Democracia: Os Fragmentados e A Totalidade

Por: Júlio César Anjos
 
A pior escolha possível quando se está a criar um partido ou um grupo político é chamá-lo pela sua fragmentação. Isso faz essa legenda não ter maleabilidade para se adaptar às mudanças da sociedade ocasionadas pela contemporaneidade. Porque, na democracia, o eleitor normal não é somente Nacionalista, Trabalhista, Progressista, Liberal, Religioso ou qualquer outra coisa que o valha restrito neste mundidnho de cubículo. O sufragista é tudo isso e nada disso ao mesmo tempo. É totalidade.

Partidos como: Patriota, Partido dos Trabalhadores (PT), Progressistas, Partido Cristão, são partidos fragmentados na sua essência, ao fazer cisão social pelo seu nome padrão. O pleonasmo, neste caso, satisfaz a condição. O Patriota é nacionalista. O PT é trabalhista. O Progressista é progressista. O Partido Cristão é religioso. São partidos específicos que atendem somente um segmento de pulsão. Não satisfazem o TODO, portanto, não podem ser democráticos por definição.

Esses partidos são fragmentos da sociedade, divididos em pulsões e bandeiras extremadas. Não são completos. E por isso que quando as doutrinas específicas desses grupos caem, o baque pode ser tão grande que pode ser irreversível a volta de grandeza que tais segmentos tinham em outro tempo, no passado, outrora.

O exemplo é a queda dos progressistas e dos trabalhistas na última eleição na questão doutrinária. A doutrina freudiana [poliamor com time de futebol como sendo a “nova família”] e a doutrina marxista [revolução sangrenta comunista como solução política] caíram em desuso porque não guiam mais a elite intelectual e os fóruns de conhecimento em direção a essas duas vertentes do saber. Agora, a atenção está voltada mais em condições religiosas [volta de ensino do criacionismo nas escolas] e nacionalistas [proteger a Amazônia dos globalistas]. O papo é de louco dentre os fragmentados, mas é isso que acontece quando se faz cisão política, tanto pelo lado da esquerda quanto da direita, pelo campo da educação.

Já partidos democráticos por essência possuem todas as doutrinas dentro da sua legenda e por isso não seguem doutrina nenhuma. Veja o exemplo do PSDB. O Partido da Social Democracia Brasileira pode se adaptar tranquilamente a qualquer meio sem sofrer constrangimento ou ter algum problema de caráter lógico diante os seus anseios eleitorais.

O PSDB pode ser nacionalista, trabalhista, progressista e religioso conforme dada a situação política do país. E pode ser nada disso também. Porque o Tucano é defensor da DEMOCRACIA. Com isso, os fragmentados [trabalhistas, nacionalistas, progressistas, religiosos] fazem da democracia um meio para tomar o poder e inserir o seu extremismo como fim. O PSDB defende a democracia como o propósito-fim.

Deste modo, partido que se diz democrático que não escuta as várias camadas e diversidades da sociedade não é democrático, finge somente ser. Partido ou grupo político que se diz democrático tem que defender a ideia de John Stuart Mil, no seu Livro: Sobre a Liberdade, pela lógica de que a censura é algo ruim por si só. Porque até mesmo uma opinião ruim é útil para referendar a opinião boa somente pelo amplo debate social.

 Como critério de exemplo, os trabalhistas [PT] sempre chamaram o PSDB de fascista; e os nacionalistas chamam os tucanos de comunistas para interditar o debate de antemão. Como é impossível ser fascista [direita] e comunista [esquerda] ao mesmo tempo, então tem algo errado aí. E o algo errado significa que os fragmentados – trabalhistas e nacionalistas – não suportam a democracia existencial dos tucanos, já que o PSDB faz amplo debate sobre qualquer coisa que seja para que uma situação seja aceita mediante consenso coletivo geral.

Deste modo, os fragmentados [como os nacionalistas do Bolsonaro ou trabalhistas do Lula-PT] precisam sempre estar em combate, em enfrentamento, tendo que xingar adversários, agredir verbal e fisicamente os seus discordantes, criar intrigas e conspirações, deturpar a ordem, disseminar fake news, usar bots na internet, ir para a rua com pautas estapafúrdias, enfraquecer a sociedade em geral porque a esses grupos sempre haverá o problema do símbolo faltante das suas próprias existências: a falta da Totalidade. Porque estes grupos fragmentados são divididos por uma bandeira específica, a doença da cisão.

Os fragmentados, ao achar que a política é um mero tribalismo do: “nós contra eles”, esquecem-se de fazer o que está na essência da democracia: praticar a comunicação. Política é conversa, é entendimento, é escutar a oposição, é consenso. Porque na democracia partido é sinônimo de fração, em que as partes remontam o todo; e não no sentido de fissura, cujo todo é perdido e esfacelado ao se destruir em partes.

 Portanto, ao montar a democracia pelo diálogo do consenso a Totalidade só pode estar na Democracia. E por estar na democracia, só pode ser do PSDB: Partido da Social Democracia Brasileira.

Vamos conversar?


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