Lealdade na Política

Por: Júlio César Anjos

Lealdade na política; virtude que todo político almeja, mas que, dependendo das circunstâncias, nenhum a tem. Lealdade é condição. E por isso é preciso certas condições para que a fidelidade possa continuar. Uma das situações em que se perde esse companheirismo moral se dá na traição. E a partir do momento em que há traição, sejam por acordos [tácitos] ou valores [morais] trincados, há uma quebra de confiança e, a partir deste momento, já dá para ser desleal sem que a isso seja considerado como algo errado.  É por causa de tais quebras estabelecidas que a lealdade na política seja considerada como algo muito relativo e raro.

“Ninguém solta a mão de ninguém”, bradavam os militantes petistas vendidos a base de pão com mortadela, ao gritarem todos de mãos dadas que Lula era “guerreiro do povo brasileiro”. Tirando esses coitados pagos pela escravidão moderna, o fato é que politicamente falando, pelos meandros sociais – que vão desde empresários até instituições governamentais -, o PT foi esvaziado em apoio político durante processo de impeachment da Dilma Rousseff. E embora Lula tivesse até gerado recordes e mais recordes de lucro aos bancos, ao fazer petrolão para tentar se perpetuar no poder, a corrupção fez com que os petistas tivessem traído a sociedade, dando a deixa para que o Sistema abandonasse pela deslealdade o PT.

Já com o Aécio Neves a pegada foi diferente. O tucano não tinha marmiteiro que pudesse o apoiar a base de pão com mortadela. Mas tinha apoio da classe média que não aceitava corrupção na política, por isso fez o “Fora PT” como mantra a repetir sem parar.  Em 2014, Aécio quase ganhou a eleição, tendo vários apoiadores ilustres - por exemplo, o Senhor o Jair Bolsonaro - que subiam no carro de campanha para pedir voto para o líder tucano. Isso gerou recall e atraiu oportunistas de todo o canto para o advento da eleição de 2018 para o PSDB. Neste momento, “Vem Pra Rua”, MBL, Carla Zambelli, entre outros, apoiavam abertamente Aécio Neves como futuro presidente da nação. Mas o Aécio escorregou em 2017 no caso Joesley, deixou de ser sujeito moralizado, pegou lepra política, e foi esvaziado. Aqueles que eram leais ao líder tucano o abandonaram sem pestanejar. [magoei]

Deste modo, esse cardume político composto pela liga moral e cívica da classe média ética resolveu descartar os tucanos e abraçar o “MITO”. E por causa desta santidade moral, Bolsonaro recebeu apoio leal dos ativistas que até outrora estavam juntos com Aécio Neves. O problema é que o Jair tem comprometimentos de caráter que são até mesmo mais comprometedores que os deslizes do tucano, o que faz o político mineiro ser até mesmo considerado “pequenas causas” porque não é envolvido com miliciano corrupto. Ou seja, os ativistas que desdenharam o Aécio são os mesmos que agora tentam passar pano para o miliciano fuleiro. Mas, como toda regra há exceção, nem todos apoiam mais Jair Bolsonaro. João Doria, por exemplo, é um dos primeiros políticos a abandonar o barco da lealdade do espectro político Bolsonaro – logo após a eleição.

João Doria elegeu-se governador com o tal “BolsoDoria”, ao disputar contra o Márcio França um embate Direita x Esquerda – ao usar a imagem do Bolsonaro que até outrora era considerado incorruptível e ilibado. Passou a eleição e todo mundo ficou sabendo que Jair é mais sujo que pau de galinheiro porque está atrelado a milícias no Rio de Janeiro. A partir deste momento, a traição do Bolsonaro ao ter enganado todos que são ilibados, por fingir ser honesto e moralizado [sendo que não é], foi a deixa para que João Doria fosse desleal com o “MITO” da direita.  

Deste modo, é entendível que não existe lealdade ao político em si. Mas há lealdade partidária e ideológica. João Doria, por exemplo, pragmaticamente não é "leal" a político algum e nem mesmo ao seu partido [pode verificar que Doria não atrela o seu nome ao símbolo PSDB], é somente leal à ideologia “ConservaDoria”. E esse tipo de lealdade, como sabido, é algo restrito e voltado somente aos seus pares mais próximos que possuem a mesma linha ideológica que vai além de partidos e políticos.

Agora, o Jair Bolsonaro “cobra” lealdade do João Doria por causa do BolsoDoria da última eleição.  Ora, se essa lealdade pudesse ser exigida e restaurada, então Aécio Neves deveria ter de volta todos os ativistas que estavam com ele antes de 2017, Dilma não deveria cair porque no passado o PT enriqueceu muita gente, e Bolsonaro continuaria a ser linha-auxiliar de baixo-clero, sendo oportunista para manter-se como deputado insignificante como sempre foi a somente beliscar o poder. Enfim, foi justamente a deslealdade de grupos ativistas que eram tucanos no passado e que hoje são bolsonaristas que fez Bolsonaro estar no poder. Se for para cobrar vergonha na cara, que Bolsonaro comece a ter uma cara para poder se envergonhar.

Portanto, o meio político não deve nada para o Lula-PT, nem para o Aécio Neves, nem para o Jair Bolsonaro. Não há lealdade para empenhar. Politicamente falando, quando o assunto é se salvar, “ninguém segura a mão de ninguém”.


Envolvido com miliciano corrupto exigindo lealdade que não existe. Vê se pode isso. O coitado enlouqueceu.


"Pergunte se ele sabe o que é BolsoDoria" 
Está respondido.



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