New Hippie
Por: Júlio César Anjos
O
Brasil hoje vive um mundo invertido no qual os Ucranianos na paulista são
patriotas e a torcida organizada Gaviões é defensora da democracia. É o país da
piada pronta. Papo de louco ou não, o certo é que deve haver a criação de um
novo movimento que seja diametralmente oposto a esses grupos terroristas que se
utilizam de bandeira partidária para impor, nas ruas, a ditadura da agressão. E
em tempos em que a cultura política se dá tanto pelo patriotismo quanto pela
democracia de troca de socos e pontapés, nada melhor do que instituir a
contracultura da paz e o amor. É preciso incutir o New Hippie como valor.
A
pandemia do Coronavirus irá passar. E quando essa atribulação for embora, dará
lugar ao novo que irá se apresentar, que será a nova Era de Aquarius que se
estabelecerá. Um tempo em que o homem dominará o seu próprio destino,
abandonando o determinismo histórico revolucionário em ascensão. Uma era de
consciência e iluminação, de ciência e racionalidade, a volta de valores
universais como a atenção aos direitos humanos, além de estabelecer o fim da
religião como dogmatismo doutrinário. Um momento de agregar e agrupar pessoas
por adoção e não por imposição. A
transcendência da evolução humana em seu ápice que só pode ser materializado e
concebido na estruturação filosófica da paz e amor.
Desta
forma, o que se propõe ao surgimento do New Hippie se dá em defesas que
baldearão em valores políticos, ao guiar a sociedade em uma nova transformação.
Vestir-se de bandeira do Brasil é cafona; ser petista é démodé e sem noção. Os
extremismos de Lula e Bolsonaro estão fora de questão – eles não irão abandonar
as suas doutrinas combativas tanto nacionalistas quanto marxistas que fazem o
brasileiro trocar socos e pontapés na paulista. E a convergência se dará aos
grupos políticos que propõem unir a sociedade ao invés de dividi-la para
conquista-la.
Na
filosofia, o New Hippie não pregará o libertarianismo no sentido: “proibido
proibir”, cujo lema levou o movimento ao seu fim por causa da degeneração e
degradação social. Entorpecentes pesados também estão fora de cogitação. Por
isso que a doutrina padrão será a o utilitarismo de John Stuart Mill. Buscar a
felicidade, não causar danos em terceiros, ser consequencialista e ter
comiseração são os requisitos mínimos para
buscar a evolução.
Já
no campo da religião, a promoção se dará pelo budismo que fará o New Hippie
buscar o nobre caminho óctuplo. Compreender certo, pensar certo, falar certo,
agir certo, modo de vida certo, esforço certo, consciência certa, concentração
certa. O certo sendo a fusão entre os princípios budistas e utilitaristas como padrão.
E
no campo da cultura estética, o New Hippie, por óbvio, pegará o conceito do
movimento Hippie dos anos 60 e 70. Mas fará reformulação em todos os aspectos,
que vão desde a cultural até a estética. Deste modo, estas serão as propostas do
New Hippie conceitual na cultura que se materializa em arte:
Manifesto
das 7 artes + moda: Música; Dança; Pintura; Arquitetura; Teatro; Literatura; Cinema e Moda.
Moda:
Sai: a calça boca-de-sino; entra: o Boho Chic e o Hippie Chic. Calça Thai e
Boho Harem masculino e feminino também entra no quadro. São peças do campo da
costura que possuem influência no movimento Hippie – seja pela moldura e/ou
estampa [Paisley e tie-dye serão a nova sensação]. Principalmente tie-dye.
Música:
Indie com letra crítica, e pop romântico. Neste quesito o campo é fértil, há
milhares de cantores e bandas a esse respeito. Imagine, de John Lennon, é hino.
Cinema:
Romance, drama sentimental e comédia friendly. Filmes com críticas à guerra e
irônico à violência são bem-vindos. Nascido em 4 de Julho é Cult.
Dança: Modern Jazz Dance. Modern Jazz Dance é uma espécie de Ballet desconstruído e coreografado.
Popular sem ser vulgar.
Teatro:
Teatro Cinético como o desenvolvido pela Es Devlin. Efeitos visuais e ilusões
de ótica, com uso da tecnologia, para ampliar as sensações do espectador de
teatro. No Brasil está em falta esse segmento.
Literatura:
Romantismo, realismo, e não-ficção. Tudo ponderado mediante doutrina New Hippie.
Todos os clássicos são bem-vindos. Ex: Jane Austen.
Arquitetura:
Minimalista futurista ou Rústico saudosista.
Pintura:
Quadros e fachadas urbanísticas [muralismo] com várias paletas de cores, com símbolos
e/ou figuras compreensíveis. Muralista Kobra e pintor Romero Britto são
exemplos da tendência New Hippie.
Uma
nova tribo está a surgir. Uma alternativa de terceira via àqueles que não querem
essa lógica de troca de socos e pontapés como solução política. É a opção
daqueles que querem viver. Os combativos, sejam eles nacionalistas ou marxistas,
querem a violência e o New Hippie quer paz. Eles querem a morte; os Hippies
querem a vida. Os combatentes dizem que democracia é agressão; os hippies garantem que a democracia é paz e amor. Está na hora de mudar; e o New Hippie é a nova concepção.
Imagine - John Lennon:
Você pode dizer que sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Tenho esperança de que um dia você se unirá a nós
E o mundo será um só

New Hippie de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://efeitoorloff.blogspot.com.

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