PSDB: Questão de Ponto de Vista

Por: Júlio César Anjos

Para entender o PSDB nesta eleição, o cientista político tem que ter um bom ponto de vista. Ponto, no sentido de o observador ter o melhor posicionamento possível; Vista, no sentido de o observador ter perfeita acuidade visual. Nada tem a ver com mera opinião. Se o player em questão tiver uma boa referência e uma boa visualização, entenderá que os tucanos estão moldando até mesmo a percepção do eleitorado em geral. E isso é bom.

Recentemente, o ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) concedeu entrevista aos repórteres dizendo que é possível que o PSDB abra conversas com outras coligações, o que deu a entender que poderá fazer possível aliança com o PT no futuro. O FHC está certo neste sentido desta vez - embora estivesse equivocado no passado (2003), ao ter dito que PT e PSDB eram iguais, que só lutavam pelo poder, sendo que naquela época havia uma polarização partidária, o que não está a acontecer hoje. Porque se no passado havia a polarização partidária, a situação hoje mudou. Agora a polarização é ideológica - o que é pior, por sinal, pois pode ser prenúncio até mesmo de guerra civil.

Deste modo, se o PSDB está se exibindo ao eleitor em geral como sendo o partido de centro no espectro político nesta eleição, é óbvio que os tucanos devem dialogar com TODO MUNDO da esfera político-eleitoral. É tão óbvio que chega a ser caricato. Mas infelizmente isto deve ser desenhado para que o extremista consiga entender o bê-á-bá estratégico traçado e desenhado pelos tucanos neste momento. Porque os tucanos resolveram abandonar o extremismo ideológico, logo após acabar a polarização partidária [PT-PSDB], por justamente entender que, com essa lógica de cisão social não se governa de jeito nenhum.

O que o brasileiro racional deve entender é que o eleitor extremista do Lula-PT não votará nunca no PSDB por considerá-lo fascista; ao passo que o eleitor extremista de Bolsonaro não votará no PSDB por considerá-lo comunista. E as reações dos extremistas, após o FHC ter feito ilação de que o PSDB poderia fazer aliança com o PT, foram muito engraçadas. O PT acha que o PSDB é bobinho por ter sido manipulado facilmente porque não compreendeu a estratégia social democrata, que é justamente fazer o PSDB ser o partido de centro que abre conversa com todo mundo. Já o Bolsonaro [que já comentou que mataria FHC e uns 30 mil] logo reagiu ao denunciar que PT e PSDB são comunistas e por isso estão juntos, esquecendo que, agindo assim, mostra-se para o eleitorado em geral como sendo extremista – e por isso não adianta banho, tosa e rivotril em dia. Com isso, o PSDB está fazendo o jogo que fora decidido pelos correligionários meses atrás [artigo escrito por mim no fim deste texto], e vencendo todas as etapas da estratégia, por incrível que pareça, que vai desde conseguir o cardume do centrão até fazer os extremistas se perderem pela própria ação e reação, ao reagirem de forma errada e sem parar.

Deste modo, o PSDB é o centro das atenções. Nesta espécie de heliocentrismo social democrata, todos os objetos orbitam em torno do sol tucano. Neste sentido, quando o PT aceitou conversar com o PSDB, ao fazer ilações sobre possível aliança entre os dois partidos, o PT nada mais fez que referendar as ideias tucanas, que só uma boa conversa resolve questões gerais, que o partido do centro tem razão, dando força para os tucanos sem nem mesmo saberem que fizeram isso. Ou seja, o PT ao perder o próprio brilho, não é mais uma estrela, tornou-se um objeto que foi inçado pelo campo gravitacional tucano. E o Bolsonaro, ao não querer conversar com o centrão, mostra-se apenas como um objeto errante vagando pelo vácuo politico e que vai, uma hora ou outra, por estar em desacordo com a harmonia do campo gravitacional político, fazer colisão que gerará caos.

