Sobre a Correlação Inexistente entre Totalitarismo e Investimento Nacional e Estrangeiro no País

Por: Júlio César Anjos
 
Reinaldo Azevedo diz que se a política brasileira ousar tentar fazer um fechamento político, o mercado financeiro “quebra as pernas” do governo. E em entrevista para a mídia, no dia 19/12/19, Rodrigo Maia disse que o investimento estrangeiro está fugindo do país por causa de discurso de AI-5. Diante tais comentários, esta correlação – ditadura x investimento - é verdadeira? A resposta é: infelizmente, não.

O investimento estrangeiro não liga em aportar os seus recursos em ditaduras africanas sangrentas, nem em monarquias extremamente fechadas compostas por califados e muito menos em regime comunista totalitário como da China.

Em todo o planeta há bolsa de valores em que há também especulação. Isso mostra que há uma distinção entre valores políticos morais e a práxis capitalista. E por isso que uma coisa não se confunde com a outra. Os investidores não ligam para valores democráticos de uma nação, só o que eles querem saber é se há neste país investido SEGURANÇA para não perder o aporte de capital. Ou seja: se aquilo negociado pelo aperto de mão será entregue ao capitalista padrão.

É por isso que os investidores querem segurança jurídica [por isso que a lava-jato é problemática para o capital], querem segurança ambiental no sentido de ambiente de negociação [em que as forças armadas ou tomam o poder de vez ou saem do jogo político, pois, o que mata é a indecisão], e segurança social [que o grupo sectário, seja vermelho ou verde-amarelo parem com as reivindicações sem lógica ou razão] para que as manifestações cessem por causa de toda hora haver insatisfação "popular" na rua.

Pela lógica, então, o AI-5 estabelecido, fazendo fechamento do Sistema, em que a garantia econômica fosse o déspota que fizesse este golpe contra a democracia, tal cenário seria o melhor possível para investidor estrangeiro porque o garantidor seria o ditador.

Deste modo, bastaria somente apertar a mão do ditador para que a burocracia seja desembaraçada, os financiamentos sejam liberados, as licenças [ambientais e leis gerais] sejam aprovadas, vista grossa para acidente e morte em trabalho, tudo isso acontecendo rapidamente, e em toque de caixa, para que o mercado capitalista fundido com a tirania possa prosperar. Basta lembrar-se de como foi feita a usina de Itaipu. E isso, como se sabe, faz também a bolsa de valores prosperar.
  
Ou seja, tudo isso faria com que se acabasse com essa “encheção de saco” de justiça, forças armadas, mídias, forças religiosas e grupos de pressão toda hora fazendo incomodo porque cada grupo acha que possui algum tipo de poder na democracia. Com o déspota estabelecido, todas estas instituições iriam “para a caixinha” e o investidor estrangeiro poderia aportar recursos no país sem se preocupar com tais instituições. Porque as instituições seria o ditador.

Ou seja, os investidores estrangeiros aceitam a democracia desde que as Instituições do Sistema [Justiça, mídia, forças armadas, religião e grupos de pressão] recolham-se às suas insignificâncias.

Por isso que enquanto houver bagunça haverá insegurança para o estrangeiro investir. E, infelizmente, um dos “defeitos” da democracia é gerar tais bagunças – porque tudo tem que passar pelo crivo de debate e de consenso social.

Com isso, o investidor estrangeiro não está investindo no Brasil não por causa somente de discurso do AI-5 ou qualquer outra coisa que o valha, mas por causa da bagunça da democracia que faz com que haja inseguranças em vários setores [jurídico, ambiental, social].  O investidor estrangeiro não é um “puritano democrático” que tem uma moral e cívica que não condiz com os seus valores universais; é, na verdade, um grupo de gente que não liga pra nada, somente quer garantia de seguranças para poder sugar as riquezas de um país em paz.

E o exemplo mais salutar vem do próprio passado do Brasil, durante a ditadura militar, entre as décadas 70 e 80, em que Naji Nahas especulava livre e tranquilamente, no qual o sistema ditatorial da época construiu o monstro que em 1989 atacou o sistema financeiro ao ponto de quebrar a Bolsa de Valores  do Rio de Janeiro – a extinta BVRJ. Naji Nahas, ao invés de ser pobre e estar preso, está rico e livre, operando hoje na democracia, só que agora especula na Bovespa. O capitalismo é realmente e moralmente maravilhoso.

Portanto, não faça como Reinaldo Azevedo e Rodrigo Maia que colocam qualidade moral onde não existe. O capital vadio, o Ponzi Legalizado, é uma horda de chupins que só querem sugar as riquezas de um país – seja essa nação democrática ou tirânica. Estes grupos de investimentos entram sempre na boa e saem sempre gerando crises profundas em um país ao criar bolhas e quebras financeiras.

Não confunda regime político com sistema econômico.

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Tanto os empresários quanto os investidores de bolsa de valores não ligam pra você. Eles até pedem que você continue a trabalhar como se o Coronavírus não existisse, propondo que os brasileiros se infectem com a doença e morram para que a economia não pare de funcionar.

A moralidade do capitalista – seja o empresário e/ou o investidor de bolsa - é encher o rabo de dinheiro. Sacou?



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