Democracia
Por: Júlio César Anjos
Democracia,
substantivo feminino. Palavra usada por muita gente e defendida só pela
socialdemocracia. O que se sabe é que a democracia é um regime político em que
o povo tem poder. Mas o que não se sabe é que essa força pode ser manipulada
pelas elites que querem o poder e consigam fazer com que se acabe com a
democracia por meio de apelo popular. Parece paradoxal? Saiba que não é. Porque
a verdadeira democracia é mais que uma palavra e certo tipo de povo na rua, é
na verdade um modo de vida.
O
mundo democrático confunde povo na rua com democracia. E isso, como se sabe,
não é verdadeiro. Porque se for, então a República de Weimar obteve doses
cavalares de democracia quando Papen, Thälmann, e Hitler instigavam a população
pela radicalização para que marchassem a favor dos interesses ideológicos. E
diante disso, foi também democracia quando o comunismo assentou na Coreia do Norte
e de lá nunca mais saiu. Pode ser também democracia o fascismo de Mussolini que
carregava milhões de italianos pelo país para atacar quem pensasse diferente dos
líderes. E o nazismo foi democrático também porque a Alemanha inteira aderiu ao
movimento nacionalista. Porque se a lógica de democracia é tão somente povo na
rua, então toda a tirania do mundo foi democrática.
Quando
a manifestação na rua tem símbolos, bandeiras, ordem e padrão, tal ação não é
democracia, é manipulação de movimento de massa. Tal artifício, sob o bojo de “democracia”,
é na verdade uma ação para o avanço de interesse político-eleitoral. É uma
manobra para que um grupo tenha poder supremo perante os demais. E isso não é
democrático. Jamais!
A
verdadeira democracia é massa amorfa. Não tem padrão de coloração e nem de
vestimenta. O protesto ocorre de maneira espontânea, sem nenhum tipo de
organização. Não há interesse ideológico-partidário por trás. E une o país em
um propósito só: defender a sociedade contra a tirania. E por ter tais
características, ela é difícil de condensar.
A
democracia, vale repetir, só é possível com a massa amorfa. É, por exemplo,
quatro amigos indo a uma manifestação: um vestindo a camisa vermelha representando
os trabalhistas; um verde-amarelo representando o nacionalismo; um vestindo a camisa
branca com escrita de Jesus representando os religiosos; e um com camisa multicolorida
representando os progressistas. Diante disso, com esta lógica de diversificação, tal situação já ocorreu alguma vez no Brasil? Já. Em
junho de 2013. A primeira e última manifestação de rua verdadeiramente
democrática no Brasil. De lá pra cá, só houve manipulação.
Contudo,
o movimento de massa direcionado a um propósito engana ao ser democrático por
causa da metonímia social. Aquela fração de gente que vai às ruas toda
uniformizada dá a estética de que é a maioria. São a fração que se passam pelo
todo. Porque a população inteira foi condicionada que democracia é sinônimo
somente de povo na rua.
E
como há pessoas que cooptam movimentos de massa direcionados [nacionalista, trabalhista,
religioso e progressista], essas formas viram na verdade instrumentos políticos
contra os seus algozes. Se no passado muita gente criticava o PT por usar os
trabalhistas contra os adversários para obter mais poder, o mesmo deve ser
feito com o movimento nacionalista hoje, que vai às ruas não somente contra os
adversários políticos, mas também contra as INSTITUIÇÕES. Deste modo, o avanço
do neonazismo no Brasil está maior e mais agressivo do que as ações comunistas
no passado. E isso pode ser chamado de qualquer coisa, menos de democrático.
Por este motivo que democracia não se confunde somente com povo na
rua; democracia é um modo de vida. É preciso defendê-la e preservá-la daqueles
que, ao fingirem democráticos por usarem movimentos de massa contra seus
adversários, ameacem o poder do povo que quer pluralismo de ideias, convivência
com quem pensa diferente, eleições transparentes e instituições independentes.
Democracia é saber perder e saber ganhar, é entender que o extremismo, por
qualquer lado que seja, não é compatível com a vivência social de uma região
que tem ojeriza por tirania.
E
por este motivo o Brasil hoje, 17 de novembro de 2019, corre perigo de perder a democracia.
Porque
se nas manifestações do impeachment da Dilma houve essa polarização de
movimento de massa entre trabalhistas vermelhos e nacionalistas verde-amarelos,
com o STF [Superior Tribunal Federal] que é instituição a lógica é diferente. Pra fazer a
deposição de um ministro do STF, que não é partidário nem político, é preciso
que somente a massa amorfa peça sua destituição [ou seja, o povo em geral sem partidarismo
ideológico]. Isso significa que tem que ter na rua também movimento religioso,
progressista e trabalhista querendo a sua deposição [como uma reedição de junho
de 2013]. Caso contrário, esse movimento em que usam a bandeira do Brasil de
pano de chão é somente um ataque de movimento de massa extremista contra
instituição. E por isso nenhum ministro do STF terá o impeachment como opção.
Além
disso, um ano após o dito “mito” ter vencido a eleição pela loucura geral, o
seu grupo de pressão nacionalista continua na rua vestindo-se de “brasileiro”
[com camisa de seleção ou bandeira do país] para fazer deposição a ministro da
justiça, fazendo um avanço contra o judiciário. E nesse momento, fica a
pergunta: isso é indício de democracia ou avanço de tirania? Vocês já sabem a resposta;
só não querem confessar.
Portanto,
a República Federativa do Brasil não é a República de Weimar. Aqui o povo é democrático
e entende a importância das instituições democráticas. Democracia não é gente
uniformizada na rua. Democracia é um modo de vida e por isso é preciso exercê-la e preservá-la.
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Só
quero agradecer àqueles que foram uniformizados protestar contra os ministros do STF. Mostraram a verdade. Apesar da manifestação ter sido um fracasso hoje [17/11/19], a ousadia valeu para mostrar o que o extremismo da direita quer na política. Obrigado.
***
O mundo tem que saber que as empreiteiras cibernéticas [google, facebook, twitter] ajudaram a impulsionar crimes nas redes no país. Portanto, caso a democracia no Brasil caia [por causa de extremismo de polarização], este blog acusa desde já estas empresas norte-americanas pela situação.
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O povo brasileiro não quis o Lula, o sindicalista assassino. E também não vai
querer Bolsonaro, o miliciano corrupto. E tanto Bolsonaro quanto Lula vão
querer se limpar. Portanto, lava-jato também é alvo porque o poder extremista está
ouriçado. Os lava-jatistas são os próximos. Babacas manipulados.
Talvez seja o último texto do ano. Descansar. Não é fácil defender a democracia.
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Talvez seja o último texto do ano. Descansar. Não é fácil defender a democracia.

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