O Congresso de 2019

Por: Júlio César Anjos

Texto extraordinário em reação aos acontecimentos envolvendo Lula e Bolsonaro.

O Lula já mandou avisar, pela Gleisi, vazado pela imprensa, que a esquerda tem que focar na parte econômica e social.

Pra quem já é formado em petismo, ao entender o jargão petralha, tal menção de Lula significa: impedir reformas e privatizações. Até aqui, normal. A esquerda será mesmo contra o Bolsonaro.

Do outro lado ideológico, uma parte da direita apoiará o Bolsonaro incondicionalmente e outra parte ficará neutra [isso que estou dando colher de chá que o PSDB é direita – senão a coisa ficaria pior].

O problema, então, é o centrão.

Porque o centrão tem uma quantidade grande de parlamentar, principalmente no nordeste, que se elegeu em nome - e com apoio - do Lula. Essa turma, com certeza, irá com a esquerda no congresso.

A outra parte do centrão é fisiológica: não se interessa por ideológica, mas quer o toma lá, dá cá.

Nesta contagem, é certo que o Bolsonaro não tem maioria absoluta para passar as reformas, que precisam da fração de 2/3 do congresso.

E também sabemos que, se o Alckmin ganhasse a presidência, pelo menos o centrão estaria inteiro com os tucanos [havendo articulação política - o que não é nenhum crime], o que resolveria a questão de cisão no congresso. Ou seja, Alckmin teria os 2/3 do congresso para fazer as reformas.

O Bolsonaro, por sua vez, não quer fazer o toma lá, dá cá, quer continuar com a polarização ideológica extremista, e ainda acredita que neste cenário poderá governar. O Bolsonaro terá que escolher entre usar o toma lá, dá cá, ou parar de fazer extremismo. Pois os dois fatores, neste momento, não dá.

Eu estava quieto na minha, curtindo esse período de descanso numa boa.  Mas o Lula resolveu falar e tive que reagir desde já.

Sem o centrão é impossível governar. Porque o candidato que consegue virar parlamentar pelo centrão só alcança o objetivo com padrinho político, sendo puxado por uma liderança [seja porque está com um líder ou tá na cota de coeficiente eleitoral], ou porque é lobo solitário e não deve o mandato pra ninguém. Os dois casos não são ideológicos. E é por isso que é bom concentrá-los para governar. E só se concentra se o governante articular.

Comprei pipoquinha e só observo a equipe do Bolsonaro se bater porque ganharam na base do populismo e da demagogia.

Trocaram a razão pela radicalização na eleição e a conta chegou. Paga-se um preço alto por ser oportunista.





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