Poder: Questão de Vetor

 Por: Júlio César Anjos

 

Na época das monarquias, com os seus castelos fortificados, o dono da coroa era a figura mais poderosa da sociedade em que o monarca controlava. O trono era o centro de força política. As pessoas iam até o soberano e não o contrário, o que mostrava o vetor de poder. Uma majestade que necessitasse aumentar ímpeto por causa de ameaça externa ou ameaça estrangeira ao ter que fazer aliança de autodefesa com outro rei – seja por casamento ou por negócios -, só pela movimentação de viagem esse rei que se deslocava até outrem demonstrava fraqueza. O trono nunca podia ficar vago porque a vacância significava fragilidade até mesmo de todo o reinado. Porém, hoje em dia as monarquias caíram; democracia e ditadura surgiram no lugar. Mas o poder continua sendo uma questão de vetor.

 

Deu no jornal: “Justiça da Rússia autoriza Putin ficar no poder até 2036”. A justiça segue o governante russo porque As Forças Armadas defendem-no de ameaça do judiciário. As Forças Armadas se sujeita ao executivo por receio de agressão vinda da Religião.  A religião atende o Kremlin para proteger o país de ameaça externa vinda da Mídia. A mídia dá cobertura ao governo vigente para impedir problemas oriundos de Grupos de Pressão.  Grupos de Pressão [Nashi] subordina-se ao Kzar Russo para evitar excessos da Justiça. Portanto, as 5 esferas institucionais políticas: 1) Justiça; 2) Forças Armadas; 3) Religião; 4) Mídia; 5) Grupos de Pressão; submetem-se ao centro gravitacional de domínio político russo no líder chamado Putin.

 

Mas o Putin é humano e seu poder só pode ser vitalício. Sem ter sangue azul real, em que não dá para passar o governo para a linhagem, resta ao grupo que faz do líder russo o condutor da nação se preparar para repassar esta aptidão a outrem. E como faz esse repasse a outro líder pela aposentadoria ou pós-morte de Putin? Pela cimentação de um partido. Porque um partido tem poder.

 

O exemplo de que um partido tem autoridade plena pode ser visualizado na China. É só ver, por exemplo, que a China começou a sua ditadura pelo Mao Tsé-Tung. O ditador chinês morreu, já houve várias mudanças de líderes durante todo esse tempo, a doutrina maoísta da revolução cultural deu lugar à abertura econômica global com Deng Xiaoping [o sucessor], mas uma única coisa mantem-se intacta até hoje: o partido único da ditadura chinesa chamado Partido Comunista Chinês. Ou seja, doutrinas caem, líderes condutores morrem. Só o que fica é a resiliência do partido.  Porque quem controla: 1) Mídia; 2) Forças Armadas; 3) Religião [não tem]; 4) justiça; 5 grupos de pressão [não tem]; é o Partido Comunista Chinês.

 

Para entender a altiveza de um partido o leitor tem que pensar numa cadeira. Essa cadeira terá: 1) os pés [Justiça, Mídia, Religião, Forças Armadas, Grupo de Pressão]; 2) o assento que é o líder condutor; 3) o design [que é a doutrina]; 4) a cor [ideologia]; 5) A cadeira como uma sinergia [a soma das partes é maior que o todo] só pode ser o partido. Além disso, querer fazer política sem estar em um partido é como querer ser a cadeira sendo somente os pés, ou somente o assento, ou somente o design ou a cor. Não tem fundamento.

 

Outra reflexão que se deve fazer a respeito de partido é que se o Hitler vencesse a guerra e dominasse uma parte considerável do mundo, mesmo após a sua morte o partido Nazista reinaria poderoso na Alemanha por um bom período de tempo. Mas como a Alemanha perdeu a guerra - quanto maior o salto, maior o tombo - o nazismo foi banido da vida política em muitos países considerados democráticos no mundo até hoje.

 

E se de um lado o partido Comunista chinês é forte, por outro lado há partidos fracos nas democracias. Veja o exemplo do Lula-PT. O Lula-PT foi pedir penico para Edir Macedo e católicos [religião]; penico para o sistema judiciário [lista tríplice, lei delações e etc]; penico para as Forças Armadas [bons proventos e investimentos para a classe]; penico para a Mídia [nunca foi investido tanto em anúncio para a mídia oficial]; só não pediu penico para os grupos de pressão [sindicatos, ONGS e movimentos sociais (sem terra e sem teto)] que o Lula achou que conseguiria obter poder somente com essa última guarnição.

