Novo Neófito: Obscurantismo Negacionsta e Contraditório

Por: Júlio César Anjos

Veja só que interessante. O eleitor votou na última eleição em políticos que estão no partido NOVO, em associados do ReNOVA BR, e até escolheram aquilo que entenderam como sendo chamado de NOVA POLÍTICA ao elevar um “novo” presidente - que é corporativista, carreirista e está 30 anos mamando nas tetas do Estado. Porém, em nenhum momento o sufragista foi ao dicionário saber o que realmente significa NOVO. E por fazer uma adaptação de compreensão de espectro político de massa, o votante acreditou que NOVO fosse sinônimo de bem e/ou bom. Mas, na verdade, NOVO significa diferente e/ou desconhecido. Ou seja, por esta premissa válida, NOVO pode ser até mesmo uma coisa obscurantista. E como esse NOVO que ascendeu ao poder faz negação de tudo, então infelizmente é algo nocivo de fato, é algo ruim. O NOVO que foi parido na última eleição está a mostrar-se hoje péssimo para a democracia de forma geral.

 Esta nova política em ascensão no Brasil, ao apresentar-se de fato pela práxis, não é definida como bem e/ou bom nem de diferente e/ou desconhecido, é apenas sinônima de obscurantismo da negação. Negação de instituições, negação daquilo que é chamado jocosamente de políticos-velhos, da criticada velha-política, e até negação de partidos e símbolos políticos – coisas do conservadorismo ridículo.

A lógica do negacionismo soa como se houvesse uma regra de que basta não pensar, nem mencionar, ou ignorar algo que esse algo some. Parece-se com o poema Canção de Amor da Jovem Louca, da Sylvia Platt: “Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro / Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer [Acho que te criei no interior da minha mente]”. Ou seja, se fechar os olhos para os problemas, os problemas somem. E, com isso, ao pensar assim, esse novo comporta-se como os versos da poetiza, e por isso é sinônimo de política burra e infantil. As coisas não somem assim. É preciso encarar e resolver os problemas de frente.

Diante disso, se não bastasse a desgraça toda acometida na política nacional, este NOVO pueril que foi gestado na eleição de 2018 possui duas vertentes de “NOVIDADE”: O novo-revolucionário e o novo-ideológico.

O novo-revolucionário possui o que há de mais velho na política mundial: o conservadorismo reaça. É o NOVO que quer resgatar passado que não existiu, que vota em político carreirista e quer acabar com as instituições para instituir um NOVO chamado tirania. O novo-revolucionário tem um longevo setentão pensador terraplanista como o Olavo de Carvalho. O novo-reacionário quer instalar na figura de Bolsonaro um tzarismo tupiniquim. É um NOVO que nega a política como um TODO. Para tal grupo, democracia é coisa antiga, démodé, por isso que o NOVO é a coisa boa da ditadura militar configurada por um ditador: que só pode ser o Bolsonaro. Esta turma é caricata, embora perigosa, quer inocular o fim da democracia como o NOVO que todo mundo irá ingerir, nem que tenha que empurrar a indigestão fascista goela baixo.

Já o novo-ideológico não nega totalmente as instituições e até joga o jogo da eleição democrática sem problema algum. Esta ala possui os associados nos grupos clandestinos chamados: RenovaBr, Agora!, Livres, Raps, e por aí vai. Esses movimentos são treinados a usar terninho, gravata, e se portar na frente da câmera ao tornarem-se um candidato que virará político-padrão. Só que esse NOVO também tem contradição. O exemplo mais salutar é o político com pouca idade e experiência político-eleitoral. Veja o exemplo da Tabata Amaral, personagem notória desta falsa política-nova da nova-política: Tabata Amaral, neófita neste meio social, será uma política carreirista e com o tempo ficará enrugadinha, tornando-se, no futuro, o que mais temia: ser uma política-velha da velha-política. É inexorável isso. Porque o NOVO sendo somente algo relativo à idade, teria que fazer o político ser descartável ao passar de certo tempo [passou de 30 anos? Aposentou]. E o que o Renova BR propõe na política é tão somente fazer políticos dos seus grupos carreiristas para tomar o lugar dos políticos experientes para virarem os “novos-velhos” no futuro que se realizará. Esses grupos clandestinos enganam o eleitor sem parar.

