O Catastrófico Embate MAMA, a Janela de Overton e os Cenários Eleitorais
Por: Júlio César Anjos
Esta
eleição de 2018 está em aberto. Há cinco candidatos com possibilidade de vencer
o pleito. E por isso que o cenário eleitoral deste ano será diferente dos
outros, pois é possível que haja um embate MAMA no segundo turno, ou talvez
seja a janela de Overton movendo-se para outra dimensão. Uma coisa é certa: é tempo
de mudanças.
Primeiro
que se explique sobre esse tal embate MAMA desta eleição. O MAMA significa o possível embate entre o “MA”
de Maduro brasileiro – Haddad –, e o “MA” de Macri brasileiro – Bolsonaro. E há
profecia por causa do perfil de cada um. No MA de Macri (Bolsonaro), o Brasil
cairá no FMI, dominância Fiscal [hiperinflação] e aumento de desigualdade
social [o que está acontecendo na Argentina, em que deram poder a um liberal em plena crise].
E no MA de Maduro (Haddad), o Brasil cairá no sistema falido socialista que
gera falta de alimentos [desabastecimento] na gôndola do supermercado [o que está acontecendo na Venezuela,
em que deram poder para um socialista]. Não querendo ser pessimista, mas é isso
que se avizinha em 2019.
E
esta composição MAMA só será possível porque no primeiro turno o pleito está
pulverizado com cinco candidatos [Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin,
Haddad e Bolsonaro] com chances reais para ganhar a eleição. Então está em
aberto o pleito no primeiro turno. E esta pulverização também criará possivelmente “currais
eleitorais”, sendo que provavelmente Ciro ganhe o Estado do Ceará, Alckmin São Paulo,
Bolsonaro Rio de Janeiro, Haddad algum Estado do Nordeste e Marina Silva o Acre.
Isso vai contra a regra das últimas eleições, em que a divisão do cenário
eleitoral orbitava somente na polarização PT-PSDB, com algumas exceções vindas
por Marina Silva. Essa é uma mudança significativa que pouca gente se dá
contra.
Esta
tendência de gradação eleitoral também pode ser prenúncio de outro fenômeno do
novo cenário eleitoral: o da janela de Overton político. Se houver um vento de mudança
neste sentido, é bom o PT se preparar. Porque
se nos últimos anos havia uma polarização PT-PSDB, em que a janela de Overton
ficava centrada entre a extrema-esquerda [PT – percebido como esquerda] e o
centro [PSDB - percebido como direita no espectro político], agora a massa
eleitoral pode perceber o Bolsonaro como direita [sendo que é extrema-direita]
e o PSDB como de esquerda [sendo que é centro], em que semente os dois entes
serão aceitáveis, pela massa, para embates de polarização.
Se
isso acontecer, da janela de Overton ter se movido entre o centro e a
extrema-direita, a ter criado a “lepra política para a esquerda”, Lula não
conseguiria transferir votos para o Haddad porque o povo quis o “novo”, além de
que os institutos de pesquisa sofreriam para explicar o fenômeno de modulação
que transmutaria Bolsonaro e Alckmin no segundo turno desta eleição.
Por
causa das mudanças no meio político, que vai desde candidato preso liderando
pesquisas até psicopata armamentista com possibilidade de vencer o pleito, há
vários cenários eleitorais que poderão gerar um segundo turno inesperado. Segue:
O
Bolsonaro poderá ganhar no primeiro turno ao puxar os votos Bolsolula – porque
o eleitor brasileiro, vale lembrar, vota na pessoa e não em partido político e
também não vota nem mesmo em ideologia. Mas este cenário é improvável;
Poderá
também haver divisão de eleitorado de esquerda, em que essa cisão faça Alckmin
se aproveitar disso ao mantê-lo vivo no segundo turno;
Poderá
haver crescimento do Amoedo, ao roubar eleitorado do Bolsonaro, fazendo o Alckmin
ir para o segundo turno;
Poderá
haver também crescimento do Amoedo ao afundar o Alckmin porque roubou eleitor
tucano;
Poderá
haver uma aglutinação do eleitorado da Esquerda para Marina ou Ciro Gomes, que
faça um dos dois ir para o segundo turno, extirpando o Haddad;
Poderá
haver a polarização ideológica que fará o embate MAMA no segundo turno, entre Haddad
e Bolsonaro. Pior cenário possível, o Brasil entra em caos já na segunda semana
de outubro;
E
poderá haver a concretização da Janela de Overton, com o Alckmin e Bolsonaro no
segundo turno porque a esquerda foi varrida do espectro por ter “lepra política”.
Quem
se diz garantido no segundo turno é porque não está vendo a dinâmica eleitoral
deste ano ou está blefando.
Agora,
o fenômeno mais inusitado de todos [e esse fenômeno faz com que o Bolsolula
seja muito factível]: o pobre, que sempre votou no PT, hoje está inclinado a
votar no Bolsonaro, o que é jocosamente chamado de “pobre de direita”. Ou seja, há perda de eleitor petista para o Bolsonaro.
Isso é visível.
Portanto,
é possível que haja o catastrófico embate MAMA Bolsonaro (Macri brasileiro) x Haddad
(Maduro brasileiro), mas também o segundo turno está em aberto porque as probabilidades
são diversas. Também pode estar em curso o fenômeno da janela de Overton, o que
pode estar gerando “lepra política na esquerda”, em que esta situação faria com
que a esquerda ficasse de fora do segundo turno. E quem cravar que está no
segundo turno não sabe o que fala ou está blefando. Façam suas apostas.
Obs: Liberal não sabe resolver crise; Socialista produz crise.
Obs: Liberal não sabe resolver crise; Socialista produz crise.
***
Esse
é o momento do político provar que defende o Brasil. Ciro Gomes e Marina Silva
devem bater no Haddad, para que o petista não vá para o segundo turno. E o
Alckmin e o Amoedo devem bater no Bolsonaro, para que o “filhote de Hitler”
também não vá para o segundo turno. Este é o momento em que a responsabilidade deve
falar mais alto.

O Catastrófico Embate MAMA, a Janela de Overton e os Cenários Eleitorais de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.

Comentários
Postar um comentário
Comente aqui: