O Dilema

Por: Júlio César Anjos

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Alencar

A família não tinha condição nem de sustentar o jovem, quanto mais bancá-lo para estudar e conseguir ofertar condição para o aprimoramento no ensino. Fazendo da vida uma corrida de superação, Alencar lutou contra o sono, a fome, escassez de recursos, a falta de materiais didáticos, o reduzido tempo para o lazer, dificuldades que foram superadas e fizeram do Alencar o que ele é: um profissional de respeito.

Alencar é um médico do hospital Nossa Senhora das Graças. A sua especialidade é transplante de órgãos. E por isso trabalha no setor de pesquisa e doação.  Escolheu este ramo por causa da sua ex-mulher Aubrey.

Aubrey, filha de pai brasileiro com mãe norte-americana, teve leucemia bem na época que Alencar estava se formando em medicina e, com o agravamento de saúde, ela perdeu totalmente a qualidade de vida. Alencar decide então especializar-se em órgãos, em transplantes, pois o câncer da sua amada era relacionado com transplante de medula óssea. 

Mas, para a desgraça completa, Aubrey morreu após sofrer um grande e trágico acidente de carro. E parece que se não houvesse negligência na prestação de socorro, Aubrey poderia sair do acidente com vida – um motivo que deixa Alencar ainda mais incomodado.

O hospital no qual Alencar trabalha é uma organização sem fins lucrativos, embora também atue no ramo privado. Por isso precisa de doação tanto do Estado – via SUS – quanto de mantenedores privados – a oligarquia da cidade. É justamente por causa desta fusão de investimento que, em alguns momentos, ricos e pobres se encontram para fazer exames e/ou cirurgias de qualquer natureza no estabelecimento.

Alencar sabe que o ramo da saúde é custoso. Por este motivo entende que o financiamento privado, muito superior ao bancado pelo SUS, é de suma importância para o funcionamento do estabelecimento.

Todavia, quando o assunto é doença, ricos e pobres enfrentam sempre o mesmo dilema do sofrimento. E o único objetivo em comum é curarem-se para seguirem em frente.

É fim de maio. Na rotina, Alencar, na sua sala de atendimento do hospital, trabalhando de plantão, sentado na sua mesa, pega a foto da Aubrey e começa a divagar sobre os momentos e toda a contemplação sobre o tempo em que passaram juntos.

Doutor Alencar mal podia esperar que estivesse prestes a agir. E a vida vai girar.

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Clara

Era para se chamar Estela. Mas no nascimento, ao dar o primeiro choro e mostrar a que veio ao mundo, os pais, com a pele negra, olharam-na e fizeram a constatação: “ela é mais clarinha”. A mãe, repentinamente, constatou: “ela se chamará Clara”. E a partir dali seria chamada de forma carinhosa sempre de Clarinha.

Mas não foi só a melanina que veio em escassez no nascimento de Clarinha. A menina também veio de fábrica com problema nos rins.

E se a vida já é difícil somente ao ser pobre, imagina tendo que lutar contra uma doença tão complexa quanto o mau funcionamento dos órgãos.

Desde criança Clara vive no setor de dialise do hospital.

Sempre com problema de papelada de burocracia para liberar exames e internamentos, além de atrasos para consultas e agendamentos, o sofrimento constante é rotina para a família de Clara, entraves que só quem é pobre e precisa de serviço publico sabe de tais condições.

Mas Clarinha conseguia driblar toda essa burocracia porque tinha a equipe do Alencar, do Hospital Nossa Senhora das Graças, local em que se consultava pelo SUS, como a boia de salvação. Apesar de não ter muito contato com a Clarinha, Alencar sabia das dificuldades dos mais pobres e orientou a sua equipe a tentar sempre desembaraçar burocracia para que os menos afortunados consigam eliminar este desconforto, além do já grande problema de saúde. Um desgaste a menos para a Clarinha.

