adversário do Bolsonaro já perdeu.

 

Ao invés do plebiscito, o congresso ingressará com a barganha. E é aqui que o centrão irá se posicionar.

 

O Centrão tem que criar a chamada fila de prioridade. E a prioridade, claro, são as pautas econômicas. Se o Bolsonaro quer furar essa fila, então que ele pague esse pedágio.

O Bolsonaro quer fazer várias leis contra a pedofilia? Ok. A prioridade é reforma tributária. Mas tudo bem, a fila pode ser furada. Basta dar cargos e emendas, além de ter que legislar contra Fake News sobre pedofilia e afins [conseguindo avançar contra as Fake News com maior força (principalmente o perigo QAnom)], para aprovar essa pauta comportamental.

O Bolsonaro quer proibir o aborto até em caso de estupro? Tudo bem. Só que se deve legislar na questão de que a avó [ou qualquer responsável] do estuprador tenha que por obrigação adotar a criança [gerada fruto de estupro]. Porque a mulher não pode ser penalizada por causa disso e o Estado não tem condição de arcar com os custos. Além, é claro, tornando a pena mais dura para o estuprador. E pra furar fila de prioridade, já sabe: cargos e emendas.

O Bolsonaro quer o voto impresso? Tudo bem. Mas quem se eleger com apoio de tráfico de drogas e milícia terá o mandato sumariamente perdido e quem assumirá não será o suplente, mas o candidato de outro partido que perdeu essa vaga em questão. E para aprovar, a mesma coisa: cargo e emendas.

  Trocando o “sim e não” pela barganha nas pautas comportamentais, o Bolsonaro perde tempo, base e desgasta com discussões laterais envolvendo a pauta em questão.

 

Porque Bolsonaro quer enviar a pauta, por exemplo, contra o aborto no congresso, esperar alguma reação, e ganhar por W.O. porque tal pauta é populista e quem vai contra ela de supetão só tem a perder.

Bolsonaro quer, por exemplo, perguntar: é a favor do aborto? Para que alguém responda que sim, só para criar um vilão e ganhar com facilidade nesta regra do jogo.

Bolsonaro quer jogar cara ou coroa com a oposição. Mas se tratar as pautas como uma questão ideológica de “fla x flu”, de “sim e não” sem barganha alguma, não importa o resultado o Bolsonaro já ganhou. Cara, ele vence; Coroa, você, opositor, perde.

Sendo assim, uma coisa que todo mundo concorda é que o centrão não é ideológico. Portanto, não é contra nem a favor de pedofilia, estupro, aborto e etc. O centrão só quer cargo e emenda. E por isso irá barganhar.

Resta saber se o Bolsonaro está tão disposto assim a pagar o pedágio ideológico só para tentar, em vão, gerar um desgaste político no congresso.

 

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O fato é um só:

 

Bolsonaro não quer mexer em reformas econômicas para não gerar animosidade política no campo financeiro do elitismo brasileiro, então tentará deixar tudo como está. Bolsonaro e Guedes não puxarão reformas profundas – como a administrativa que gera muitos problemas com o alto escalão do funcionalismo público – porque não quer se envolver em briga e por isso quer a calmaria para conseguir a reeleição.

 Deste modo, então, Bolsonaro quer continuar com a militância aquecida ao gerar disputa no congresso com querelas em pautas comportamentais. 

Questões conjunturais como discussões sobre aborto, pedofilia, casamento gay, entre outros serão mais importantes que as questões estruturais como reforma tributária, volta do tripé-macroeconômico, controle do câmbio e liberdade econômica para aumentar a empregabilidade. 

Bolsonaro quer auxilio emergencial e bolsa família para acudir a parte econômica para os pobres e banalidades de pautas comportamentais para gerar guerras indenitárias para distrair a classe média. 

Bolsonaro quer ganhar com facilidade. Mas facilidade não haverá.

                                          

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Obs: se o Bolsonaro vier com: “é tudo pedófilo”, a resposta é impeachment por ser miliciano corrupto que mata e rouba para se perpetuar no poder.

Só pra constar.

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Caso Debora Diniz: Cara, Bolsonaro ganha; coroa, Debora Diniz perde. 


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