Aqui é + Legal!

Por: Júlio César Anjos

Não te contaram? O atual governo não está medindo esforços para aquecer o mercado de turismo brasileiro com as mais diversas ações possíveis e cabíveis em curso para chegar ao objetivo positivo. Apesar de a iniciativa ser bem-vinda, a forma como os agentes públicos estão atacando esta situação está um pouco equivocada. Não bastassem as tragédias ambientais que arranham a imagem do país perante o mundo, o fato é que a atual gestão olha muito mais para uma pasta de ministério do que as demais, o que condiciona uma miopia por não enxergar a complexidade de forma holística. E ao não olhar pela sua totalidade, a administração federal peca em falhar ao querer turbinar este mercado em questão. Porque a melhor estratégia de turismo possível é fazer a lógica do: “Aqui é + legal!”.

Paulo Guedes, certa feita, disse: “vou salvar a indústria apesar dos empresários”. Se for levar esta citação ao campo do turismo, o Ministério da Economia quer salvar o turismo apesar do Ministério do Turismo e das demais pastas. Porque toda ação praticada pela pasta econômica se dá para este esforço: cotação de dólar numa paridade de 4:1 [1 Dólar equivale 4 Reais]; países ricos não precisam mais ter vistos de viagem para visitar o Brasil [que só foi possível após costura de negócios, deixando a pasta de relações exteriores em 2º plano], há o estudo avançado para que o querosene de avião tenha concorrência [tirando o monopólio da Petrobras] a fim de baratear o preço do ticket de viagem do avião [até porque o avião que fizer um voo sem escala terá que se abastecer no Brasil, diante da grande distância entre o País e a Europa/Ásia, por exemplo] e etc.. Todos esses esforços para fazer o Brasil ficar “barato” e assim ser atrativo turistar no Brasil.

 Até aí tudo bem, o esforço é válido para tentar angariar o ludâmbulo.

 Só que há um pequeno probleminha nessa lógica de tentar salvar o turismo brasileiro só pela economia: o Brasil está a mais de 10 horas de distância de qualquer país que esteja fora da América Latina. E uma pessoa que quer turistar não coloca a carestia como fator predominante ao ir passar férias em um país longínquo como o Brasil. Há mais coisas que fazem o turista se jogar para outro país muito longe do lugar em que vive e trabalha. Por isso que é bom analisar a respeito.

Deste modo, uma pessoa que está disposta a perder 10 horas de viagem para ir e 10 horas para voltar, levando em consideração também perda de tempo com translado e acomodação – além de atrasos de voos -, este ser não perderia quase dois dias de férias só para vir ao Brasil porque o país é somente barato para turista.

Esse turista que está a 10 horas de viagem ao Brasil quer outras relações intangíveis como trocas de experiências culturais, deslumbre de belezas naturais e arquitetônicas, estrutura para que não se incomode [se for se incomodar, a pessoa fica em casa], experiências incríveis, e que o povo tenha educação para que o turista chegue à conclusão que: “aqui é + legal!”.

Por isso que a totalidade se faz essencial. Para fazer esforço de elevação de turismo, o Brasil tem também que se atentar para a segurança, que pode ser composta pelo ministério da Justiça [para o turista não ser roubado], Ministério da Infraestrutura [por causa da estrutura micro e macro], Ministério do Turismo [para organizar roteiros de hotéis, restaurantes e etc.], Ministério do Meio Ambiente [para preservar o paraíso natural], entre outros.

E neste momento todo mundo se dá conta que para melhorar o turismo no Brasil há antes de melhorar a qualidade de vida e bem-estar do próprio cidadão. Porque se melhorar as condições do brasileiro, dando toda estrutura e educação necessária para o país progredir de fato, a harmonia seria tão benéfica que atrairia o turista ao natural, sem precisar fazer essa doideira toda com dispensa de vistos e desvalorização da moeda, pois, a atração que o Brasil faria ao turista é que: “aqui é + legal!”.

O Brasil tem um potencial de turismo incrível com os seus paraísos tropicais, mas também têm gargalos que atravancam o país em deslanchar neste setor, problemas as quais que não serão resolvidos no curto prazo, apenas fazendo ajustes pontuais. A maioria dos turistas quer ver belezas [naturais e materiais] e não desgraças como desigualdade social, desemprego, e falta de infraestrutura, problemas que o Brasil precisa resolver.

Portanto, para melhorar o mercado do turismo, o Brasil não deve focar no turismo em si, mas em melhorar o Brasil como um todo. Ao fazer isso, o estrangeiro começa a observar o país com outros olhos, vem para o país apreciar as experiências incríveis, e estando aqui todo feliz solta a bendita frase de expressão popular: “aqui é + legal!”.

Com isso, o marketing boca-a-boca faria a maior e melhor ação possível para aquecer o turismo no Brasil porque aqui seria mais legal.

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