Contradições

Por: Júlio César Anjos

Um cidadão bem intencionado pode calmamente tentar explicar com todo tipo de documentação possível, diante de vários métodos racionais sobre dada questão, num processo de tentativa de convencimento pela razão sobre os fatos expostos em debate, que, mesmo assim, um alienado mesmo sendo humilhado na discussão, e sem ter argumentação plausível para defender uma pessoa ou ideal, este ser ainda assim continuará apoiando as suas premissas e causas somente pelo puro sentimento de populismo da sua doutrina e/ou do seu político de estimação. É nesse momento que o líder extremista ganha força, pois, um populista só se mantém no poder justamente por causa das contradições.

Para ficar mais fácil o entendimento, há de listar três casos de contradições que certamente o leitor já passou e nem notou que caiu na armadilha da contraposição lógica: 1) contradição por ordem ideológica, 2) contradição pela crença, 3) e contradição em apoiar político de estimação.

Contradição ideológica: Indonésia e Tráfico de Drogas

O compatriota Rodrigo Goulart foi preso na Indonésia, em 2015, tendo como punição a pena de morte por causa de tráfico de drogas. E neste caso em específico, os brasileiros bateram palma para o governo indonésio na época porque as pessoas acharam, de maneira totalmente errada, que o país do sudeste asiático é conservador e não deixa que o “povo puro” da sua região seja contaminado com vícios. Ou seja, Joko Widodo não queria que o traficante brasileiro maculasse a “pureza do seu povo”. O problema é que o fato é simples: quem demanda droga na Indonésia é o surfista usuário do mundo todo que se confraterniza na região insular e quem controla o tráfico de drogas na Indonésia é o próprio governo do país asiático. Sendo assim, o governo da Indonésia, ao matar o traficante brasileiro com pena de morte, tão somente eliminou um concorrente estrangeiro que estava a gerar alternativa no mercado de drogas sem passar pelas autoridades locais. Não seja bobinho.

E lembre-se: o governo brasileiro, recentemente, teve um incidente diplomático internacional porque o avião presidencial portava 39 kg de drogas. Além disso, a milícia anda muito assanhada, com até mesmo queima de arquivo. Daqui a pouco é possível que traficante sofra pena de morte para que a milícia tome conta do ouro branco de maneira geral no Brasil, tendo como justificativa a mesma lógica da Indonésia: os “traficantes maculam o povo ilibado”.

Contradição pela Crença: Estado Islâmico e Deus Vult

Antes da eleição que faria Trump presidente, os islâmicos começaram a atacar o ocidente sem parar. Uma onda de ataque terrorista fez com que o ocidental tivesse que decidir o voto também por questões migratórias porque os crimes estavam afetando o modo de vida dos norte-americanos. Então, os islâmicos começaram a literalmente matar em nome de Deus no ocidente. Isso também fez o eleitor ter que decidir sobre a situação religiosa. No campo de migração, a lógica normal, fazer um fechamento migratório para coibir tais problemas. Mas no campo religioso, ao invés de haver críticas severas sobre matar em nome de Deus, o povo do ocidente endoidou e tentou até mesmo resgatar Deus Vult para que o ocidente também pudesse matar em nome de Deus. Ou seja, ao invés de tecer críticas ao fundamentalismo religioso de maneira geral, ocorreu o inverso, as pessoas começaram a ficar cada vez mais extremistas no ocidente, querendo um Deus Vult para chamar de seu.

E um fato curioso: já repararam que os islâmicos cessaram os ataques contra o ocidente? Seria um false flag para fazer Trump presidente? Ou os islâmicos temem os EUA? Uma coisa é certa: tem caroço nesse angu.

Contradição sobre Político de Estimação: Lula e Bolsonaro

 Certa feita, Olavo de Carvalho apontou que na mesma semana que Lula recebia comenda no Foro de São Paulo, recebia também condecoração no mercado financeiro, o que, neste caso, evidenciava uma contradição monstruosa, pois, era homenageado tanto pelos socialistas quanto pelos capitalistas. Note-se que o eleitorado do Lula não era sensível a esse tipo de contradição. Ou seja, desde que fosse o Lula a fazer esta antítese, tudo estava bem porque era o seu líder político que estava fazendo isso.  

E a mesmíssima coisa acontece hoje com o Bolsonaro. Bolsonaro na mesma semana que condecora Rodrigo Maia e Alcolumbre, o presidente faz o chamamento popular contra este mesmo congresso que tem essas personagens como líderes do parlamento.  E o leitor fanático e sectário do Bolsonaro não liga para essas contradições, pois, quem está fazendo essa antítese é o Bolsonaro. A única pessoa direitista que viu essa contradição e reclamou desta linha de raciocínio foi a Janaína Paschoal. E só.

 Deste modo, Mark Twain assim já disse: “a história não se repete, ela rima”. Em quesito contradição por ter politico de estimação, Lula é igual Bolsonaro e Bolsonaro é igual Lula. São dois párias que possuem doutrina que gera ímpeto, e ímpeto que dá espaço para fazer contradição.

Portanto, um político tem poder quando tem a capacidade de fazer contradição sem parar e sem perder popularidade e/ou eleitorado.


O ponto positivo, pelo menos, é que o poder da contradição vai se corroendo conforme o tempo vai se passando pelo desgaste natural de falar uma coisa e agir de outra forma.  

Menos mal.





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