Até os 15 anos Clarinha tinha a vida “normal”, embora o normal significasse não fazer nenhuma atividade física mais complexa, nem ficar muito tempo longe de alguém porque poderia haver alguma crise e, com isso, a falta de cuidados poderia piorar a situação. De qualquer forma os rins ainda estavam em estabilidade, mesmo que perdendo o percentual de funcionamento a cada ano, a moça ao menos podia fazer tarefa normal como levantar sozinha, dar uma volta na rua para esticar as pernas e manter-se consciente e sem dor em grandes períodos de tempo.

Clarinha, por causa da doença, era uma pessoa paciente. Tanto por ser enferma como por ser uma pessoa calma, sempre quietinha, sem falar quase nada sobre assunto algum. Clara era aquele tipo de ser humano calmo e com brilho nos olhos que todo mundo gosta de tê-la por perto. Cativava e atraia por seu carisma natural.

O problema é que após completar os 15 anos de idade, o rim começou a desregular com mais frequência e com mais recorrência começou a ter que voltar ao hospital por causa das recaídas ocasionadas pela enfermidade.

Após comemorar o aniversário de 18 anos de idade, que coincide com as festividades do fim do ano, e passar o réveillon com expectativa e esperança de curar-se, o fato é que os rins da Clarinha estão operando agora abaixo de 3% de funcionamento, ou seja, na próxima recaída ou a Clarinha encontra um doador compatível para obter um novo órgão sadio, ou poderá ser o fim da sua vida.

Talvez não suporte até o segundo semestre.

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Pâmela

A menina foi concebida na ilha de Man, arquipélago que tem como símbolo aquela bandeira esquisita. Os pais estavam em lua de mel. Mas o nascimento de Pamela aconteceu mesmo em sua cidade natal. Sua mãe estava no shopping da cidade quando sentiu que aquele momento era hora do parto. Ainda não havia smartphone, então a solução teve que vir da ajuda de terceiros no local. E veio. Levaram-na para o hospital mais próximo da região: Nossa Senhora das Graças.

O hospital, com aspecto de caridade religiosa, em um primeiro momento não quis saber se quem estava em processo de parto era uma pessoa rica ou pobre, se tinha convenio médico ou não, a casa de saúde em primeiro momento só agiu para fazer o parto e, focar em salvar a vida do rebento, e, depois de concluído isto, resolver problemas financeiros posteriormente.

O pai de Pamela, ao saber do acolhimento daquela casa de saúde para com sua mulher ficou tão feliz que resolveu, a partir daquele momento, ser um mantenedor privado do hospital. Caso o Nossa Senhora das Graças tivesse algum problema de repasse do SUS – o que acontece quase sempre -, um grupo da elite da cidade empenharia recurso financeiro para manter o hospital em funcionamento e, com isso, manter-se sob o aspecto caritas.

Desta forma, a família resolveu concentrar todas as consultas e os exames no Nossa Senhora das Graças.

Pamela não suportava hospital, era sempre uma luta convencê-la de fazer os exames laboratoriais de rotina, mesmo na base da teimosia, a moça aceitava ir fazer a obrigação e fazer o check-up geral de saúde.

Já o pai aproveitava a ocasião para conversar com os gestores do hospital e os médicos de plantão. E foi numa dessas andanças, que o pai de Pamela conheceu o promissor Alencar, jovem doutor que tinha muita competência e vocação ao exercer a sua profissão. Embora não fossem amigos, o pai da Pamela o reconhecia como um bom médico em ascensão.

Pamela nasceu em berço esplêndido. De família abastada, o máximo de sofrimento que passara em vida sempre se relacionava com algum castigo que a moça recebeu de punição por ter feito alguma traquinagem e, com isso, teve, por exemplo, o seu cartão de crédito tomado ou então foi impedida de sair para algum lugar.

