O Macaco fez Pollock ou o Pollock fez Macaquice?
Por:
Júlio César Anjos
Recentemente,
surgiu no noticiário a grande surpresa da porca pintora. A porquinha virou
sensação por fazer rabiscos em uma tela e com isso adquiriu projeção, mídia, e
até os seus quadros ganharam monetização, o que quebra a ideia de Marx que só o
trabalho gera valor das produções. Do
mesmo modo, tem-se o Chimpanzé Brent, o mais conhecido dentre os macacos
pintores. As suas pinceladas surpreendem o mundo da arte. Outro fato curioso é o
“trabalho” executado pelo e-David, o robô pintor que produz verdadeiras
fotografias, de tão bem definidas pela precisão mecânica. E, por fim, o
prolifico Pollock, um bem-sucedido pintor, fez obras tão elevadas que são
incompreensíveis até hoje. Mas, afinal, estes entes são artistas? O que eles
fazem é considerado arte? Há que analisar os casos para compreender se estes seres são artistas ou não e se tais realizações são artes ou não nestas produções consideradas abstratas (até demais).
Primeiro,
a definição de arte. Como já explicado neste blog, arte é toda e qualquer
criação feita pelo homem. A arte surgiu nos primórdios, na arte rupestre, em
que se empilhava pedra para fazer casa, friccionavam-se pedras uma na outra
para fazer fogo, utilizava-se de lapidação de pedra pra fazer arma, e fazia-se
pintura nas cavernas para comunicação. Em todos os casos, há a condição de
interação de homem para homem e a separação do natural e o artificial. Ou seja,
arte sempre teve e sempre terá cognição, comunicação e utilidade. E para isso
traduz-se do latim como habilidade e/ou técnica. E como requer técnica e
habilidade, tem que ter uma lógica para poder se fazer réplicas ou reproduções
daquilo que foi criado e considerado arte.
Pollock,
o mais conhecido pintor expressionista da atualidade, famoso pelas suas
pinceladas “viscerais” e sua técnica (sic) refinada, ganhou status por quebra
de paradigma da arte. Afinal, arte é também para provocar, chocar e tornar o
compreensível em teoricamente incompreensível.
É tão difícil a obra de Pollock que até hoje ninguém consegue decifrar
com exatidão a sua definição em tela. Diante da impossibilidade de reproduzir
as suas obras, Pollock defendia-se das críticas ao dizer que as rajadas de
tintas são explosões de sentimento naquele dado momento e por isso é impossível
repetir a técnica para fazer outro quadro parecido. Ou seja, os quadros de
Pollock pecam naquilo que é básico para ser considerada arte: comunicação,
habilidade e/ou técnica ao fazer produções.
Agora,
o que poucas pessoas sabem é que Pollock estourou em fama nos anos 50, período
em que o Comitê de Atividades Antiamericanas, embora fundada em 1938, teve o
seu peso maior de repressão sob o monitoramento macarthista. Neste período de
guerra fria, os comunistas faziam muitos negócios ilegais no ocidente e,
também, muitas lavagens de dinheiro para sustentar a máquina soviética. Sendo
assim, não é de duvidar que as obras do Pollock, mesmo o autor nem sabendo
deste ardil [ou seja, mesmo sendo inocente], talvez tivessem sido usadas para
virarem peças para a corrupção, por meio de bolha financeira. Além desta bolha,
este aumento de valor artificial por causa do crime, “valorizar”
artificialmente uma obra “confusa” poderia jogar, também, toda a arte americana
em direção à lata de lixo da degradação cultural, ao fazerem esta tática
desconstrutivista no ocidente. O aumento valoroso das obras de Pollock foi artificializado
de maneira geral.
Quanto
aos animais e o robô serem artistas, isso deriva da confusão àqueles que nem
sabem mais o que é arte. Como explicado anteriormente, arte é algo que se
desprende do natural pela criação do artificial, mediante cognição do homem. Os
animais e o robô são apenas instrumentos do homem, ao fazerem esta pintura em
tela. Os animais, pelo behaviorismo introduzido por Pavlov e Skinner, ou seja,
os bichos fazem as obras porque foram treinados e sugestionados, pelo homem, a
fazer tais conteúdos; enquanto que o robô é programado, pelo homem, para fazer
desenho. Simples assim. Espontaneamente, estes entes não possuem técnica e/ou
habilidade em fazerem nada de livre espontânea vontade. Não são artistas e
ponto final.
Portanto,
o macaco fez Pollock ou o Pollock fez macaquice? É óbvio que o Pollock por não
conseguir por meio de técnica e/ou habilidade reconstituir reprodução das suas
obras fez macaquice ao não ter criado arte. As obras do Pollock pecam por não
terem comunicação nem utilidade – a única utilidade da obra de Pollock é de
questão somente estética de decoração de interior. E só. Apesar das obras do
Pollock serem consideradas valiosas, o fato é que arte não é definida só pelo
seu teor comercial, ela tem que referendar ao menos uma ideia, uma história ou
uma projeção de algum pensamento de alguma forma, o que necessariamente não é
encontrada nas obras de Pollock. Porque arte é: toda e qualquer criação feita pelo homem. E Pollock não criou nada.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.


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