Bolsonaro: Orçamento Base-Zero. É Piada?
Por: Júlio César Anjos
Em
carta de intenções (Panfleto ideológico para quem acredita na existência URSAL) que o Bolsonarismo insiste em chamar de programa de governo,
o líder da extrema-direita quer trazer a ideia do orçamento base-zero como ferramenta de
Estado. É piada?
Base-zero
foi um programa orçamentário criado por Jimmy Carter, sendo abandonado pelo Ronald Reagan
porque o modelo fracassou. De acordo com ¹Widalski: “Em nenhum lugar, o
verdadeiro Orçamento base-zero (OBZ) foi praticado”.
O
Orçamento base-zero foi um programa que visava expelir o orçamento-programa
PPBS (Planning, Programming, Budgetting System) desenvolvido pela ONU. Ou seja,
já naquela época de guerra fria, o cunho da substituição de ferramenta orçamentária era de natureza ideológica e não
racional.
Só
que, pelo fato histórico, o PPBS [só lembrar que na época do Delfim, do "milagre econômico", o programa era próximo ao da ONU] foi mais eficiente que o OBZ, em que este era
um programa de empresa privada – que visa lucro -, ao passo que o Estado visa
bem-estar. Este descompasso fez o OBZ fracassar. Até porque, se países visassem
lucro, qualquer programa orçamentário serviria porque todos seriam enxutos na
gênese.
O orçamento base-zero fracassou em um país como os EUA, que é descentralizado, com
constituição super-enxuta, sendo a maior potência mundial. E nem assim o
orçamento base-zero teve um mínimo de sucesso.
O orçamento base-zero só seria imaginável em um ambiente como a era pós-64, da
ditadura militar, em que havia os atos institucionais (como constituição ditatorial)
e o congresso bipartidário, sendo o MDB biônico (sem oposição). Mas mesmo assim
fracassaria, pois fracassou nos EUA.
Com
a constituição que se tem hoje, diante o quadro de instituições como braços do
Estado, centralizado do jeito que está o Brasil, o programa base-zero já nasceu
de umbigo roxo. Já nasceu natimorto.
Esses
doidos da extrema-direita deveriam ao menos copiar o programa de governo do Reagan,
que, embora um acochambre (gambiarra) do orçamento base-zero do Carter, ao
menos tinha alguma lógica racional. Mas mesmo assim, vale lembrar, o Reagan fez
a dívida pública americana estourar. Portanto, nem o programa do Reagan serve
para ser copiado para reduzir déficit orçamentário brasileiro atual.
Portanto,
diante do que ele está falando e querendo fazer, Bolsonaro não é Trump; Bolsonaro
é Macri. E logo-logo o Brasil estará nas mãos do FMI.
Solução? Para mudar drasticamente um programa
orçamentário só com uma nova constituinte. Enxugando a constituição é possível
fazer o orçamento ser mais flexível. Caso contrário, respeitando esta
constituição (como consta na carta de intenções de Bolsonaro), mas querendo
mudar drasticamente o orçamento, a lógica é ruptura. E ruptura significa caos. Bolsonaro está enganando você.
Realmente, seria melhor se não tivesse publicado um "programa de governo".
Alguém
avisa o Bolsonaro que estamos no século XXI.
CONCLUSÃO: BOLSONARO QUER IMPLANTAR O PROGRAMA ORÇAMENTÁRIO DO CARTER (BASE-ZERO) QUE ATÉ O REAGAN ENXOTOU!
CONCLUSÃO: BOLSONARO QUER IMPLANTAR O PROGRAMA ORÇAMENTÁRIO DO CARTER (BASE-ZERO) QUE ATÉ O REAGAN ENXOTOU!
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Obs1:
Essa extrema-direita está presa nos anos 70, vendo comunismo em tudo, criando
essas paranoias que são até caricatas.
Obs2:
Esse orçamento base-zero tirado da cartola faz-me acreditar que o EUA está
querendo interferir na nossa política nacional. Alguma coisa está dizendo isso.
É só um feeling.
Obs3:
Cadê os instruídos que votam em Bolsonaro para discutir sobre?
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Fonte:
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Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.

O impressionante é que ninguém até agora perguntou sobre o orçamento base-zero ao Paulo Guedes, mecanismo que consta no "plano de Governo" de Bolsonaro, que funciona na iniciativa privada, mas não funciona na esfera estatal.
ResponderExcluirO orçamento base-zero não funciona na esfera estatal porque no Estado há um histórico pesado e uma constituição engessada [aspecto legal] que impede que essa ferramenta seja utilizada.
Esse bobalhão está fazendo chacota da nossa cara, não é possível.