 

Lula-PT fez esse consórcio campeão, mas o vetor de força estava na direção errada. Seria realmente poder se as cinco instituições políticas [Forças Armadas, Religião, Mídia, Justiça e Grupos de Pressão] fossem atrás do Lula pedir penico porque não poderia bater de frente com essa nova concepção de estrutura. Não foi o que aconteceu. Na verdade, o Lula-PT, além desse consórcio campeão, fez petrolão somente para tentar expurgar o verdadeiro partido brasileiro forte: o PSDB.

 

Deste modo, o PSDB é tudo isso e nada disso ao mesmo tempo. Para o PSDB, líderes morrem, doutrinas e ideologias caem, instituições perdem o poder. Mas o partido, quando forte, eterniza-se. Essa concepção não é novidade. Basta lembrar que após a segunda guerra o Partido Nazista sumiu enquanto que o Partido Social Democrata da Alemanha existe até hoje.

 

E quanto ao Bolsonaro? A mesma coisa. Pediu penico para: 1) Forças Armadas [saco sem fundo, só quer aumento de salário e de orçamento]; 2) Mídia [empreiteiras cibernéticas (Google, Twitter, facebook) elevam, mas também derrubam]; 3) Religião [se os pastores retirarem apoio, Bolsonaro some]; 4) Justiça [a lava-jato fez com que você tenha que chamar miliciano corrupto de vossa excelência]; 5) grupos de Pressão [acabou a paz e o amor da CUT azul (MBL e Vem pra Rua)]. E agora está sendo acossado por tais agentes.

 

E se o Partido Aliança pelo Brasil tivesse sido idealizado em 2016 e materializado pouco depois do Bolsonaro ser eleito, o Brasil teria um partido com estrutura Nazi em vigência. E se esse partido tivesse a lógica de poder, em que não veria problema nenhum em expurgar o líder condutor que se desgastou [banir Bolsonaro, caso fracasse], aí sim a oposição teria problemas sérios [o vetor de poder iria das instituições para o partido]. Mas graças ao Olavo de Carvalho, com a percepção [errada] de Roger Scruton, o guru da Virgínia impediu a construção de um partido forte de direita no Brasil. Agora, o bonde passou. Se o partido existir, não terá o mesmo clímax de outrora.

 

Além disso, outra coisa boa é que tanto Lula quanto Bolsonaro quiseram facilidades com esse consórcio campeão, pois o sistema tornou-os carismáticos e heróis, e justamente essas instituições estão também os enfraquecendo. Portanto, será fácil colocá-los todos eles [falsos líderes e instituições] em breve a submeter-se a um poder maior. Submeter-se significa ir para a caixinha. E uma hora ou outra esses 5 grupos vão pra caixinha a mando de um partido forte.

 

Portanto, a concentração de força política não está nas instituições [Mídia, Justiça, Forças Armadas, Religião, Grupos de Pressão], na doutrina, ideologia, ou até mesmo num líder condutor. O domínio político está no PARTIDO político. Só que o poder é questão de vetor: as instituições devem se submeter ao partido e não o contrário. Caso o vetor esteja em direção às instituições, esse partido nem autoridade tem. E não tendo poder, é fácil ser descartado por outro partido supremo em vigor.

 

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E já faço uma previsão desde já: Depois de 2036 o Partido Rússia Unida será maior que o Putin. E o descartará sem pestanejar.

 

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Obs1: Bolsonaro foi visitar Trump 4 vezes, Trump não visitou Bolsonaro nenhuma vez.

 

 

Obs2: O Brasileiro quer o ditador, mas não quer a ditadura. Por isso que o líder condutor sempre será facilmente descartado.

 

Obs3: O poder do povo só pode estar na democracia; a democracia só pode estar no PSDB – a verdadeira fonte de poder.

 

 

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Baseado no trabalho disponível em https://efeitoorloff.blogspot.com/2020/08/poder-questao-de-vetor.htm.

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