As Maritacas da Ditadura
Por: Júlio César Anjos
Houve
ditadura militar no Brasil? Segundo os fatos, houve sim. Mas para as Maritacas
barulhentas que mexem e se remexem sem parar, o que houve foi só um regime, ato
de reger que tais entusiastas saudosistas solicitam e suplicam pela sua volta,
diante pedido até mesmo por intervenção militar. A democracia não é linda? É
por causa da liberdade, que significa não haver censura sem parar, que as Maritacas
não param de matraquear.
Um
desafio às Maritacas entusiastas da ditadura de regime militar: se não houve
ditadura na época do regime militar, então o leitor deve por obrigação citar
cinco episódios históricos que o legislativo foi contra o executivo e cinco
episódios que o judiciário foi contra o presidente vigente na época. Onde
estava, por exemplo, o legislativo e judiciário no fatídico Ato Institucional
Cinco (AI-5)? Se o leitor não conseguir citar tais divergências, sendo que a
ditadura militar durou incríveis 24 anos, é porque o legislativo e o judiciário
eram bovinos na época, então é factível dizer que houve, sim, no Brasil, ditadura
Militar.
Ditadura
significa os três poderes de Montesquieu condensados para proveito de uma só
pessoa: o ditador, que é o ser que dita regra para toda a civilização ao
dispor. Isso não se confunde, por exemplo, com eleição nem com período de
vigência, pois pode haver ditador que ganhe até mesmo eleição na urna (a eleição
nesta época era indireta), assim como não importa ficar um dia ou de forma
vitalícia no poder, pois a ditadura, como explicado mais uma vez, significa os
poderes concentrados em uma pessoa: o ditador. Do castelo Branco ao Figueiredo,
todos os “presidentes” foram ditadores em seus respectivos mandatos, pois todos
tinham o legislativo e o judiciário comendo em suas mãos.
Sendo
assim, por causa da “linha dura” da doutrina, é muito fácil reunir pessoas em
uma sala, sentar confortavelmente na cadeira presidencial, tirar a arma do coldre
e coloca-la em cima da mesa, para só assim perguntar: “O que ‘vamos’ decidir
hoje?”. Sabendo que esse presidente faz parte de uma gangue chamada
exército, tendo “liberdade” para determinar o que quer que seja, infelizmente a arma
é argumento final para qualquer tomada de decisão. Ou como diria Mao Tsé-Tung: "O poder político vem do cano de um revolver". Por isso que é fácil
entender a força da arma como objeto intrínseco e intangível de símbolo de autoritarismo. Diante disso, nesta situação, quem ousaria ir contra tal “presidente”? A
resposta é: ninguém em sã consciência; a não ser aqueles revoltados guerrilheiros
que estariam dispostos a atacar esse regime na bala, como contraponto de oposição.
Mas
o pior mesmo é saber que há Maritacas da ditadura que discutem sem parar o
saudosismo de um Brasil que não existiu, exaltando ditadores, criando místicas
sociais, como se o Brasil fosse um Oásis mundial que fora destruída pela
república corrupta e vulgar. Neste sentido, infelizmente os militares erraram,
e muito, tanto nas questões econômicas quanto nas querelas sociais. Algumas Maritacas
são tão Maritacas que se vestem de verde-oliva, vão a quarteis, para pedirem
intervenção militar. São verdadeiros papagaios de pirata, lambe botas de general.
Diante
disso, há de lembrar que havia algumas situações vergonhosas na época como a
falta de controle social, altos índices de mortes em trabalho, início de
aumento de conurbação geográfica desenfreada na disseminação de favelas, elevação
de desigualdade social, além de policiais militares contratados não como
servidores públicos, mas homens normais agentes de segurança, como se o guarda fosse um atalaia do estado policial, modificando este ser ao ponto de gerar um criminoso legalizado pelo
aparato estatal (espécie de xerife da época), mitigando, assim, a
liberdade geral.
Portanto,
como a panfletagem das Maritacas publicadas sem parar, a ditadura militar não
foi essa maravilha toda como é anunciada, tal fato é só uma reminiscência, uma
alegoria de um país que não existiu. Essa extrema-direita tende a sempre se
alimentar de “sabedoria” do Olavo e votar em Bolsonaro, além, é claro, pedirem
intervenção militar. Para ficarem caladas, as Maritacas da ditadura querem uma
ditadura para silenciar. Não é o máximo?

Às Maritacas da Ditadura de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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