Teori Tem que Morrer!
Por: Júlio César Anjos
"Todos
Estes que aí estão
Atravancando
o meu caminho
Eles
passarão
Eu
passarinho"
Mario Quintana
Enquanto
todos ficam focados em saber quem mandou matar Marielle ou quem mandou dar a
facada no Bolsonaro, eu quero saber quem bateu na mesa e, enfurecido, gritou:
“Teori tem que morrer!”? Quem foi?
Eu
poderia acreditar que a morte do Zavascki fosse acidental se, e somente se, a
operação lava-jato não tivesse dado o cavalo de pau que deu.
Deste
modo, Existem 2 operações lava-jato: 1) a que o Teori tocava. 2) a que o Fachin
toca. E o óbvio é que deveria ter uma operação só.
A lava-jato do Zavascki tinha início, meio e
fim. Começa pela puxada de fio na lava-jato, tem como desmembramento que
PT-PMDB-PP, por controlarem a Petrobras, fizeram corrupção sistêmica, com o
desenlace dando o Lula preso e o PMDB – ao colocar na cadeia Sarney, Renan Calheiros,
Jucá - como a maior facção criminosa desde a época da ditadura militar [isso
mesmo, o Zavaski iria dar o Lula para preservar o PT].
A
lava-jato do Fachin não tem fim e se mete em tudo. E como uma coisa é tudo, como se sabe, ela
também é nada. É por isso que a operação perdeu o propósito de limpeza de
corrupção para se transformar em ferramenta de poder.
A
lava-jato do Fachin preservou todo mundo, menos o PSDB. Pode ver. A lógica não
era o tal do: “sem foro, é Moro”? Um monte de político, de vários partidos, sem
foro, porque não conseguiram se reeleger, e a operação lava-jato, até agora,
fingindo não ver. Mas, de forma totalmente esquizofrênica, a operação coloca no
bojo como sendo lava-jato vários tucanos que até ontem, na Petrobras, não
tinham nenhum poder.
A
justiça desde Outubro de 2018 até agora [março 2019], já perseguiu os seguintes ex-governadores tucanos: Beto Richa
[Paraná], Perillo [Goiás], Azambuja [Mato Grosso], José Eliton [Goiás], Alckmin
[São Paulo], Serra [São Paulo], Jatene [Pará] e Aécio Neves [Minas Gerais].
E nesse momento, você deve
estar pensando: “tudo corrupto”, não é mesmo? E é exatamente nesse momento que
você está servindo àqueles que mataram o Zavaski para proteger os verdadeiros
corruptos que estão sendo preservados pela operação lava-jato do Fachin.
Ou você acha que já está em
um país totalmente livre de corrupção?
Essa
turma conseguiu fazer o que o PT tentou lá no escândalo dos dossiês aloprados e
não prosperou: institucionalizar o assassinato de reputação contra o PSDB.
Agora,
veja que interessante a régua histórica:
2013:
manifestações revolucionárias de junho.
2014:
início da operação lava-jato; Dilma reeleita de forma estranha.
2015:
grupos de pressão [MBL, Vem Pra Rua] instigam a população pelo impeachment;
Bolsonaro começa a ser trabalhado como candidato presidencial.
2016:
Conclui-se o impeachment da Dilma; Olimpíada é um desastre – país num caos.
2017:
Zavascki, relator da lava-jato, morre em janeiro; em maio, Temer e Aécio são
enquadrados pelo Janot – que não tocava nada contra o PT na operação.
2018:
Lula preso; intervenção Militar no Rio fracassada; Richa preso [faltando 20
dias para a eleição]; e facada no “mito” [talvez, sem a facada, não tivesse
sido eleito].
2019:
O povo sabe que Bolsonaro não é limpinho. Povo enganado pela lava-jato. E a justiça, de forma geral, começa a
perseguir somente tucanos [os governadores acossados, já citados no texto].
Esse
é o mecanismo do golpe.
Agora,
se o Zavascki estivesse vivo, a lava-jato já teria acabado com o Lula preso,
Teori não daria andamento na ação viciada feita pelos irmãos Joesley, o que
poderia fazer Aécio presidente, e Dellagnal, talvez, não mudasse de ideia, como
mudou a sua própria lógica, de 2016 pra cá.
Mas
para a “felicidade de todos”, Dellagnol é um homem aberto a mudanças.
Dellagnol
em 2016 [época que o Teori estava vivo]:
“O PSDB não fazia parte da
base aliada do governo do PT. Como o PSDB não fazia parte dessa base aliada,
não foram indicadas pessoas do PSDB [para cargos] por exemplo como diretores da
Petrobras. Não tem como achar na Petrobras corrupção de um diretor ou
presidente até porque não existia diretores do PSDB“.
Dellagnol
hoje [Teori morto, Fachin no comando]:
Força
Tarefa da lava-jato acusa Paulo Preto, apontado como operador do PSDB, por
lavagem de dezenas de milhões de reais ligando o esquema Odebrecht de
pagamentos de propinas em contratos da Petrobras.
Como
a lava-jato virou um mundo da fantasia, e o objetivo é acossar tucano, então o
Dellagnol de hoje vê o PSDB conseguindo operar na Petrobras [difícil é o tal do
Bonat condenar sem prova material], mesmo o Dellagnol de 2016 dizendo que o
PSDB não operava porque não fazia parte do governo [o que é óbvio].
É
por isso que Paulo Preto está sendo trabalhado para 2022. E, em 2022, com
certeza, você, leitor esperto e honesto,
estará chamando tucano de corrupto, ao mesmo tempo em que você elegerá os
verdadeiros corruptos destruidores da nação. Como eu sei? É dé-jà vu; é Efeito Orloff.
Vale
lembrar que enquanto tudo isso acontecia [acossar petistas e tucanos – e
pegando leve com pemedebistas], o Jair era preservado pelo sistema, mesmo a
justiça sabendo antes da eleição que Bolsonaro está implicado com milícia e corrupção.
É por isso que em um momento de transição da
operação lava-jato, alguém disse: “Teori tem que morrer!”. E foi prontamente
atendido. Morreu no Rio de Janeiro, berço das milícias. A conclusão do
inquérito? Foi acidente... Acidente colocar o Teori para tocar a lava-jato.
Mas
Teori fez bem em morrer. Colocou tudo no seu devido lugar.
O
importante é tirar tucano do jogo e do poder.
Não
é mesmo?
***
Ah,
o honesto e ilibado Dellagnol já apagou o twitter de 2016.
Teori
Zavascki: indicado pelo Fernando Henrique Cardoso [instado no STJ pelo FHC] e
homologado a ministro do STF pelo Lula.
Fachin:
homologado pela Dilma, indicado pelo Zé Dirceu, e agente do MST.
Lembrando que o Zé Dirceu sempre defendeu que o PT fosse aliado do PMDB.

Teori Tem que Morrer! de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://efeitoorloff.blogspot.com.

O Teori tinha rejeitado pedido de prisão de Sarney, Jucá, e Renan. Mas após aceitar denúncia contra o Cunha, ali ficou claro que o quadrilhão do PMDB seria enquadrado. Faz sentido a sua postagem.
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