Só há uma coisa que tanto o novo-revolucionário quanto o novo-ideológico acreditam, e acham que estão fazendo com isso uma maravilha política, que é negar símbolos políticos e negar a importância dos partidos para a democracia em geral. Os novos-revolucionários descartam os partidos de antemão. Já os novos-ideológicos parasitam os partidos tradicionais, sugando as energias das legendas para proveito dos seus grupos clandestinos ao alçar um projeto de poder obscuro. Essa lógica de fazer política negando a política é, na verdade, o cerne da questão da doutrina conservadora de Roger Scruton. E, embora um conceito fofinho, não funciona na práxis política do mundo real.

Então, os adeptos do “novo” fazem como a Sylvia Platt, ao cerrar os olhos e acabar com aquilo que estava a observar, para depois abrir os olhos e construir uma nova realidade só com o poder da mente, pensando que, com isso, os partidos sumiriam só porque os conservadores, tanto os novos-revolucionários quanto os novos-ideológicos, assim desejam.

Com essa ideia IMBECIL de negar políticos experientes e partidos tradicionais com símbolos para fazer frente a partidos com ideologias estruturadas como as vistas nos partidos marxistas, essa NOVA política só está fazendo uma coisa: dar força para o Símbolo do PT e do Lula de maneira geral. E se alguém duvida disso, basta fazer reflexão: após esse tal de “novo” negar a política de forma total, o PT com os seus símbolos e políticos “míticos” marxistas, mesmo fazendo a pior corrupção da história, capitulou? O PT acabou? É óbvio que não. E não acabou porque há no meio da sociedade massas de pessoas que são adeptas a aderir SÍMBOLOS e homens que são considerados “MITOS” [o que já foi provado que não são].

Deste modo, só há 2 partidos que possuem símbolo forte e quadro político com capacidade eleitoral. Um é o já mencionado PT. E o outro é o vilipendiado, que sofreu por causa de perseguição política, e foi descartado por interesseiros que queriam se lambuzar pelo poder ao clamar esse ludibrioso “novo”: o PSDB. E é engraçado porque mesmo hoje tendo 32 partidos políticos no Brasil, sempre a força política orbita nessas duas siglas [PT e PSDB], por mais que tais partidos sejam atacados politicamente, o que demonstra que o poder do símbolo é realmente forte no âmago dos sentimentos das pessoas.
 
Portanto, novo não é sinônimo de bem e/ou bom, mas de desconhecido e/ou diferente. O novo se dividiu entre novos-reacionários que querem até ditadura e que ouvem o guru Olavo de Carvalho, e novos-ideológicos que votam em políticos novos como a Tabata Amaral, jovem política que ficará muito tempo no poder ao virar o que mais temia: ser política-velha da velha-política. O novo somente criou vácuo político ao querer acabar com símbolos; mas isso só reforçou o PT por manter em curso o signo partidário-ideológico e a manutenção de um “mito” sem ter outro símbolo forte para sobrepô-lo. E pelo aprendizado empírico, o único partido como símbolo capaz de fazer frente ao PT, no Brasil, é o PSDB, sigla esta que foi perseguida pelos conservadores que negam tudo e chamam a isso de “novo”. Só que o novo, ao ser obscurantista, fracassou de antemão e não tem solução política para resolver as questões até mesmo mais simples que aparecem no país.

Então, está na hora de restaurar o PSDB.

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Querido Diário:
Mais um dia se passou e eu não vi o Renova Br e o Novo do Amoedo se pronunciarem sobre nada na política atual, cenário em que está cheio de embates efervescentes no momento. Mas em 2022 eles se apresentarão como a solução para o país.

Querido Diário:
Mais um dia se passou e só o que eu vejo é a turma da extrema-direita do Olavo de Carvalho bater nos adversários políticos, mostrando a verdadeira face fascista. Mas eles juram que esse tipo de política é alto grau de democracia. Eles acreditam ser conservadores. Mas na verdade só são petistas de sinal trocado.

     
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Os grupos clandestinos são absurdos por si só.

A democracia brasileira é um colapso total. Se já não bastasse a existência de partidos de massa, com eleitores votando em “mitos”, diante de um cenário de 32 legendas em atividade e com falta de fidelidade de coligação partidária – além de não haver fidelidade nem do político ao seu próprio partido -, ainda se cria associações clandestinas que parasitam partidos para fazer essa “nova política” sem pé nem cabeça.  

Cria-se o não-partido sem estrutura partidária que, como símbolo pelo seu próprio nome – Renova BR – gera signo partidário. É um partido que nega a existência de partidos.

Daqui pra frente, qualquer coisa que tenha o nome associado a novo será considerado descartável.


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