O Estado Fascista Não Emite Nota Fiscal
Por: Júlio César Anjos
E aí, algum defensor do facínora assim argumenta: “Não há provas de que Bolsonaro mandou matar Adriano da Nóbrega para fazer queima de arquivo".
O problema é que o Estado Fascista não emite nota fiscal para cometer assassinatos. É óbvio que não há provas. Porque o Estado Fascista não deixa rastros nem pistas.
Quando o país é democrático e suas instituições funcionam de fato, mesmo havendo crimes não resolvidos, pelo menos há uma percepção nítida da população de que os órgãos de Estado não faltaram com esforço nem faltaram de trabalho para concluir um crime ocasionado e não solucionado.
Todavia, quando o Estado é Fascista, há vários problemas institucionais em curso, que vão desde sentimento de pertencimento até mesmo medo da autofagia vinda pelo próprio Sistema. Ou seja, o próprio trabalhador deste órgão institucional fica com medo de perseguição.
O Estado Fascista faz com que não só a população fique em “estado policial” [todo mundo vigia todo mundo], como também deixa tóxico o ambiente das instituições aos agentes não conseguirem investigar de maneira independente qualquer caso que seja, pois, isso poderá levar a um crime de Estado com consequências brutais aos líderes deste Sistema Fascista. Puxar essa ponta de iceberg é arranjar confusão.
Neste momento, seja por medo ou por adoção ideológica [o agente crê que o Estado Fascista é o que há de melhor mesmo], este operador institucional não conseguirá fazer o seu trabalho direito porque está sendo observado por tudo.
Essa claustrofobia geral, ocasionado por um engessamento nesse Sistema tóxico fascista, faz com que as instituições comecem a errar sem parar e de propósito.
Neste momento, o legista não faz o seu trabalho direito porque já teve de antemão um acordo tácito para não avançar na investigação; o escrivão redige errado um documento de propósito e arquiva para embaralhar a documentação. E o cientista forense não pode olhar com mais atenção o local de crime porque as ordens de cima dizem para deixar tudo como está.
O meio institucional fica impraticável para investigar de forma eficiente e independente porque qualquer caso deve passar pelo crivo de análise “superior”.
Deste modo, como o tempo vai passando e há uma linha que divide centralmente quem é perseguido e quem é preservado pelo Sistema, quem pode matar e quem não, diante o poder político de um grupo em ascensão, com certeza a democracia vai ruindo com o passar do tempo porque quem decide o futuro de uma nação são os líderes deste Estado Fascista.
Porque o Estado Fascista começa a controlar tudo. E controlando tudo, não deixa rastros nem pistas porque a própria instituição que investiga faz a limpeza de provas sem parar.
E, deste modo, todo mundo começa e compreender que o Estado Fascista não emite nota fiscal para matar. Ou seja, não será pega por ter deixado provas para que se possa investigar.
Bolsonaro matou Adriano da Nóbrega? Não se tem provas. Mas o que se tem é a convicção de que Bolsonaro fez parte de milícias, ganhou dinheiro com milícias, homenageou milícias, fez parte de convívio com milícias, e um miliciano morreu na região da Bahia que possui grupos de milicianos que foram até mesmo homenageados por Bolsonaro no passado, por fazerem extermínio ao cobrar uma taxa da sociedade para fazer o serviço de milícia: matar.
Tem olho de coelho, pata de coelho, nariz de coelho, rabo de coelho e orelha de coelho. Basta o leitor terminar a conclusão.
É bom a classe média começar a tirar a remela do olho pra voltar a acordar.

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