G20: 20 Guianas
Por: Júlio César Anjos
Um
dos debates mais estranhos na política nacional se dá no sentido da importância
de um presidente da república, atribuído pela imagem do próprio país, ser bem
visto e quisto em reputação internacional. Até porque o Brasil é um país democrático
e o presidente eleito tem que agraciar o próprio povo, até mesmo em detrimento
do que o mundo deseja como o ideal. Em miúdos: o povo não vota no estadista
para ser Mister Universo das Nações Unidas, mas para atender aos anseios
nacionais. No entanto, o mundo pode retaliar o Brasil no futuro a depender das
ações de Bolsonaro, com argumento moral válido, para até mesmo tomar a Amazônia
do território nacional e, com isso, criar as “20 Guianas”, o que seria um
cenário perfeito para as potências mundiais – e um desastre para a nação. E pelas
manobras globais, há de pensar sobre isto.
Cristovam
Buarque, no ano 2000, criou um artigo no O Globo chamado: “a
internacionalização do mundo”, em que fazia um sofisma que confundia a defesa
da floresta que é bem natural – a Amazônia – com bens materiais como o Louvre e
os mercados financeiros. O parlamentar não fez, por exemplo, comparação de
internacionalização da cordilheira do Himalaia ou Parque Zhangjiajie. Mas divaga-se
sobre isso. O importante é saber que sempre quando a bagunça política no país começa
a surgir, a internacionalização da Amazônia vem à baila sobre a condição da
incerteza do Brasil poder proteger de fato a maior floresta tropical do mundo.
E o exemplo recente veio do Macron, em 2019, ao falar sobre isso e o
vice-presidente Mourão ficar receoso do Estado do Amapá ser tomado pelos
franceses. Fruto do cenário político atual conturbado.
Quando
Cristovam Buarque fez o sofisma sobre a internacionalização do mundo, o Brasil,
pelo presidente FHC, estava implantando o SIVAM – Sistema de Vigilância da
Amazônia. A classe falante e “pensante” do Partido dos Trabalhadores, oposição
na época, criticou esse projeto por entender ser uma “privatização” da região
para os EUA. E o Lula, como bom patriota que é – ah, esses patriotas!, após o
petista virar presidente, permitiu que 16 mil ONGS circulassem em livre
trânsito na Amazônia, fazendo da região uma terra de ninguém. Deve ser por isso
que o pai do petrolão é “honoris causa” por onde passa. Trocou a soberania nacional
por um diplominha de papel. E detalhe: mesmo com vigilância por parte das
forças armadas e ONGS se movimentando na floresta sem parar, as queimadas nunca
cessaram na região, mostrando que nesse angu tem caroço. Contudo, isso ao menos
apaziguou ânimos do mundo e manteve a lógica de que: “a Amazônia é nossa”, por
causa desta terceirização da mata feita pelos petistas para satisfazer as ONGS
internacionais.
Então,
Bolsonaro ganha a eleição de 2018. E a primeira arrancada que deu foi algo
certíssimo a fazer: expulsou essas 16 mil ONGS que acham que o Brasil é a casa
da mãe Joana. Por outro lado, como nem tudo é perfeito, o problema na região se
dá hoje por meio de GRILAGEM de terras e aumento de desmatamento. Bolsonaro,
certa feita, afirmou, com razão, que: “o interesse na Amazônia não é no índio,
nem na porr* da árvore, é no minério”. Porém, os grileiros aproveitam a brecha
da falta de fiscalização ambiental promovida pelo próprio governo, para
aumentar a sanha de desmatar e reassentar grileiros apoiadores do atual
presidente para cultivo de agricultura e extração de minério na região norte do
país, na Amazônia. Ou seja, os próprios apoiadores do Bolsonaro, ao ter a
facilidade por deixar o lugar abandonado à revelia porque não há fiscalização,
está a aumentar a área de grilagem para aumentar a área agricultável e de
minério na Amazônia. O mundo não liga para o índio e a porr*a da árvore; Jair
Bolsonaro também não.