Embora de família educada, Pamela é uma garota bem levada, pois, volta e meia some do mapa, deixando toda a família preocupada porque os pais não sabem o paradeiro da filhota.

Pamela gosta de tudo o que a vida lhe oferta porque a sua condição social a possibilita para isso. Então, aproveita a vida como todo jovem deveria gozar. Da Rave ao acampamento, e do namoro no cinema à visita a familiares distantes, o fato é que a agenda de Pamela é bem cheia para uma garota que adora viver aceleradamente.

Aos 18 anos, Pamela ganha de presente um carro novinho só porque passou no vestibular. Mérito de quem conquistou o objetivo e por isso ganhou o presente honestamente.

Após ter o veiculo em mãos, aí mesmo que Pamela some pelo mundo, andando pra lá e pra cá, guiando-se pela vontade e liberdade de poder ir para qualquer lugar que deseja.

Pamela chega a sua maioridade comemorando mais um ano novo maravilhoso com família, amigos, namorado, tudo encaixado e no seu devido lugar. Em fevereiro começa as aulas. E em maio começa a trabalhar. 19 anos completados de muita alegria de viver.

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Fim de Maio

Era fim de maio.

Na casinha de madeira da periferia, uma movimentação começa a surgir. “mãe, vem me acudir por favor”, disse Clarinha ao começar a vomitar sentada no carrinho de roda – já não tinha mais forças para se movimentar em pé. A mãe, apavorada, faz a constatação: “não, não, vomito preto, não”. 

Clarinha já estava com os rins quase zerados em funcionamento, e os enfermeiros, no último atendimento já tinham alertado que a próxima crise, caso não se encontrasse um rim de doação, tal situação poderia ser fatal.

A mãe, desesperada, chama o SAMU, que leva a moça para o hospital. E os seus pais chamam um taxi e vão em direção a Nossa Senhora das Graças.

Já do outro lado da cidade, no mesmo momento que Clarinha sofre a crise por causa dos rins, Pamela está dirigindo o seu carro completamente bêbada, pois, tivera bragado com o namorado, o emprego era chato e a responsabilidade de adulto era um saco. Após a aula, tomou todas até ficar completamente embriagada e estava voltando para a casa quando foi querer atender o celular.

Ao ver verificar o celular no mesmo tempo dirigindo, Pamela não sente que mexeu no volante para a esquerda, empurrando o carro de encontro a uma caminhonete. Em alta velocidade, a colisão foi quase fatal. Pamela sofre um acidente terrível. No meio das ferragens, no mesmo momento que os socorristas prestam o socorro, alguém encontra as informações pessoais de Pamela.

Pamela é levada para o hospital Evangélico. Mas logo o grupo dá meia-volta e os paramédicos levam-na para o hospital Nossa Senhora das Graças, local que tem toda a informação completa da Pamela e toda a estrutura para melhor a servir, pois o pai da moça tem grande relacionamento com esta casa de saúde.

Os paramédicos já vão adiantando: Pamela teve um problema grave nos órgãos e precisará urgentemente de transplante de coração. Caso contrário, não sobreviverá.

Enquanto Clarinha estava esperando desembaraço de burocracia para dar entrada no hospital, A Pamela, embora tivesse sofrido acidente minutos depois de Clarinha ter a crise de enfermidade, o fato é que Pamela deu entrada mais rápido que Clarinha no hospital.

No hospital, o sistema de som interrompe a música que estava tocando baixinho no corredor para chamar o doutor Alencar. “Doutor Alencar, por favor, apresente-se no setor de emergência”.  É fim de maio. Alencar sai da salinha do plantão porque terá que ir trabalhar.

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O milagre da compatibilidade

Os pais de Clarinha já estavam na sala de espera que fica no setor destinado aos pacientes do SUS. Local mais acanhado, sem muito luxo, e com mais pessoas aglutinadas esperando serem atendidas e obterem informações.