Neste ponto de vista político, o centro gravitacional do PSDB já atraiu bandeiras de minorias sociais [negros, mulheres, gays], dialoga com setores conservadores da sociedade [como igrejas evangélicas e católicas], além de ter conseguido conquistar o mercado em geral, por ser o único ente confiável nesta corrida eleitoral. É está força uníssona que fará o PSDB ir para o segundo turno deste sufrágio, e, assim sendo, ganhará o pleito para o alívio geral da nação. Por este motivo, a questão de fechar com o centrão não foi só questão de tempo de TV, mas o poder conferido por vários meios para se chegar ao objetivo que é vencer a eleição.

Além disso, continuando a linha de raciocínio, é lógico que se o observador é extremista, ele estará mal posicionado e também tenderá a ser míope sobre questões plurais da política nacional, pois terá só como viseira a sua visão de mundo, que é bem limitada por não conseguir observar de maneira holística as partes que se fazem o todo. E não entenderá que o PSDB, ao se alinhar com todo mundo, está somente mantendo a estratégia de não ser extremista e de que quer abandonar a polarização ideológica, que é mais nociva que a polarização partidária porque é mais sentimental e poderá gerar até revolução [sangrenta].

A única pedra no sapato dos tucanos não vem dos adversários, mas da boataria em era de internet e rede social. As eleições deste ano estão sofrendo influencia das redes, em que a comunicação tradicional está sofrendo um baque diante da concorrência em dissipação de informação. Mas como nem tudo é maravilhoso, o sistema anárquico das redes faz com que as teorias da conspiração se propaguem e que os extremistas surfem na ignorância do eleitorado em geral. Narrativas como: “Moro é tucano fascista e agente da CIA” ou “O PSDB é comunista e faz parte do URSAL” concorrem com informações responsáveis, verdadeiras e reais. E, em muitos casos, por causa da falta de ponto de vista racional do eleitorado, a teoria da conspiração, na internet, pode até vencer um fato. Sem falar nas fake News (a única arma possível de extremista) que assassinam reputação dos políticos ilibados, como no caso do Alckmin, em que tentam macular a imagem do tucano com peças mentirosas como sendo “ladrão de merenda” ou “santo”. Mas, se este mecanismo ganhar, se a mentira prevalecer, a obviedade é que o povo está com problema e não há mais salvação.  E, neste cenário, perder eleição é até livramento.

Mas o eleitor em geral, que faz parte da maioria silenciosa, até agora não se inspirou nem contagiou em fazer parte dos extremismos de PT-Lula e Bolsonaro, por isso que ainda há uma grande parcela do não-voto, mostrando que ainda há salvação para que a polarização ideológica não tenha sucesso nesta e nas próximas eleições. E é exatamente este nicho que o PSDB está buscando, o nicho daqueles que estão afastados de ideologias extremistas, que só querem para o bem deles e do Brasil prosperidade e um país que todos possam se orgulhar.

Portanto, o observador que tem bom ponto de vista, que não está de antemão de um lado político só por questão sentimental, nem tem cegueira extremista, sabe com precisão, que só o PSDB, a partir de 2019, poderá governar. Caso contrário, pelo extremismo em voga, a tendência é que a crise seja prolongada até o próximo sufrágio, em 2022 - se houver próxima eleição. Mas o PSDB é otimista e os tucanos acreditam que dá pra vencer esta eleição com a narrativa centrista desde já. Além do mais, posicionar-se no centro do espectro político é uma maneira de fugir do extremismo, mas também é uma lógica de longo prazo, em que o PSDB está de olho também nas próximas eleições. A polarização partidária findou-se. A polarização ideológica também não vingará – porque não é bom para o Brasil. 

Vamos conversar?


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Geraldo Alckmin – 45 – Presidente!


Textos que já referendavam a estratégia tucana neste sentido: 
http://efeitoorloff.blogspot.com/2018/03/psdb-o-partido-de-centro-na-eleicao-2018.html

http://efeitoorloff.blogspot.com/2018/03/geraldo-alckmin-45-presidente.html

http://efeitoorloff.blogspot.com/2018/03/cromatismo-politico-paleta-de-cores-dos.html










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