Viral 1964 do Brasil Paralelo: Entre Carro Incendiado e Agatha Christie
Por: Júlio César Anjos
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Conselho:
NÃO ACREDITE EM ESTATÍSTICA DE DITADURA!
Quanto
ao documentário em si, só uma coisa chamou a atenção: a defesa dos tempos de
chumbo. O documentário defende a ditadura militar em duas frentes: 1) que a
ditadura teve o milagre econômico; 2) que, apesar de ser regime de exceção,
houve poucas mortes.
Agora,
eu pergunto: você, leitor, acredita em estatística de ditadura?
O
milagre econômico do Medici foi superestimado, pois, no fim, como o próprio documentário
lembrou, a ditadura caiu por causa de descontentamento de hiperinflação [a riqueza
era artificializada].
E
os números de mortes estão subestimados por causa da falta de transparência
feita pelo regime. Pois: quem vigia o vigia? Esse é o motivo pela imposição de
acordo de anistia. Se abrir investigação, os números de mortes na ditadura sobem porque são
maiores [assim como aconteceu no Chile].
Basta
o leitor lembrar, também, que se o Nikita Kruschev não abrisse os números
brutais de Stalin, para fazer a glasnost, o mundo não saberia que o regime soviético
foi genocida, pois, até então, os números que a ditadura divulgava ao mundo sobre
o governo de Stalin eram considerados toleráveis.
E
na literatura, a maior critica feita nos livros de George Orwell é sobre o
sistema ditatorial manipular as estatísticas, como nas passagens destacadas na Revolução dos Bichos [o Silo cheio de areia, com uma fina camada de grãos em
cima, para enganar a mídia internacional que a colheita tinha sido boa e que a
fazenda só prosperava] e em 1984 [Winston Smith trabalha no ministério da
propaganda e manipula as noticias do passado, pois, quem controla o passado, controla
o futuro].
Portanto,
é muito provável que o Delfim Neto maquiou os dados estatísticos, ao gerar um
falso crescimento de PIB em dois dígitos, para que a ditadura pudesse matar
sossegada.
O
Brasil nunca foi essa maravilha que apregoam por aí. Não há Reich para
resgatar.
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Viral
1964 do Brasil Paralelo: Entre Carro Incendiado e Agatha Christie. Manipulação de massa feita na sua cara.
Poucas
vezes se vê o nome de um ativismo político se encaixar tão perfeitamente como
esse grupo chamado Brasil Paralelo combinou a sua nomenclatura com a sua ação.
O nome é perfeito. Porque, como se sabe, o paralelo – opera, funciona, trabalha
colateralmente a outra atividade – depende daquilo que é considerado principal.
Paralelo pode ser: uma rua principal que tem a sua via paralela chamada de marginal;
reta matemática que se chama de função linear paralela; ou até mesmo naquilo
que se estuda na ciência que pode ser chamado de multiverso os universos paralelos. Ou
seja, não passa de algo alternativo daquilo que é real. Portanto, Brasil Paralelo, por si só, é uma teoria da conspiração.
E
neste momento a teoria da conspiração chamada “Brasil Paralelo” conseguiu
encaixar um viral, que é o vídeo sobre 1964, um filme que tenta passar pano
para a direita e que não se baseia totalmente em fatos. Mas como esse grupo
conseguiu popularizar esse debate neste momento? Com manipulação de massa parecidos com o conhecido conto popular do carro incendiado e da promoção de
livro da Agatha Christie.
No
conto popular do carro incendiado, diz-se que havia em uma região interiorana
dois candidatos que disputavam a prefeitura da cidade. Um deles era rico e fazia
campanha cara, conseguia convencer o eleitorado ao natural, e, caso nada
acontecesse para reverter o resultado, seria eleito na votação. O adversário era um
candidato pobretão, que fazia campanha por conta própria, com dificuldades para
tocar a campanha eleitoral. O carro do candidato pobre estragou; problema de
motor. E o pobre ficou tão descontrolado que resolveu pegar a gasolina do
tanque, encharcar o veículo com o líquido inflamável e tocar fogo no automóvel.
Após ver o carro pegar fogo, sentado no meio-fio, sente que algumas pessoas se
aproximam para ver o que aconteceu. Ao que o pobre tem a ideia de começar a se
vitimizar perante as testemunhas. Alegou que não possuía nada e ainda tinha que
passar por infortúnio, pois o candidato rico até mesmo colocou fogo em seu
carro para vencer a eleição. A mídia divulgou o ocorrido pela versão do
candidato pobre. O povo ficou todo mobilizado. Resultado: o candidato pobre ganha
o pleito e vira prefeito da cidade.
Acha
que esse conto do veículo incendiado, contado como “case” em cursos de técnicas
de vendas por aí, não seja algo factível? Então saiba que na ditadura os militares
tentaram explodir um veículo em um evento, para gerar terrorismo, e, com isso,
culpar a esquerda pelo o que seria chamado de atentado do Riocentro. O false
flag falhou porque a bomba estourou no colo de um militar [batom na cueca].
Caso contrário, essa manobra funcionaria e o povo acreditaria que a esquerda
fazia política terrorista com atentados.
E
falando em veículo, Agatha Christie sofreu um acidente de carro. O automóvel
que ele conduzia estava largado em um barranco, tinha batido em algo, e tudo
levava crer que a mulher estava precisando de socorro. Mas para a surpresa de todos,
Agatha não estava dentro do veículo, o que seria um mistério, pois a cena do
acidente era visível. A sugestão mais plausível para a situação é que alguém a
forçou a se acidentar e, depois, sequestrou-a para algum outro lugar. O último
livro de Agatha Christie tinha acabado de ser lançado - intitulado: The Murder
of Roger Ackroyd - em um espaço de duas semanas. Muita gente começou a fazer
especulação, mas o fato é que as vendas deste livro em questão cresceram exponencialmente. Eis
que 11 dias depois do acidente, Agatha Christie aparece em uma piscina de um
Hotel – livre, leve, e solta - como se nada tivesse acontecido. Os seus
assessores disseram que Agatha teve uma fuga dissociativa por estresse. Mas a
verdade é que esse arranjo veio a calhar para aumentar o sucesso de vendas do
seu último livro. Até porque Agatha escrevia sobre suspense.
O
grupo ideológico Brasil Paralelo resolveu agir sobre o documentário 1964. O
grupo fez campanha publicitária, avisou os fãs e negociou até mesmo espaço em
sala de cinema para exibir a película política sobre o golpe da ditadura
militar. Mas o cinema teve um resultado de bilheteria ruim, tão pífio que, com
certeza, a esquerda saberia disso e iria debochar. Então aconteceu algo que não
faz sentido para o Cinemark, ao grupo dono da sala de cinema chegar ao ponto de
dizer que não exibe política, pois o que mais faz hoje é exibir política na
tela [ou vocês acham que a seta da letra A do Avengers para a direita e a
manopla do Thanos vestida na mão esquerda é só coincidência?]. Até parece que a Cinemark não vai mais exibir Avengers.
É
óbvio que o Cinemark criou artificialmente escândalo e intriga, ao supostamente censurar um documentário de qualidade questionada, para que o
vídeo-panfleto da teoria da conspiração Brasil Paralelo pudesse ser promovido
ao impulsionar o seu vídeo no Youtube, para que a mensagem fosse enviada para
milhões de pessoas. O Cinemark incendiou o carro. Uma pequena balburdia para
que o efeito-manada pudesse se concretizar. Um false flag bem-sucedido, pois, tornou um
vídeo meia-boca em viral.
O Brasil Paralelo acredita em estatística de ditadura.

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