Enquanto isso, os pais da Pamela entram apavorados no setor destinado aos conveniados, local mais refinado, destinado a poucas pessoas, num espaço confinado maior.

O grupo de enfermeiros escalado para cuidar da Pamela coloca na prancheta-guia que o doutor para atendimento seja o Alencar.

E do outro lado do hospital, o outro grupo de enfermeiros também coloca na prancheta-guia da Clarinha que o doutor para o atendimento seja o também Alencar.

Como tanto Clarinha quanto Pamela já tinham todas as informações possíveis nos seus registros médicos do hospital, o milagre eclodiu: na questão de transplante de órgãos, as duas moças são totalmente compatíveis!

Neste momento, o grupo de enfermeiros que cuida de Clarinha olha para o monitor de informações do hospital, vê que uma moça se acidentou e, ao constatar compatibilidade, neste exato momento indagam uns aos outros: “Que milagre! Essa Clarinha precisa de rim e a moça gravemente acidentada pode ser a da doação”. E registraram tal constatação na prancheta-guia.

E do outro lado do hospital, a mesma situação. O outro grupo verifica o sistema e constata que uma garota com falência total dos rins deu entrada no hospital e que é compatível com a Pamela. E os enfermeiros também exclamam sobre tal condição: “Mas tem um santo forte e uma sorte tremenda essa moça, hein!?”, vai ganhar coração novo. E este outro grupo de enfermagem registra na prancheta-guia esta informação.

O grupo de enfermagem que cuida da Pamela levou-a pelo carrinho-maca para o centro de operação. E o grupo que cuida da Clarinha também a levou pelo carrinho-maca ao mesmo lugar em que Pamela estava.

Tanto o grupo de enfermagem que cuida de Clarinha quanto de Pamela vão, cada um em direção aos responsáveis pelas jovens, dar a informação sobre o milagre.

Então, há felicidade tanto no rol de espera particular, em que os pais de Pamela estão felizes em saber que há possível doador; quanto o grupo de enfermagem que vai em direção ao rol comunitário do SUS, em que os pais de Clarinha recebem a informação de possível doação e, com isso, a família fica esperançosa pelo fato da filha conseguir não só ser salva, mas poder ter uma vida saudável depois disso.

Neste momento, as duas estão no centro de operação C, o único local vazio no dado momento, esperando a chegada do Doutor Alencar.


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O Dilema

  O Doutor Alencar já é tão acostumado em ser chamado em emergência, que já sabe a procedência de forma habitual. Então, como se estivesse no piloto automático, mesmo sem saber o que iria enfrentar, já de antemão faz o processo de desinfetar-se e trocar de roupa para fazer operação.

Ao apresentar-se à emergência, pergunta para uma enfermeira novata qual é a situação. E a enfermeira diz que é operação de transplante. Então o Doutor Alencar dirige-se ao centro de operação C.

 Chegando ao local, em primeiro momento viu a Clarinha, olhou para a prancheta-guia e pensou alto: “vai ganhar rim novo”.

Mas o sorriso logo saiu do rosto quando ele viu a Pamela no carrinho-maca ao lado, justamente a filha do mantenedor do hospital.

Neste momento, chega a sua equipe médica para ajuda-lo a fazer a operação.

Doutor Alencar pede para a equipe voltar mais tarde, pois tem que ficar um pouco sozinho no operatório para poder pensar melhor.

E aqui começa o dilema.

Sentando no banquinho usado pela instrumentista, Alencar começa a refletir.

Num primeiro momento ele sabe que deveria constar nas identidades das duas moças, que já são maiores de idade, a informação de ser “doador de órgãos e tecidos”. Afinal, caso não houvesse tal informação, as duas não chegariam até a sala de operação.

Mas no Brasil, mesmo que uma pessoa seja doadora de órgãos, ainda assim o hospital tem que possuir o consentimento da família para não dar problema jurídico e até criminal nesta situação. Então houve erro no sistema do hospital.

