Quem Vai Pagar o Pato?


Por: Júlio César Anjos

Nas manifestações “fora Dilma!” do impeachment da petista, a FIESP logo mandou avisar que não pagaria o pato, ao demonstrar que o empresariado não vai mais bancar a bagunça estatal [mesmo todo mundo sabendo que o corporativismo empresarial surfou no Lula e na Dilma – até onde deu]. Mas a fatura é alta, deve ser paga para não gerar mais crise ainda, com alguns políticos, até mesmo os mais bem colocados em intenção de voto, corporativistas que já estão sinalizando que também não pagarão o pato, pois não mexerão nas benesses de jeito nenhum. Se Empresariado e Estado não querem pagar a conta, então a fatura ficará para o “povo” (pessoa física) honrar compromisso de terceiros. Nese caso, então, há três visões de mundo para resolver esta situação: Esquerda; Direita; Centro.

Deste modo, não havendo enxugamento da máquina pública por causa do corporativismo estatal – ao não conseguir acabar com as benesses dos marajás que vão desde a ponta até a base da pirâmide estatutária –, além da impossibilidade de “esfolar” o corporativismo privado – ao não haver a possibilidade de criar aumento de imposto e aumento de burocracia -, o fato é que a saída, então, será o povo pagar o pato para manter o status quo da nação. Se houvesse espaço para “esfolar” o empresariado e reduzir o nababismo estatal sem que houvesse choro, a solução já estaria dada e não haveria com o que se preocupar. Mas o fato é que a fatura será repassada para o povão.

Como esta é uma eleição plural, apesar de haver uma polarização ideológica, há neste caso 3 visões ideológicas para que a pessoa física pague a dívida contraída pela elite nacional – tanto o corporativismo estatal quanto privado. São elas:

Esquerda: Taxação de grandes fortunas [Boulos dizendo que não vai chamar o Meirelles, vai taxa-lo]; e imposto e aumento de alíquota de herança. Isso já visto em outras experiências empíricas faz crise estrutural no longo prazo, pois esta dinâmica afugenta a elite bem-sucedida, ficando no país só ricos medíocres dependentes de serviços medíocres do Estado. Um exemplo disso é a França e a Venezuela – estágio mais avançado.

Direita: como a direita, por causa de barreira ideológica, não pode taxar fortuna e herança – mas também não quer acabar com corporativismo tanto do estado quanto privado -, recorre à salvação do fundo internacional [FMI] e dominância fiscal [hiperinflação], não ligando para o povo mais pobre, aumentando ainda mais o gap da desigualdade social [Rico mais rico e pobre mais pobre].  É só ver a Argentina do “liberal” Macri como exemplo.

Centro: Imposto sobre o consumo [que nada mais é que um imposto de renda progressivo disfarçado – se tem renda pequena consome pouco e o imposto recolhido é baixo; se tem renda alta consome mais e o imposto recolhido é mais alto] e imposto de renda na fonte progressivo. Este formato já é implantado no Brasil, mas com burocracia de literatura distópica, com a economia engessada por causa desta burocracia surreal, o que faz esse sistema fracassar. Neste quesito, quem mais paga a conta é a classe média alta. Como já mencionado, o Brasil é o exemplo disso. O Brasil precisa aumentar a arrecadação – não confunda com aumento de impostos – por isso que é imprescindível que o país volte a crescer para manter esse modelo em operação.

Se não houver enxugamento da máquina, para tirar as benesses dos marajás do estado, só há essas 3 saídas para pagar o pato. Como bem lembrou o Alckmin, o PT e Bolsonaro são a mesma coisa porque são corporativistas, caso o eleitorado opte pelo extremismo a saída ficará a cargo entre Maduro brasileiro [Haddad, Ciro] ou o Macri brasileiro [Bolsonaro].  

Além disso, como a direita é corporativista, essa aproximação de Riachuelo e Havan nada mais é que a mesma aproximação que a Magazine Luiza fez com Dilma, uma “união” entre privado e estatal para manter a teta entre o empresário e o político. Porque liberal verdadeiro não fica andando com político pra lá e pra cá.

Já a esquerda, por ser populista, tem até político aí querendo limpar o nome de cidadão endividado, com uma solução paliativa, em que só fará o Estado ficar ainda mais endividado porque comprou débito de um povo que já não tem renda pra consumir, sendo que o país deve gerar emprego e renda como solução concreta para que o cidadão limpe o nome por conta própria e consiga consumir de forma “definitiva”.

Portanto, há grande possibilidade do eleitor ir às urnas pensando em votar em um herói e acabar se arrependendo porque elegeu vilão. Ou seja, como canta Arnaldo Brandão: “Vota todo mundo que vai pagar o pato /Quem tem que dar certo, quem vai dar errado / Quem vota num país rico e esfomeado?”.
Quem vai pagar o pato? Você.

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Solução? Reduzir o tamanho do Estado (por isso não se pode ser corporativista), desburocratizar (não pode ter ideologia estatista) e investir em infraestrutura (desenvolvimentismo que gera “emprego na veia”).

Geraldo Alckmin – 45 – Presidente!

  

Seria o FMI o limpa-nomes de países? Se for, Ciro Gomes também pretende isso? Só uma dúvida que ficou na cabeça.



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