A Tragédia do Especialista. Ou: O Leigo que Geriu o Plano Real
Por:
Júlio César Anjos
O
Plano Real foi um bem-sucedido programa criado para conter hiperinflação, concebido
por um Sociólogo Ministro da Fazenda, o senhor Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Mas como que um mero professor de sociologia poderia fazer o mais bem-sucedido
controle monetário da história deste país se não possuía nem mesmo expertise em
economia? Foi sorte ou genialidade? O
fato é que o plano real está em vigor até hoje, sobrevivendo até mesmo gestões
petistas [infelizmente, a moeda está ficando fraca por causa
destes anormais na política]. O fenômeno do leigo que geriu o Plano Real pode
ser explicado pelo o que é dito de: A tragédia do Especialista. Que será
explicado aqui.
O
ano é 1992, Collor foi destituído, e Itamar Franco assume o poder no Brasil, em
que o presidente playboy caiu por causa de alegação de corrupção devido a um
Fiat Elba mal explicado [Na verdade, Collor caiu porque saqueou a poupança e
overnight]. Itamar Franco, presidente que caiu de paraquedas, então começa a
fazer a montagem de governo, ao ter que distribuir os cargos e as pastas aos
correligionários. Nesta nova composição de chapa, num governo provisório e
interino [igual a este do Temer], Itamar resolveu ofertar o Ministério da
Fazenda para o professor de Sociologia Fernando Henrique Cardoso. Fez algo
errado, mas que no fim deu certo.
Hoje,
quem comanda a pasta do Ministério da Fazenda é o Henrique Meirelles,
especialista renomado, que já fora outrora economista no governo Lula. E isso é o certo a fazer. Afinal, a pasta do
Ministério da Fazenda tem que ser preenchida por um economista ou um empresário
que entenda de economia. Este negócio de colocar qualquer um nesta pasta é sandice
que só acontece em momentos como o vivenciado na era Itamar, em que o desespero
político sobrepôs à lógica de governabilidade. Portanto, a regra determina que:
No Ministério da Fazenda, o Ministro seja Economista e/ou Empresário renomado.
Mas
o FHC foi bem-sucedido na pasta e controlou a inflação com primor. Como pode
uma coisa dessas? A resposta é simples: Não olhe o sucesso de FHC, mas observe
os outros 6 planos que fracassaram e vejam que todos eles possuem uma coisa em
comum: A Tragédia do Especialista. Os planos são: Plano Cruzeiro (antes de
1986), Plano Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989), Collor I (1990) e
Collor 2 (1991). Aí veio o URV (1992), o ovo que incubou o Plano Real (1994),
moeda definitiva que até hoje está em vigor.
Tirando
a exceção do Plano Cruzeiro, em que o Ministro da Fazenda era apaniguado dos
generais [desde Getúlio até o fim da Ditadura Militar – não é teoria da
conspiração], nos outros planos o Ministro da Fazenda era Economista ou
Empresário. Veja só: Funaro [Cruzado], Bresser [Bresser], Mailson da Nobrega
[Pano Verão], Zelia Cardoso de Melo [Color 1 e Color 2]. E que fique claro de antemão que, por falharem,
eles não são vilões, nem mesmo incompetentes, somente não tiveram
compreensão holística da dinâmica da moeda e, por isso, “fracassaram”.
A
Tragédia do Especialista consiste na situação em que o especialista, ao
monopolizar tudo, por vários motivos como: egocentrismo, orgulho, narcisismo e
etc., tal defeito faz com que este especialista ignore outras vertentes de
pensamento e mantenha convicção em uma posição, mesmo que esteja errada, por causa
da sua postura “superior” de Especialista no assunto. Ou seja, Pensa sozinho,
erra sozinho.
E
é neste ponto que o FHC era/é bem-sucedido. Por ser leigo, só restava ao FHC ser
humilde e procurar, mesmo que estes profissionais fossem contrários à sua
ideologia, tais profissionais a resolver o problema que era até mesmo
centenário [o Brasil sempre teve hiperinflação]. Ou seja, FHC agrupou uma
espécie de "junta de economistas", dos mais renomados na época, uns diferentes dos
outros, que se fecharam em uma sala e debateram, discutiram, brigaram, mas que,
no final, tudo deu certo porque pariram o Plano Real. Alguns dos notáveis economistas do Plano Real,
cita-se: Persio Arida, André Lara Resende, Francisco Lopes, Gustavo Franco,
Pedro Malan, Edmar Bacha e Winston Fritsch e Clóvis Carvalho [Ciro Gomes só
surfou no que já estava pronto – essa é a verdade].
Mas, aí, alguém dirá: “Ah, mas então não foi o
FHC que fez a moeda”. Eis que se responde: Sim, foi o FHC! Pois, se o FHC fosse
obtuso e só escolhesse os economistas que ele gostava ou que fosse alinhado ao
que ele pensava, com certeza o Plano Real não teria sucesso. Saber ser humilde,
saber conversar, ser paciente, atencioso é algo tão grandioso quanto ser
especialista em alguma coisa, por incrível que pareça. Portanto, FHC foi político.
E sendo político, por meio desta ferramenta que muita gente diz hoje em dia
ser/estar suja, conseguiu melhorar a condição do Brasil como um todo, ao levar o
Brasil ao patamar de economia organizada, pois, na hora certa, “chamou para o
pau” o congresso, para a casa legislativa aprovar o plano. Enfim,
é tudo culpa do FHC!
Portanto,
que os presidenciáveis comecem a pensar na possibilidade de nomear na pasta do
Ministério da Fazenda um economista especialista, mas também recrutar um time
de outros economistas das mais diferentes vertentes a fim de aconselhar o Ministro,
para que se evite a Tragédia do Especialista e, com isso, o país possa rumar
num novo patamar de prosperidade e evolução. E, também, vale sempre ressaltar, a criação da moeda
bem-sucedida é tudo culpa do FHC. Afinal, ele foi o leigo que geriu o Plano
Real, ao ser culpado de ser humilde, paciente, articulador, ou seja, político
ao transformar o que era impossível - acabar com a hiperinflação – em possível – ao
controlar a inflação.

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