Surto de Pichação

Por: Júlio César Anjos


O evento a seguir aconteceu em abril de 2012 na cidade de Curitiba. Mas tal relato pode ocorrer em qualquer lugar do Brasil.
Surto de Pichação.

***

O ano é 2011 e a cidade de Curitiba até o mês de agosto estava a mil maravilhas. Repentinamente, a partir do mês de setembro daquele ano, começou a sofrer com o início do que viria a ser um surto de pichação. E a “arte” se estendeu por um longo período de tempo, culminando até o dia da eleição municipal, para escolher o prefeito de Curitiba, em 2012.

O surto foi tão grande neste período de tempo, mais precisamente chegando ao ápice em abril de 2012 [faltando 6 meses para a eleição], que até mesmo o folclórico prédio giratório [figura no fim do texto] foi vandalizado de fora a fora, exibindo, de certo modo, um ar de deterioração na cidade. Muros, coretos, fachadas de prédios, além de outras arquiteturas foram rabiscados pelo vandalismo noturno da cidade. Um horror.

Naquele momento, por não ter malícia, tampouco experiência, muita gente não tinha ligado “lé com cré” e nem se atentado para o que realmente estava acontecendo. Hoje, enxerga-se bem o que aconteceu. O mundo não é tão fofinho como se imagina. O surto de pichação foi articulado e agido de caso pensado.

Ao analisar uma situação de caos político-eleitoral, é preciso ficar atento a 3 fatores: 1) Data; 2) Memória; 3) Desgaste.

A primeira coisa que se deve verificar para entender o jogo político é a questão da data. E como se observava, havia, portanto, uma eleição a caminho: as municipais de setembro de 2012. Se a ação não coincidisse com a chegada da eleição, o ato poderia ser considerado um problema isolado. Ocorreu perto da data eleitoral, então pode ser articulação do mal esse surto de pichação. 

Quem atacou a cidade, fez essa ação por causa de uma segunda questão importante relativa à política: Memória. Só que a memória do povo é curta. Então, devem-se fazer ataques em uma cidade um ano, ou menos, antes da eleição. 

E a terceira questão importante se dá por desgaste. Sofrer criticas sobre a cidade abandonada, além de limpar e logo em seguida sujarem o rosto da cidade, tal medida faz com que o candidato que esteja querendo reeleição, ou que faça parte do grupo político que está no poder [continuação], desanime por não conseguir entregar a zeladoria, e, com isso, perca argumento e o moral para fazer a caminhada de candidatura eleitoral. Fica pelo caminho por não conseguir cuidar o mínimo da cidade.

Então, é assim que se faz o surto de pichação bem-sucedido:
1)        Data: 1 ano antes da eleição, ou menos, para criar a memória de curto prazo.
2)        Memória: o morador vê uma cidade “abandonada” na sensação de lembrança de curto prazo, sofrendo esse caos até a data da eleição.
3)        Desgaste: O político que está tentando se reeleger, ou mantiver o controle da cidade pelo seu grupo político, se desanima por causa das críticas de abandono.

 Isso vale para pichação. Mas também pode valer para violência. E também vale para "limpeza de corrupção" [como a lava-jato fez] no ativismo de golpe judicial.

Para entender melhor a situação como um todo, deve-se relembrar a corrida eleitoral de 2012 para compreender o que estava em jogo.

O prefeito em exercício em 2012 era o Luciano Ducci, que era vice do Beto Richa, este cujo tinha vencido eleição para governador em 2010 e, por isso, deixou de ser prefeito da cidade.

Deste modo, Ducci assumiu em 2010 e, portanto, tentava tocar uma campanha de reeleição para o pleito de 2012.

Aquele ano de 2012 em Curitiba seguiu assim: greve de professores municipais, surto de pichações, greve de transporte e greve até de coleta de lixo.

Não precisa ser um gênio para saber que tal “alinhamento de planeta” de crise social feita por associações configura-se como caos. E tal medida assemelha-se muito ao “caos controlado” [algo que não existe] feito pela esquerda que controla desde sindicato até o submundo do crime.

