COPApp: Contribuição Patronal em Aplicativos
Por: Júlio César Anjos
O
cenário político brasileiro clama por um equilíbrio de forças. As esquerdas
ainda não conseguiram voltar a ter apelo após o impeachment da Dilma Rousseff e
a prisão de Lula. E das derrotas sofridas, a mais impactante se deu realmente
no fim do chamado jocosamente “imposto sindical”, que na verdade se chama “contribuição
sindical”, mecanismo financeiro que fazia a motorização pela pecúnia a ativação
de uma militância aguerrida e organizada pelas esquerdas. Certamente não dá
para voltar com o imposto sindical porque tudo na vida muda e tende a se
modernizar. Por isso que há de se criar uma alternativa a essa contribuição. Deste
modo, chega-se à solução COPApp: Contribuição Patronal em Aplicativos.
Com
a milícia avançando no Estado sem parar, diante a sua capacidade de matar quem
quiser sem sofrer consequências, há a necessidade de fazer um equilíbrio de forças
e trazer a esquerda a ter alguma proeminência no cenário político nacional.
Nenhuma democracia se sustenta por muito tempo quando os mercadores da morte
tomam conta do meio eleitoral. Há de fazer uma distribuição de correntes
ideológicas para suprimir a ideia extremista dominante da milícia que tomou
conta do espectro total no país.
E
para reativar a esquerda em preponderância no cenário, é preciso fornecer a
este grupo recursos para que se possam financiar os meios a fim de
estruturar-se a tal ponto que consiga bater de frente contra esse fascismo em
curso. Um destes mecanismos poderia ser a volta do temido “imposto sindical”.
Mas esta contribuição é carimbada, muito visada pela sociedade em geral, e a
maioria do meio político não aceitaria a sua volta por causa de desgastes no
debate congressual. Posto isto, há a necessidade de solução e não de mais
confrontação.
Para
ser franco e honesto ao mesmo tempo, o problema nunca foi o “imposto sindical”
propriamente dito. O que sempre gerava problema na questão empregatícia era a
questão do sindicato ter muito poder ao conseguir facilmente organizar greve,
colocar o patrão no tronco com exigências além do que o empregador poderia
entregar em negociações, além de acordos coletivos e dissídios que só
burocratizavam e tornava o patrão o vilão da história. Em um cenário de indústria
de século XX, essa estrutura até funcionava. Hoje, com o trabalho empenhado em
aplicativos, isso não funciona mais.
Com
esta nova tendência de ocupação laboral feita em aplicativo, em que estes apps
não criam vínculos empregatícios porque o profissional liberal é encarregado de
si mesmo, o certo é que o imposto sindical no sentido de defender o empregado
caiu em desuso porque nesta nova configuração o trabalhador é o próprio patrão
profissional. E sendo o próprio patrão, há de fazer novos tipos de legislações
para defender interesses deste microempresário sem capital.
Então,
tudo se define na nova era laboral organizada por aplicativos. Esses aplicativos
fornecem serviço de organização coletiva de profissionais liberais em uma mesma
plataforma. Os motoristas querem trabalhar? O Uber faz essa junção.
Comunicadores querem fazer entretenimento? Sem problema, o Youtube organiza
isso. A figura pública quer vender sua imagem? O Instagram satisfaz a necessidade.
Note-se que realmente estes aplicativos não podem ser empregadores porque não
criam vínculos empregatícios. Mas criam vínculos de negócios. E como se refere a negócios com profissionais liberais,
então dá para criar sim um intermediário como um sindicato patronal.
Com
isso, torna-se crível a criação do COPApp: Contribuição Patronal em
Aplicativos. O profissional liberal que trabalha como motorista no Uber, ou faz
entretenimento no Youtube, ou até mesmo é uma figura pública no Instagram, tais
trabalhadores também necessitam de uma base de apoio que faça frente contra o
monopólio destes conglomerados que criam aplicativos para gerar lucratividade
sem parar.
Deste
modo, a configuração fica assim: os aplicativos pagam uma contribuição para os
sindicatos patronais e os sindicatos patronais fazem uma intermediação entre
algumas situações que os patrões profissionais liberais trabalhadores destes
aplicativos queiram colocar na mesa para negociar.
Valores
e contribuições são de caráter de discussões na criação da lei e da
regulamentação de dispositivo no congresso nacional. Mas uma coisa é certa:
quem recolhe essa contribuição é o prestador de serviço, ou seja, é o
aplicativo de serviço que junta esses profissionais liberais. A questão é a
facilidade: porque é o aplicativo quem distribui o bolo da grana para os
profissionais liberais após os serviços concluídos.
A
era moderna, infelizmente, vive uma regressão social no sentido de que a
economia do país cresce mesmo não havendo aumento de criação de empregos formais
de trabalho [às vezes, a economia cresce até mesmo com redução de empregos], o
que é chamado de “jobless growt”.
Motivos são vários, como a robótica que “rouba emprego” e aplicativos que são trabalhos
informais ou ocupações, não se considerando trabalho formal com carteira
assinada.
Como
essa mudança é um fenômeno mundial de estrutura laboral, há também de fazer
adaptação entre o elo de acordo entre interesse de patrão que põe a mão na
massa ao ir trabalhar e o prestador de serviço que organiza tudo em aplicativo.
Como
até o Estado já confessa essa mudança com o tal do MEI [Microempreendedor Individual],
dizendo que isso é o futuro da atividade laboral, então, deste modo, há de
fazer também modernização da relação de negócios entre o empreendedor [trabalhador]
e o organizador de serviço [aplicativo] para ter uma intermediação de um sindicato
patronal que visará os interesses do patrão.
Esta
contribuição não só poderá melhorar as condições entre patrão [trabalhador
empreendedor] e prestador de serviço [o aplicativo], como também pode ser uma
modernização do sindicato patronal que estará a serviço dos trabalhadores dessa
nova era, e, com isso, poderá ter força até mesmo para reduzir este fascismo em
curso, que conseguiu até mesmo acabar com a contribuição sindical.
Século
XXI chegou e aposentou a foice e o martelo. Mas pode dar lugar ao teclado e ao
mouse. É a mudança que veio pra ficar.
A
discussão está posta. Vamos ver o que isso vai dar.

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Baseado no trabalho disponível em https://efeitoorloff.blogspot.com.

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