Deste
modo, como bem lembrou Jair Bolsonaro, o mundo quer o minério, mas estas forças
internacionais apelam para a moralidade da preservação do meio ambiente e do
índio para fazer o lobby de que o Brasil não cuida bem da floresta tropical. Isso, por exemplo, já é visto pelo empirismo estadunidense. Os EUA atacam a soberania
dos países possuidores de petróleo, mas com a justificativa de quererem
democratizar tais regiões. Desculpas com muleta moral para conseguir conquistar
o que se quer materialmente de fato.
Como
o Brasil está com “dificuldades” em preservar a Amazônia, sendo que o atual
governo faz de tudo para aumentar o poder executivo pela tirania neste momento
de pandemia de Coronavírus – mostrando-se um monstro perante o mundo -, em que
se chega ao ponto de desconfiar que o Bolsonaro queira realmente dar um golpe
no Brasil para virar caudilhista neste país tupiniquim, os países do G20, pela
deixa, poderiam intervir internacionalmente contra o Brasil, pela justificativa
de que estariam a conter a tirania para preservar a democracia no país, ao
passo que tomariam a Amazônia porque o Brasil mostrou-se incapaz de cuidar
deste bem mundial. O bem global estaria a salvar o índio e a porr*a da árvore
de tiranos malvados caudilhos.
Para
critério de exemplo, o Tratado da Antártida, assinado em 1957, delimitou a
região para cada signatário, tornando a geleira do hemisfério sul, que outrora
era região de ninguém, um continente cheio de “proprietários”. Então fica assim: no Ártico, os países
próximos à geleira são proprietários do espaço. Já na Antártida, hemisfério
sul, o depositário da região são os EUA, com participação de fatia do local
para países como: Austrália, Bélgica, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia e
Reino Unido, nações estas que podem livremente entrar e sair do local para
fazer pesquisa [ou seja, são proprietários]. E o que a Amazônia tem a ver com
isso? As potências mundiais querem que a Amazônia seja mais parecida com a
Antártida, fracionada para outros países, do que o Ártico, em que o Brasil
seria o único o proprietário por estar próximo da região. Sacou?
Por
ora, o mundo [traduza como G20 (grupo dos 20 países mais ricos do globo)],
impõe certos tons de críticas tão somente, pela tática de soft power [poder
pelo convencimento], quanto aos problemas de desmatamento da Amazônia. Mas caso
o Brasil não se emende, o mundo [G20] poderá apelar para o hard power [poder
coercitivo] e com isso tomar a Amazônia à força, com a justificativa de livrar
o Brasil e o mundo da tirania, ao tirar o Bolsonaro pelo conflito, mas no final
o país perdendo a Amazônia que seria fracionada em vinte, criando 20 Guianas,
para satisfazer o G20: grupo dos 20 países mais ricos do mundo.
E
aí o leitor descobre que a democracia é o soft power brasileiro de valor moral que
defende o país da ameaça mundial. Porque, para acabar com as críticas, e limpar
a imagem do pais perante o mundo, basta tirar o Bolsonaro do poder e retomar as
conversas com os players do mundo pelo prisma da preservação da área.
Portanto,
é preciso dosar os interesses nacionais que são impopulares para o mundo com a
estratégia de gerar boa imagem ao presidente para fora do país. Isto tem que
ser feito para evitar que a moralidade vire muleta de hostilidade internacional
contra o próprio Brasil.
***
Sobre
o Ártico: algum menino com gravatinha borboleta dirá que o Ártico é só água,
portanto, não tem como dividir em regiões. Só que o ártico é mar congelado. E
passou de 200 milhas, pela convenção, é espaço de ninguém. Ou seja, uma boa
fração do “continente” deveria ser de: ninguém.
O
Ártico não é continente porque não tem terra firme, portanto é mar congelado. E
sendo mar, passou de 200 milhas do continente mais próximo, é terra de ninguém.
É convenção internacional, que alguns países do norte não respeitam.

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