Modo de Vida e Regina Duarte: Tradição, Cultura, Costume, Arte

Por: Júlio César Anjos

Regina Duarte, ao apresentar-se como ministra do Bolsonaro, disse a seguinte frase: ”Cultura é aquele pum produzido com talco espirrando do traseiro do palhaço...”. Não, Regina Duarte, Cultura não é o pum do palhaço. Isso é ARTE! Como o sufixo do seu sobrenome. Porque arte é toda e qualquer criação feita pelo homem. E Cultura é um pilar do modo de vida de uma sociedade, uma base fundamental de qualquer povo em geral.

Da sociedade mais primitiva até a mais avançada, todos os povoados, sejam eles pequenas vilas ou grandes metrópoles, possuem o tripé essencial de: Tradição, Cultura e Costume.

Tudo aquilo que é passado de geração para geração [TRADIÇÃO], cria um conjunto de crenças e valores em uma sociedade [CULTURA], inoculando um hábito nesta comunidade [COSTUME]. E a junção destes três pilares forma o modo de vida de qualquer região.

Deste modo, se o modo de vida desta comunidade é difícil de ser modificada, esta localidade é considerada conservadora. Quanto mais engessada a tradição, a cultura e o costume, mais conservador este povo é. E do lado oposto, quanto mais um povoado modifica o seu modo de vida, mais esta comunidade é progressista porque altera a substância individual e coletiva de ter e ser o tempo todo e sem parar.

E o Brasil, da sua pluralidade e diversidade social, tem tanto o “índio pelado” isolado do mundo vivendo na floresta amazônica quanto também as grandes metrópoles em que vive até travestis de movimento LGBT em grandes centros urbanos. Esses dois grupos são dois mundos completamente distintos que estão ligados pela mesma linha imaginária do Estado-nação chamado Brasil.

No caso do índio pelado, a comunidade indígena passa de geração para geração pela tradição os conhecimentos pela fala e pelo aprendizado sinestésico para identificar ervas medicinais, além de lógicas de pesca e caça. No campo da cultura, o folclore como a criação imaginativa do Curupira, do Boitatá e etc., é mantido também pela fala e por introdução de arte rudimentar. E o costume é ter como hábito fazer a vida girar em cima de uma floresta que tudo dá e que fica intocada por ser preservada. Isso é o conservadorismo puro.

Já no caso das metrópoles que possuem várias “tribos urbanas”, essa grande comunidade miscigenada passa de geração para geração pela tradição o aprendizado pela escola [um terceiro, criado pelo estado, que faz essa introdução]. A cultura, por ser abrangente porque essa cidade modifica a tecnologia [arte] e a tecnologia modifica o homem, faz o conjunto de crenças e valores estarem sempre em aberto, pois, a arte quebra este ciclo a toda hora e todo instante. Deste modo, o costume é modificado também porque a região está adepta a experimentação e mudança geral e/ou total do seu modo de vida.

Com essa lógica de tradição, cultura, e costume, é salutar que a arte modifica a cultura e não o contrário. Basta lembra-se do encontro do índio com o homem branco, contado em conto, em que o império do ocidente trocou espelhinho por ouro com o povo indígena das Américas, o que fez o apelido do melhor amigo do Zorro, um índio padrão, ser chamado de Tonto.

A arte tem o poder de engessar o modo de vida ou potencializar até a sua degradação. Depende de quem esteja controlado essa área de produção social. Ao comando da extrema-direita, a arte sofre involução porque tal grupo quer manter tudo como está ou até mesmo tentar resgatar um passado que nunca existiu. E pelo domínio da extrema-esquerda, a arte cai em degradação ao ponto de se perder em total degeneração. O exemplo recente é o espetáculo “macaquinhos”, dinheiro público investido para que um ator toque no ânus do outro [bizarro].

Mas, embora o país tenha rechaçado a extrema-esquerda por causa da deterioração total da arte, o Brasil hoje está, infelizmente, nas mãos de pessoas que não sabem diferenciar cultura de arte. São regressistas e dão como alternativa até mesmo uma estética artística nazista, como no episódio escandaloso do Roberto Alvim. São pessoas perigosas porque farão o país, pela inação artística, sofrer involução pelo atraso, ao fazer com que a arte não tenha produção prolífica ao destinar o brasileiro a deixar-se pensar fora da caixa, ao inibir o próprio povo de ter novas ideias e, com isso, não conseguir acompanhar o desenvolvimento e avanço dos outros países. O Brasil ficará para trás.

Portanto,muita arte é ruim; nenhuma arte, também. Conseguiu entender, Regina Duarte?


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O Brasil tem desde o índio pelado na Floresta amazônica até o travesti [homem transformista] nos grandes centros. O BRASIL É TUDO ISSO E NADA DISSO AO MESMO TEMPO.

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Uma bela índia brasileira com a boca sendo tapada pelo homem branco: cuja a mão consta escrito a frase: "O Brasil nasceu do estupro", com a expressão positivista da bandeira estado-nação: "ordem e progresso" ao fundo.  



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