Nenaz: Neonazistas do Século XXI

Por: Júlio César Anjos

Assim como o comunismo atual é díspar do comunismo soviético de 1917, o Neonazismo de hoje é diferente do Nazismo de Hitler do período anterior à segunda guerra mundial. Entretanto, os Nenaz – abreviação para Neonazistas do Século XXI – defendem-se do rótulo deste viés extremista pela esquiva retórica, estereótipo pitoresco, e a ocultação da própria existência pela primazia da essência sobre a forma.  É por isso que: “Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será sempre sua presa” [Schopenhauer]. O perigo Neonazi está crescendo de forma exponencial. É preciso conter este avanço desde já.

O comunismo [socialismo] no Brasil é materializado em Socialistas que usam Iphone [Fetiche], Esquerdistas que comem Caviar [Burguesia] e LGBT’s que apoiam ditadores da esquerda que mataram homossexuais no passado [Che Guevara, Lenin, Stalin, e etc]. A explicação para este fenômeno deriva de que o comunismo reformou-se para manter-se vivo nos ditos países democráticos ocidentais. Afinal, se este viés se apresentasse de forma pura, como na sua gênese do extermínio em massa, a impopularidade desta bandeira faria esta vertente inexistir. A mesma coisa acontece com o neonazismo do dia atual.

O neonazismo de hoje faz coalizão com judeu, suporta até certo ponto a miscigenação, não é expansionista, muito menos revolucionário. Porque o Nazismo Cultural é similar ao marxismo cultural, em que se defende de rejeição pela primazia da essência sobre forma. Diante desta tática, a essência mantém-se ao natural; e a forma modifica-se com o passar do tempo. Por este motivo que o neonazismo de hoje trocou o expansionismo territorial por defesa de limítrofe. Também trocou a perseguição aos judeus e negros, até mesmo eslavos, ou seja, todo aquele que não fosse germano, por ser somente contra migração [que no fim, é quase a mesma coisa]. E abandonou a Estética da Revolução para aderir somente a Estética da Agitação, nos ditos países democráticos ocidentais.

Como a forma varia, embora a essência seja a mesma, o neonazista atual, bem como o comunista de hoje, defende-se de críticas pela sua inexistência formada por meio de estereótipo pitoresco, que age como escudo da clandestinidade a serviço deste viés ideológico. Então, assim como o movimento LGBT, por exemplo, cria a caricatura de que o comunista é somente aquele sujeito “peão de firma”, sindicalizado, que sempre atenta greve, estereotipado como proletário, o mesmo se dá com o neonazismo, em que criam o espantalho de que o neonazi é somente o “redneck”, aquele tipo americano branco do pescoço vermelho. Ou seja, se o neonazista é apenas o estereótipo pitoresco do redneck, então o nazismo não existe por sua insignificância deste segmento em questão. Portanto, a extrema-direita usa a mesma lógica da extrema-esquerda para disfarçar a sua plumagem de lobo em pele de cordeiro.

Esta tática de dizer que a essência é a forma, ou seja, que somente o “redneck” é neonazista, assim como só o proletkult proletário é comunista, é uma forma de despistar os críticos a fim de enganar a massa e passar como algo inofensivo àquilo que é extremamente nocivo: O extremista bom moço. Após o controle material desta estética, avança-se, assim, na narrativa, ao criar-se esquiva retórica.

A esquiva retórica é o ato argumentativo de desviar da premissa porque utiliza a forma como essência. Neste caso, o neonazismo não existe, já que não há grupos políticos abertamente caçando judeus, propondo expansionismo territorial, ou segregando uma região por etnia. É neste momento que uma pessoa, por exemplo, negra em país democrático ocidental, embora tenha a essência neonazista, defenda-se desta crítica dizendo que não é neonazista porque o nazismo caçou negro – defendendo a tese por ele ser negro – e se não caça mais negros não existe mais.  É tão absurdo quanto se o Jean Wyllys dissesse que não existe mais o comunismo porque esta vertente perseguia gay, sendo que ele é gay, então, conclui-se não ser comunista, portanto o comunismo não existe mais.

O neonazista de hoje é convidado pela hebraica, abraça gay, faz amizade com negro, e até submete-se à democracia. Mas este mesmo neonazista só defende o cristianismo, em que: “não tem historinha de estado laico, não”, diz que: “filho gay cura na base da pancada”, argumenta que: “quilombola não serve nem pra procriar”, e que “através do voto, não vai mudar nada neste país”.  Portanto, o nenaz (neonazi) apenas modificou-se à democracia e ao modelo a ser apresentado neste período, ao estar no século XXI e ter que suavizar a narrativa e o discurso populista, porém desconectado, por hora, de revolução.

Por isso que o neonazista, assim como o neocomunista, deixou de lado a “Estética da Revolução”, em que seria preciso, caso necessário fosse, até mesmo matar para conseguir alcançar os objetivos; para aderir à “estética da agitação”, em que, na democracia, utiliza-se somente de táticas para provocar, causar, agitar o meio político pela bandeira extremista, no conhecido dividir pra conquistar. O extremista de hoje comete crime de discurso de ódio, mas, sob o domo da democracia, defende-se desta infração pela alegação de “liberdade de expressão”. Enfim, os nenaz - neonazistas do século XXI - confundem constantemente indignação com ódio. É por isso que, nos EUA, Roger Stone prospera em fazer Trump um político, e Bolsonaro no Brasil é considerado por alguns como uma espécie de mito.

Mas, afinal, qual seria então, a essência do neonazista atual? A essência é a mesma criada pelos três pilares de Hitler: 1) Patriotismo Exacerbado; 2) Fundamentalismo Religioso; 3) e Fiscalismo Conservador. Esta nova regra reformada, que repagina o neonazismo no mundo, aplica-se em qualquer lugar do planeta. E como adapta-se em qualquer lugar, então tem condição de alimentar-se e crescer na democracia ocidental. Ou seja, esta essência neonazista pode travestir-se de califado, de monarquia e até mesmo de democracia, desde que este chefe de estado seja autoritário, beirando ao totalitarismo. Por isso que no neonazismo não se importa com o molde, só se importa é com o espirito deste ideal.

Portanto, o neonazista de hoje utiliza-se de artimanhas para manter-se clandestino, com as ferramentas da primazia da essência sobre a forma, estereótipo pitoresco, esquiva retórica, além de utilizar a Estética da Agitação, ao invés da Estética da Revolução, para adaptar-se às regras do jogo conferido nos ditos países democráticos ocidentais. Caso apresentassem a vendeira face, ao serem revolucionários, seriam rejeitados de prontidão. Então, camuflam-se pelas bandeiras extremistas porque a democracia aceita toda e qualquer liberdade de expressão. Os neonazis são populistas, são perigosos, e buscam a dominação para, assim como o comunista almeja, aumentar o poder total. Só que o nenaz é pior que o comunista, pois, como clandestino, finge-se não existir.

Estética Revolucionária x estética da Agitação




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