Estes grupos operaram até fazer o Gustavo Fruet prefeito [o pior prefeito da cidade, aliás, dos últimos tempos].

Deste modo, então, fica a pergunta: esses grupos que trabalham nas sombras queriam fazer Gustavo Fruet Prefeito na eleição de 2012? Isso não se pode afirmar. Mas que a esquerda não gosta do PSDB e do Beto Richa e por isso agiram para atacar o grupo tucano que estava no governo, e assim trabalharam para os demoverem, isso não há como negar. Ou seja, qualquer um poderia assumir, menos o grupo do Richa.

A única coisa que dá pra afirmar, por ora, é que o Gustavo Fruet se beneficiou – talvez indiretamente - por ação perpetrada por terceiros contra o PSDB e seus aliados, na fatídica eleição municipal de 2012 [com as situações já citadas anteriormente].

 Além disso, há uma situação interessante. Esses grupos que trabalham nas sombras gostam de amortecer o malfeito pelo contraponto, ao dizer que pichação é arte, “passando pano” para vandalismo, no mesmo momento que articulam para fazer esse surto de pichação.

Sim, é exatamente assim que acontece, o mesmo grupo que ativa ação para fazer surto de pichação pode ser o mesmo grupo que faz lobby a favor de pichação como contraponto.

Porque neste espectro total de dominação, o jornal local faz o serviço da critica de zeladoria do prefeito como enfoque à classe média e à elite burguesa da região; enquanto que, por outro lado, este mesmo grupo faz aliciamento nas camadas mais pobres que são mais adeptas à tese de que pichação é arte.

Fora tudo isso, algo também mais surpreendente que aconteceu neste ato, ao observar o comportamento das instituições.

No caso deste surto de pichação em Curitiba em Abril de 2012, faltando 6 meses para a eleição, o MP [Ministério Público] não deixou a prefeitura fazer a repintura do prédio  [imagem no fim do texto] porque se tratava de patrimônio privado. Além do mais, o Estado tinha que fazer a perícia [que demorou horrores, passando até mesmo do período eleitoral a data de aferição] deste ato criminoso.

Além disso, uma pichação desta magnitude deriva de tempo e ajuda. E a polícia nada viu nesta ação porque simplesmente não fez a ronda no local. Pode ter até acontecido dos moradores terem ligado para a polícia, avisando sobre o vandalismo, mas simplesmente a polícia não quis fazer o seu trabalho. Incompetência ou alinhamento?

E até hoje não teve conclusão nenhuma sobre este surto de pichação ocorrido em Abril de 2012 na cidade de Curitiba.

Recentemente agora no começo de 2019, algo estranho sobre pichação ocorreu. O bondinho da XV, que fora repintado pela prefeitura com tinta antipichação, foi atacado por vândalos que usaram ácido para fazer a deterioração. E justamente naquele local que tem ronda policial, câmera de segurança e muitos transeuntes até de madrugada, de novo, ninguém viu absolutamente nada sobre o vandalismo ocorrido bem na cara da sociedade curitibana.

E a pergunta que fica é: haverá agora na eleição municipal de 2020 outro surto como a ocorrida em abril de 2012? E se sim, outra pergunta: querem outro Gustavo Fruet prefeito? Pergunta retórica. O certo é que o Rafael Greca está fazendo bom trabalho de zeladoria e merece a reeleição.

Portanto, a eleição municipal de 2020 está chegando. O atual prefeito quer a reeleição e por isso a cidade tem que estar em dia sobre a execução de serviço. E o povo em sua maioria considera pichação vandalismo e uma visualização concreta de que a zeladoria da cidade não está em dia. Ou seja, o atual prefeito, sendo considerado relaxado pelos moradores da cidade, poderia não ser reeleito por causa de surto de pichação. Mas quem picha pode estar a serviço da oposição, para gerar justamente esse tipo de sentimento, e, com isso, ganhar a eleição.  

Fiquem atentos.




Fonte: Blog Circulando por Curitiba
Crédito Fotógrafo: Washington Cesar Takeuchi


Licença Creative Commons
Surto de Pichação de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://efeitoorloff.blogspot.com.

Comentários