Lei dos Migrantes – "Soberania"
Por: Júlio César Anjos
Que
se recorra, agora, ao dicionário para saber o que significa soberania, pois,
muitos contrários que dizem que a lei dos migrantes afeta tal sentença, não
entendem nem mesmo o significado da expressão que proferem até mesmo à revelia.
Segundo o dicionário, o conceito de soberania é: “s.f. Qualidade de Soberano;
poder supremo; autoridade de soberano ou príncipe; autoridade moral;
propriedade de um Estado de ser uma ordem suprema, que não deve a sua validade
a nenhuma outra ordem superior; conjunto dos poderes que constituem uma nação
politicamente organizada.” Portanto, diante o verbete, esse termo é totalmente
obsoleto a ser utilizado no século XXI.
A
lei dos migrantes de maneira nenhuma afeta a soberania do Brasil, pois o
conceito de soberania hoje nem mesmo é igual ao significado existente no
passado – para dizer que o termo não existe porque se findou. E como não é
igual ao que existe no passado, esse termo nem mesmo faz sentido para questões
de discussão (porque vira papo de louco). Soberania é algo relativo a reis e
reinados que faziam fortes, enjaulavam o povo encastelando as pessoas como
gado, ao fazer guerras contra outros principados. É Hobbes ad hoc. Neste conceito de povo fechado, de idade das
trevas em que a evolução humana tartamudeou por milênio, além dos conflitos intermitentes
e falta de humanidade em voga, tal cenário neste sentido pode significar que
tal pessoa queira a volta da idade média em pleno século XXI, pois tem como
jargão político até o termo “soberania”. Hoje, o que se tem é conceito de
nação, divisão territorial por mapa político, agrupamento de um povo de maneira
pacífica, diante instituições e corpos legais estabelecidos, em que são
assinados o “pacto social” e o “pacto jurídico”, seja por ter o direito natural
de nascer, seja por ter o direito de ter a certidão de nascimento e ser
considerado cidadão. Portanto, soberania não existe.
A
lei dos migrantes, mesmo se tal norma tivesse o poder, não conseguiria acabar
com a “soberania”, pois é uma lei acessória. Se estivessem mudando a
constituição, aí sim poderia haver alguma dúvida em relação à mudança ao
conceito de nação, trazendo o patriotismo em voga, pois seria ataque naquilo
que é entendido como pátria. Só que, se o leitor estudar, vai ver que até mesmo
para mudar a nação, há a necessidade de mudar a os seus usos e os costumes, e
não é um papel que determinará o fim da cultura brasileira porque ataca
“soberania nacional”. Neste sentido, para critério de exemplo, Gorbachev, certa
feita, quis acabar com o consumo de vodca na Rússia na caneta, por lei. Mas,
diante fracasso, só o que o ex-presidente russo conseguiu foi criar impopularidade
como governante, sendo que até hoje os russos bebem vodca à vontade. Se um povo
não quer mudança cultural, esqueça, não é um papel que fará isso. Aliás, o povo
tem força para revogar a lei da migração não porque tem “soberania”, mas porque
tem o poder de decidir o que é ou não é aceito em determinada nação. No século
XXI o soberano não tem mais poder, pois o poder emana do povo.
Diante
a história, o que se viu é que mudança cultural sempre se fez primeiro por
guerra, ao fazer dominação territorial, impondo ao povo derrotado a sujeição de
cumprir as leis impostas pelo invasor vencedor do combate. E não ao contrário,
como uma lei acessória fazer mudar uma cultura de um país, ou derrubar a
“soberania” porque um inútil criou um documento legal. Até porque, em 2019,
haverá uma renovação nos poderes e a lei poderá ser modificada de novo, daqui
pra frente, caso aconteça esse apocalipse que a direita xucra prega na lei da
migração. Essa lei não é uma cláusula pétrea. Ela pode sofrer mutação. Agora, o
que não pode é manter uma lei obsoleta dos anos 80, que foi gerada sob os
acontecimentos na dada época (ditadura militar), sendo esse documento
totalmente desatualizado aos anseios e às evoluções atuais.
Além
disso, quem geralmente é contra a lei de migração, e que também profere a
expressão “soberania”, é muito adepto ao isolacionismo, em que desejaria não só
a implantação de uma descentralização do pacto federativo, dando “autonomia”
para os estados, como também são favoráveis até mesmo ao separatismo. Tais
grupos são adeptos ao estilo de acastelamento medieval da idade das trevas. São àqueles que, por exemplo, culpam os
estados pobres de estarem “roubando” o estado rico, diante do orçamento equitativo
da união, assim como, também, são pessoas favoráveis até mesmo ao movimento o “sul
é o meu país”, e que não compreendem que esse fechamento depressivo de isolamento
é prejudicial como um todo, não só ao estado, mas também à política de
bem-estar social. Para ilustrar uma analogia piegas, estes grupos defendem mais
os muros do que as pontes, mais as segregações do que as uniões. Diante disso,
assim como, por exemplo, no aspecto de pensamento dos extremistas
isolacionistas, o nordestino “rouba” emprego e vagas públicas do sulista, ao
migrar pro sul, fazendo um “nós contra eles” entre regiões do país, tal argumento
é o mesmo para apoiar a ideia de que a lei de migração faria um tsunami
demográfico, roubando “direitos” dos brasileiros, sendo o mesmo devaneio que se
passa na cabecinha do extremista de plantão. É sempre a mesma narrativa e
ilustração.
Portanto,
o conceito de soberania não existe porque a idade das trevas e também do
feudalismo ficaram presos no passado, sendo sepultados pelo mausoléu da
história. Uma lei acessória como essa dos migrantes não tem o poder de mudar os
usos e costume do povo, muito menos acabar com a ideia de nação de um território
qualquer, pois papel não inibe e nem incentiva certas situações tradicionais de
um povo. Além disso, em 2018 haverá eleições e o povo poderá mudar essa lei,
após fazer renovação de congresso e presidente, pois esta norma não é uma cláusula
pétrea. Os contrários à lei da migração também pregam de forma escancarada, com
minoria que defende de forma velada, o separatismo das regiões do Brasil. Essa
lei também é para fins humanitários, coisa que a direita isolacionista não sabe
o que significa – pelos motivos citados. E, por fim, os extremistas da direita
acreditam fielmente que haverá um fluxo migratório elevado, um tsunami
demográfico, sendo mais otimistas até mesmo que os autores da lei da migração. O
extremista é realmente um sem noção.

Lei dos Migrantes – "Soberania" de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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