Lealdade na Política
Lealdade
na política; virtude que todo político almeja, mas que, dependendo das circunstâncias,
nenhum a tem. Lealdade é condição. E por isso é preciso certas condições para
que a fidelidade possa continuar. Uma das situações em que se perde esse
companheirismo moral se dá na traição. E a partir do momento em que há traição,
sejam por acordos [tácitos] ou valores [morais] trincados, há uma quebra de
confiança e, a partir deste momento, já dá para ser desleal sem que a isso seja
considerado como algo errado. É por
causa de tais quebras estabelecidas que a lealdade na política seja considerada
como algo muito relativo e raro.
“Ninguém
solta a mão de ninguém”, bradavam os militantes petistas vendidos a base de pão
com mortadela, ao gritarem todos de mãos dadas que Lula era “guerreiro do povo
brasileiro”. Tirando esses coitados pagos pela escravidão moderna, o fato é que
politicamente falando, pelos meandros sociais – que vão desde empresários até
instituições governamentais -, o PT foi esvaziado em apoio político durante processo
de impeachment da Dilma Rousseff. E embora Lula tivesse até gerado recordes e
mais recordes de lucro aos bancos, ao fazer petrolão para tentar se perpetuar
no poder, a corrupção fez com que os petistas tivessem traído a sociedade,
dando a deixa para que o Sistema abandonasse pela deslealdade o PT.
Já
com o Aécio Neves a pegada foi diferente. O tucano não tinha marmiteiro que
pudesse o apoiar a base de pão com mortadela. Mas tinha apoio da classe média que
não aceitava corrupção na política, por isso fez o “Fora PT” como mantra a
repetir sem parar. Em 2014, Aécio quase
ganhou a eleição, tendo vários apoiadores ilustres - por exemplo, o Senhor o
Jair Bolsonaro - que subiam no carro de campanha para pedir voto para o líder tucano.
Isso gerou recall e atraiu oportunistas de todo o canto para o advento da
eleição de 2018 para o PSDB. Neste momento, “Vem Pra Rua”, MBL, Carla Zambelli,
entre outros, apoiavam abertamente Aécio Neves como futuro presidente da nação.
Mas o Aécio escorregou em 2017 no caso Joesley, deixou de ser sujeito
moralizado, pegou lepra política, e foi esvaziado. Aqueles que eram leais ao líder
tucano o abandonaram sem pestanejar. [magoei]
Deste
modo, esse cardume político composto pela liga moral e cívica da classe média
ética resolveu descartar os tucanos e abraçar o “MITO”. E por causa desta
santidade moral, Bolsonaro recebeu apoio leal dos ativistas que até outrora
estavam juntos com Aécio Neves. O problema é que o Jair tem comprometimentos de
caráter que são até mesmo mais comprometedores que os deslizes do tucano, o que
faz o político mineiro ser até mesmo considerado “pequenas causas” porque não é envolvido com miliciano corrupto. Ou seja, os ativistas que desdenharam o Aécio são os mesmos
que agora tentam passar pano para o miliciano fuleiro. Mas, como toda regra há exceção,
nem todos apoiam mais Jair Bolsonaro. João Doria, por exemplo, é um dos
primeiros políticos a abandonar o barco da lealdade do espectro político Bolsonaro
– logo após a eleição.
João
Doria elegeu-se governador com o tal “BolsoDoria”, ao disputar contra o Márcio França
um embate Direita x Esquerda – ao usar a imagem do Bolsonaro que até outrora era
considerado incorruptível e ilibado. Passou a eleição e todo mundo ficou
sabendo que Jair é mais sujo que pau de galinheiro porque está atrelado a
milícias no Rio de Janeiro. A partir deste momento, a traição do Bolsonaro ao
ter enganado todos que são ilibados, por fingir ser honesto e moralizado [sendo que não é], foi a
deixa para que João Doria fosse desleal com o “MITO” da direita.
Deste
modo, é entendível que não existe lealdade ao político em si. Mas há lealdade
partidária e ideológica. João Doria, por exemplo, pragmaticamente não é "leal" a político algum e
nem mesmo ao seu partido [pode verificar que Doria não atrela o seu nome ao símbolo
PSDB], é somente leal à ideologia “ConservaDoria”. E esse tipo de lealdade,
como sabido, é algo restrito e voltado somente aos seus pares mais próximos que
possuem a mesma linha ideológica que vai além de partidos e políticos.
Agora,
o Jair Bolsonaro “cobra” lealdade do João Doria por causa do BolsoDoria da
última eleição. Ora, se essa lealdade
pudesse ser exigida e restaurada, então Aécio Neves deveria ter de volta todos
os ativistas que estavam com ele antes de 2017, Dilma não deveria cair porque
no passado o PT enriqueceu muita gente, e Bolsonaro continuaria a ser linha-auxiliar
de baixo-clero, sendo oportunista para manter-se como deputado insignificante
como sempre foi a somente beliscar o poder. Enfim, foi justamente a deslealdade
de grupos ativistas que eram tucanos no passado e que hoje são bolsonaristas
que fez Bolsonaro estar no poder. Se for para cobrar vergonha na cara, que
Bolsonaro comece a ter uma cara para poder se envergonhar.
Portanto,
o meio político não deve nada para o Lula-PT, nem para o Aécio Neves, nem para
o Jair Bolsonaro. Não há lealdade para empenhar. Politicamente falando, quando o assunto é se salvar, “ninguém
segura a mão de ninguém”.
Envolvido com miliciano
corrupto exigindo lealdade que não existe. Vê se pode isso. O coitado
enlouqueceu.
"Pergunte se ele sabe o que é BolsoDoria"
Está respondido.

Lealdade na Política de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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