A Pedalada Previdenciária

Por: Júlio César Anjos

A verdadeira reforma da previdência - aquela que pega militar, juiz e funcionário público de alto escalão - não será aprovado no congresso. Esqueça. Não tem quórum. Muito interesse corporativista em jogo.

O que será aprovado é um remendo que só resolverá no curto prazo, só pra empurrar com a barriga, o que será mais parecida com uma pedalada previdenciária.

Guedes até apresentará uma reforma da previdência robusta. Mas essa reforma será destrinchada nas comissões da câmara dos deputados e no senado. Várias emendas alegando desde inconstitucionalidade até mudança textual para que o tramite seja desgastante, atenuado, para que, enfim, os corporativistas consigam manter os seus benefícios.

Até porque a lava-jato não fez todo este esforço para morrer na praia. Já pensou promotores perdendo as suas benesses logo após “limpar” o país? Seria um fracasso. Não, não, não, a elite do funcionalismo quer continuar mamando. E vai mamar.

Maia será aprovado presidente para que haja esse quórum para essa pedalada previdenciária; e Renan será presidente do senado para garantir que se mantenham os benefícios para os marajás.

Guedes envia uma proposta robusta para o congresso [questão de marketing político]; e a maioria de 2/3 aceita esta situação. Em contrapartida, Maia e Renan se elegem nas casas legislativas, com o governo não fazendo objeção.

Tudo orquestrado pela falta de esforço do governo.

E o Brasil continuará sendo injusto e desigual, com o trabalhador da CLT [consolidação das leis trabalhistas] perdendo ainda mais direitos, enquanto que os nababos da coisa pública mantêm o sistema de privilégios. Filminho batido e manjado.

Portanto, quem vai pagar o pato?

Você que é CLT.

P.S.: O governo Bolsonaro não tem que se preocupar em quem será o presidente da câmara e senado para passar a pedalada previdenciária - até porque os presidentes das casas não vão impedir o corporativismo no legislativo,  o governo Bolsonaro tem sim que alinhar os presidentes do sistema bicameral para apoiá-lo pós-reformas [não importando quem seja presidente]. Porque não é só a reforma de previdência que mata governabilidade, pois são 4 anos de convivência nas mais variadas searas políticas. 


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Obs: O mercado financeiro pode continuar a brincar de especulação por causa da reforma da previdência – que será somente uma pedalada previdenciária. É engraçado ver o teatro em andamento. Bora lá investir em fundo.

Por isso que o nome deste blog é: Nada Surpreende.






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