Nepotismo

Por: Júlio César Anjos

As instituições não são falhas, pois são entes criados pelos homens, seres que são corruptos por pura e simples concepção de escolha. Então, o homem tem a prerrogativa de renunciar o poder de gerar ou não tal agravo nocivo social. Todavia, no dilema, às vezes, o homem escolhe o desvio de caráter. E um desses vícios chama-se nepotismo, que é favorecer os parentes pela contratação empregatícia em alguma instituição, seja ela pública ou privada, por meio de favorecimento.  Nepotismo pelo aspecto absoluto é imoral por si só. Mas só é previsto na lei em algumas exceções.  O que mostra que nem tudo que é imoral é ilegal; e vice-versa. O nepotista é um fracassado por natureza. O Nepotista é um corrupto por convicção.

Se o Nietzsche estivesse certo em seu pensamento, no aspecto em que o homem deverá ser superado pelo “super homem”, então a expressão: “filhinho de peixe, peixinho é”, seria mudado para “filhinho de peixe, tubarãozinho é”. O que é irônico, dado ao fato que na maioria das vezes os filhos dos grandes astros da humanidade não superaram seus pais, ou pior, nem mesmo eles seguiram as suas profissões. O que leva a outra conclusão, já que não só na casa de ferreiro o espeto é de pau, como também o filho talvez não seja bom em lidar com metal, buscando outra profissão. Para critério de exemplo, Pelé, Ronaldo e Romário tiveram filhos homens que nem perto conseguiram ao menos equivaler em qualidade de aptidão na profissão dos seus pais, quanto mais os superarem, mostrando que vocação não necessariamente seja uma coisa hereditária.   

As pessoas não gostam de nepotismo na esfera pública, por se tratar de algo que seja de interesse de “todos”. Por ser pública tem que passar por escrutínio e, pela escolha, a maioria da população é contra, tal situação vira conduta imoral, em que até leis em algumas proposições são estabelecidas para impedir tal malgrado imputado na sociedade. Diante disso, há uma ocorrência histórica até engraçada, no ano de 1964, nas primárias para a eleição presidencial de 1965, em que teve a seguinte frase de efeito eleitoral: “Cunhado não é parente, Brizola Presidente!”, pois Brizola era cunhado do até então presidente na época João Goulart [E não é mesmo, pois cunhado é o chorume da valeta do capeta]. Mas o fato mostra que o nepotismo não é uma modinha de agora, um valor ético estipulado hoje, pois vem datada até mesmo antes da época da ditadura militar. Não é de hoje que isso é “errado”. Não só errado, mas também indigno.

Todavia, na esfera privada o povo tende a ser mais maleável com essa situação. É a moralidade flexível, uma ética “total-flex”. Para o povo, se a empresa tem que ter lucro para existir, caso esta instituição não dê certo, e a empresa feche a seguir, quem perde emprego é o trabalhador até mesmo nepotista. Ou seja, Como não é de interesse de “todos”, então ninguém liga pela existência ou não de tal empresa em exercício. Mas o jeitinho brasileiro nunca decepciona e as empresas privadas, todas elas com certo percentual de nepotistas no quadro de funcionários, pela ineficiência faz conluio com o estado, após obter prejuízo, para manter o emprego dos deficitários empregados improdutivos. E, neste prisma, pela salvação do estado para os chupins, tal situação passa a ser interesse do povo. Todavia, diante deste quadro, surge a seguinte indagação: Todas as empresas que possuem elevado quadro de funcionários nepotistas são deficitárias? A resposta, infelizmente, é Sim. Pois, se tais trabalhadores não precisassem de conchavo para serem contratados, burlando o sistema de recrutamento e seleção, poderiam até escolher onde trabalhar, sendo funcionários valorosos, em que não precisariam do nepotismo como ascensão profissional. Por isso, a conclusão é que o nepotismo é o Keynes ad hoc: “Desutilidade Marginal do Trabalho”.

Por tais motivos, a concepção disso é um fato e não requer nem mesmo distinção: a hereditariedade não traz a vocação. E a humanidade busca o aperfeiçoamento em sua melhora gradual. O nepotista é um fracassado por definição. Já que não consegue emprego por via normal, que é difícil mesmo, este cidadão entra na vida laboral por indicação familiar, mostrando toda a sua fraqueza em graduação. Portanto, o nepotismo deveria sim, não só pelo aspecto imoral, mas também pela lógica racional, ser proibido também na esfera particular. Porque, se o individuo é contra nepotismo na esfera publica, por questões morais, o mesmo deveria servir para a iniciativa privada, pelas mesmas alegações gerais. Nepotismo, não importa se é publico ou particular, é burlar sistema de Recursos Humanos, é ir contra o avanço social, é ser antiético e imoral na essência. Nepotismo é a pior feição da prática laboral. E por isso, tal defeito tem que ser exterminado.

E, por questão de adendo, não adianta também ir às ruas pedir o fim da corrupção, sendo que é um nepotista, um corrupto moral que não “pede para sair” por roubar o posto de trabalho de outro profissional mais eficiente e honesto, que não usa deste ardil para se empregar.  O Nepotista berra nas ruas: “Fora FHC!”; "Fora Lula!”; “Fora Dilma!”; “Fora Temer!”; e “Fora qualquer outro que vier a ser presidente”. Quer gritar corrupção, sendo corrupto? Aí não dá. O honesto declara: “Fora você, nepotista”. Talvez a crise no Brasil tenha digital também dos nepotistas e toda a sua concepção. Está na hora de refletir.

Portanto, nepotista é um fracassado corrupto que, por vias legais não arranja emprego, e, por isso, tem que burlar o sistema empregatício, dirimindo a importância do recrutamento e seleção. Apega-se no trampinho do parente para fingir ser socializado, para achar ou parecer que é "gente". Todo mundo é contra o nepotismo; mas todo mundo faria nepotismo se desse para fazer. Essa hipocrisia não é realmente maravilhosa? E o pior, tem nepotista ainda a querer apontar defeito nos outros, sem olhar no espelho e ver o que reflete: este ser não passa de um Nepotista! Enfim, se a humanidade deseja evoluir, o nepotismo tem que acabar. Fim do nepotismo, já!




Licença Creative Commons
Nepotismo de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br/.


Comentários