O que leva a outro dilema: agir ou não.

Se Doutor Alencar decidir não agir ao esperar com que uma das famílias ceda e permita que o seu filho morra para deixar o filho de outra viver, o que seria impossível honestamente falando, pois, o dilema de Salomão é fantasioso, essa demora poderia fazer com que as duas jovens morressem esperando. O tempo era o vilão.

E também isso seria negligência.

Então, a situação está assim: uma jovem precisa morrer para que a outra possa viver. E as duas dependem da decisão de Alencar para sobreviver.

Alencar, feliz ou infelizmente, conhece mais ou menos as duas pelo histórico.

Se Alencar tem que escolher, a pergunta é: quem?

A pobre Clarinha, que nunca teve a mínima qualidade de vida, tem nessa doação a possibilidade de nova chance para ter um futuro. E, nesse momento, Alencar lembra-se que veio de origem pobre também e compreende o sofrimento e as dificuldades da pobre moça.

Do outro lado, a Pamela sempre gozou a vida o quanto pode, já desfrutou de tanta coisa que muitas pessoas não chegariam nem perto de alcançar. O problema é que a Pamela é muito parecida com a sua ex-mulher já falecida, a Aubrey [mas isso está longe de ser determinante].

Clarinha é negra e pobre. Ou seja, pode virar escândalo social e racial. Pode gerar repercussão midiática.

Pamela é branca e rica. Pode fazer o hospital perder investimento privado e Alencar pode ficar queimado na soçaite.

A Clarinha pode ser morta porque a natureza disse que era a hora dela.

A Pamela pode morrer porque negligenciou a sua própria vida ao provocar o próprio acidente.

 Clarinha pode viver porque é extremamente paciente.

Pamela merece viver porque é magnificamente vibrante.

As duas são jovens muito bonitas. Ainda bem, pois, se uma fosse bonita e a outra feia, seria outro dilema.

Alencar poderia matar as duas, dizer para as famílias que as jovens não resistiram ao sofrimento, e teria igualdade como válvula de saída.

Mas o doutor lembra-se do juramento de Hipócrates de que o médico tem que salvar vidas.

Uma coisa é certa: não importa a decisão, caso faça a cirurgia de transplante, doutor Alencar terá que fazer o ato sozinho, para não colocar em saia justa a sua equipe de trabalho.

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Junho não chegará

Não importa qual seja a decisão que o doutor Alencar irá tomar, essa decisão será considera para muitas pessoas como algo polêmico e errado.

Até mesmo o fato de não fazer a cirurgia, ou seja, não agir, é considerado uma decisão.

Doutor Alencar tomou decisão e avisa o seu grupo que fará o trabalho sozinho, sem ajuda da equipe.

Fica um bom tempo no operatório.

Será que o Alencar vai ficar parado? Será que vai matar as duas? Ou escolherá quem vive e quem morre?

Era o último dia de maio. E finalmente Alencar sai do operatório. Quando o doutor vai informar a situação para o enfermeiro da ouvidoria do hospital, a fim de repassar aos familiares sobre o pós-operatório, repentinamente começa a tocar no corredor do hospital a música Aubrey, da banda Bread.

♫And Aubrey was her name.
O nome dela era Aubrey

We triped the light and danced together to the moon,
Nós diminuímos a luz e dançamos ao luar

But where was June.
Mas onde estava junho?

No it never came around.
Ele nunca chegou

If it did it never made a sound,
E se chegou, veio em silêncio

Maybe I was absent or was listening to fast,
Talvez eu estivesse ausente ou ansioso demais para ouvi-lo

Catching all the words, but then the meaning going past,
Agarrando às palavras e deixando passar o que elas significavam

But God I miss the girl,
Mas Deus, eu sinto falta dela

And I'd go a thousand times around the world just to be
Eu daria mil voltas no mundo só para estar

Closer to her than to me.
Mais perto dela do que de mim mesmo♫






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