O Ataque dos Extremistas Contra o Centrismo

Por: Júlio César Anjos

Na política há os posicionamentos que indicam o viés ideológico de cada partido, bandeira ou agremiação, sendo esta convenção mais ou menos enérgica dependendo da discussão. Diante tais premissas, existem, portanto, de forma simplista e simplória, para critério de definição ilustrativa, a extrema-direita, o centro, e a extrema-esquerda, que defendem seus pontos de vista e suas concepções. Estas cosmovisões mais divergem do que convergem, pois as convicções são até mesmo inexoráveis e isso faz com que os debates fiquem troncados e que não sejam satisfatórios a todos que estejam a argumentar em determinador assunto. Porém, o centrista é mais flexível que os demais, que são relutantes em vários pontos em questão. Neste caso, e se os extremistas, que são inflexíveis, juntam-se para atacar o centro, o que isso significa? Significa que vem problema por aí. É preciso atenção.

Os Players estabelecidos na política hoje são: a extrema-direita: Olavo de Carvalho e Bolsonaro; o centro: os tucanos; e a extrema-esquerda: Lula e o PT.  Devido à guerra político-ideológica, o certo, na CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão), seria que a extrema-direita e extrema-esquerda se digladiassem ao ponto de serem desgastados, com o centro obtendo vantagem por causa desta confusão. Mas, ao invés disso, o que realmente acontece é que os extremos estão se juntando de forma estratégica e pragmática para atacar o centro, seja por questão ideológica, seja por questão de vitória na urna, por critério tático. E que fique registrado também: O PSDB deveria ser considerado centro-esquerda no Brasil. Todavia, não há partido de direita no país, então o PSDB é considerado hoje o partido da “direita” entre os partidos da esquerda da politica. Portanto, o PSDB é centrista. Se o leitor não entendeu ou não acredita nisso, infelizmente não se pode fazer nada, a não ser indicar o Olavo de Carvalho e o Boulos para definirem isso para o interessado em questão.

Diante disso, os extremos, para mitigar o centro, criam neologismos para fazer uma ilustração alegórica na mente do povo, para criar no partido centrista um espectro de vilão. Então, para a extrema-direita fascista o PSDB é “Socialista Fabiano”; enquanto que para a extrema-esquerda comunista o PSDB é “Neoliberal”. Por que fazem isso? Porque o comunista não pode chamar puramente o PSDB de liberal e o fascista não pode chamar o PSDB somente de Socialista, pois soa falso [porque é falso]. Refutar o argumento do PSDB ser socialista ou liberal é fácil, pois basta pegar o que consta na enciclopédia e fazer o cruzamento de informação. Agora, refutar algo que não existe de fato, como o espantalho da caricatura do “socialista Fabiano” e do “Neoliberal” é mais difícil de fazer porque está cruzando informação com algo que não existe. E mesmo se o PSDB fosse este Frankenstein da fusão das alcunhas fornecidas pelos dois extremistas, saiba que o mais notório intelectual “Neoliberal” é Hayek (The Mont Pelerin Society) e o tal de “socialismo Fabiano” é teoria de Bernard Shaw (Fabian Society). Ou seja, não é tão ruim assim, já que são dois pensadores respeitados no mundo até hoje. Portanto, não são vilões.

Mas os radicais estão certos ao menos em um ponto: O PSDB tem um pouco de “neoliberal” (liberal) e de “Socialista Fabiano” (socialista), pois, para os tucanos, entende-se que nos campos variados de pensamentos há pontos positivos e negativos até mesmo nos extremos, e que podem ser utilizados alguns argumentos em gestões públicas para melhor atender as necessidades do povo, melhorar o país de forma geral. Outro fator relevante é lembrar a todos que ao PSDB, a legenda da esperança, é também amigável ao zen-budismo, ao nobre caminho óctuplo, ou o caminho do meio, por isso que é da natureza dos tucanos serem mais fleumáticos, enquanto que causa estranheza o prefeito Dória, por exemplo, ser colérico (porque é ponto fora da curva do partido).

No mais, os extremistas são revolucionários e querem fazer a mudança “pra ontem”, na base até mesmo da pancada, por isso que os extremos, neste sentido, também se unem contra o centro, pois a raiva é oponente da paciência, a brutalidade é inimiga da fraternidade e o ódio é ausência de amor.  Mas o mais intrigante, além da questão filosófica da fleuma ser diferente da cólera, é que os extremos são favoráveis em muitas pautas políticas, como, por exemplo, serem contra as “reformas” do Temer e contra as privatizações, entraves que devem ser desenrolados para melhorar o país. A única diferença entre os dois extremos está na sutileza da narrativa entre seus pares, pois, enquanto a extrema-esquerda diz: “não e pronto”, a extrema-direita diz: “até quero privatização, e reformas, mas não agora e não assim”. Por este caminho, ao menos a extrema-esquerda ainda é mais honesta do que a extrema-direita, por incrível que pareça.

Enfim, o perigo está justamente na convergência do ódio, da revolução, do rancor, do azedume, da amargura, que jogam o debate político no lixo e não cria nenhuma sustentação para que haja base sólida para criar uma nova nação que seja mais fraterna, pacífica, educada, e com bem-estar geral. O extremismo só cria animais. E animais alinhados significam que a revolta está em ascensão. O perigo está no ar.

Portanto, no curso normal da politica, os extremos se matam e isso faz abrir caminho para o centro, que é a linha mais serena, ao conseguir ganhar eleição geral. Porém, em tempos de incertezas, os extremos se alinham para atacar o centro, criando um ambiente de animosidade e imprevisão social. Se os extremistas conseguirem o intento, e, por conseguinte, conseguirem o objetivo de fazer um extremista presidente, a única saída do Brasil, infelizmente, será o aeroporto, pois o país não terá mais jeito. O brasileiro tem que ser otimista e começar a dizer: “não ao extremismo!”. Só assim o Brasil volta a respirar.


 Com serenidade a gente chega lá.

Hayek, principal frase: "Quanto mais o estado 'planeja', mais difícil se torna o planejamento do indivíduo."

Bernard Shaw, principal frase: “Um governo que rouba de Pedro para pagar a Paulo pode sempre contar com o apoio de Paulo.”
  
Obs: A melhor coisa que aconteceu na política foi a criação do mito Bolsonaro. Todos os animais extremistas que estavam no PSDB debandaram do partido. É por causa do Bolsonaro que eu tenho certeza que o presidente em 2018 será centrista.



Licença Creative Commons
O Ataque dos Extremistas Contra o Centrismo de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.


Comentários