Cassação Temer: All-In
Por: Júlio César Anjos
No
Poker, a expressão All-In designa-se ao fato do jogador apostar todas as fichas
em uma única mão. E, por analogia, a mesma coisa acontece agora, em que são
empurradas todas as fichas na mesa pela seguinte aposta: Temer não será
cassado, não perderá o mandato, será presidente até a próxima eleição. Cassação
do Temer? All-In.
A
principal questão, a saber, é: Quem se beneficia com a queda do Temer agora?
Tirando os honestos, que não seriam considerados honestos (ad hoc) pela
lamparina de Diógenes de Sinope, os principais interessados, pela lógica
narrativa histórica, é somente o PT, fechando o circuito de que Temer seria o
bode expiatório do mal chamado Petrolão. Nesse ponto os bastiões da moralidade
devem temer.
Mas a política também possui a questão
pragmática. E neste sentido, o Temer não cai por causa de três fatores: 1)
Tempo; 2) Armistício; 3) Razão.
Primeiro,
o Temer não cairá porque não há “tempo” para isso. Até a próxima eleição, são
18 meses (um ano e meio) de mandato, não havendo necessidade de tirá-lo do
poder porque a sua saída já está “logo ali”. E derrubar o Temer hoje, sob o
aspecto de favorecer o PT, fará com que o mercado não reaja bem, já que a Dilma caiu após o Brasil ter a sua pior crise na história, com recuo de quase 4% do
PIB. Ou seja, derrubar Temer pode fazer com que seja criada, “do nada”, outra
crise econômica e política. E isso ninguém quer.
Segundo,
o armistício também salvará o atual presidente. Ou alguém aí acha que é uma boa
ideia arranjar briga contra o maior partido do país, com base e capilaridade de
fazer inveja aos sovietes bolcheviques, com apoio de maçons, empresariados, e
até elite estrangeira? Aqui é “house of cards” na essência, só que com verniz
para não exibir cenas inapropriadas, diga-se assim. Os pemedebistas são mais
inteligentes que os petistas, que “peitavam” até mesmo a massa, arrogantes, sendo que os pemedebistas fingem-se enfraquecidos, coitadinhos,
para esconder que possuem força até mesmo excessiva. Fazer inimizade com esse
mastodonte, por uma cassação de mandato chegando ao fim, de um interino, em que nem se sabe se
a narrativa do golpe dará certo, é no mínimo burrice.
Terceiro,
Temer não cairá pela lógica, pela simples razão política/jurídica. Mesmo
sabendo que o PT tem o extinto da parábola do sapo e do escorpião, é fato que
se o Temer cair, a regra é clara: O PT terá que ser cassado e perderá o registro
político, a legenda não mais existirá. Diante das circunstâncias, por ser um juiz honesto e apartidário, o
certo é que se o TSE derrubar o Temer com rapidez, terá que fechar o PT pela celeridade
também. Porque já está estranho o fato de algumas coisas serem lentas e outras
serem rápidas, o pessoal já começa a desconfiar. O povo está de olho nisso.
E,
embora as palavras possuam semelhantes radicais, as definições podem ser tão
diferentes que parecem até mesmo antagônicas, como os casos das instituições
confundirem, por exemplo, justiça com justiçamento, juramento com juramentado,
e oficial com oficioso. Porque, ao invés da instituição de forma oficial promover
a justiça ao instituir o juramento; ela de forma oficiosa promove o justiçamento ao instituir o juramentado.
É o achaque institucional em medir todos os crimes pela mesma régua (torta). Cuidado,
pois é o que está acontecendo. Isso não é política, é politicagem.
Por
fim, era a Dilma quem tinha a tinta na caneta e as contas eram separadas, sim!
Portanto,
vale a pena derrubar um presidente interino e criar um caos após isso? A
política e a economia estão em “standy by”, esperando a solução por meio do
pleito, em 2018, para que as coisas fluam novamente ao normal. Os honestos de
plantão devem garantir a queda do registro do PT, após a cassação do Temer,
caso contrário será só movimentação pró-PT. Por causa da falta de tempo, do armistício e
da razão, pode apostar todas as fichas que o Temer, o "Ricardinho cai-não-cai", não cairá. All-In.
Obs: Juramentado = Padres juramentados (obrigados a jurar lealdade para o novo "rei") na revolução francesa.
Obs2: Ricardinho cai-não-cai, sucessor de Cromwell, débil, abdicou cinco meses depois de ter estabelecido o golpe de Cromwell, restabelecendo a monarquia. Ditador, Cromwell se autoproclamava como o "Lorde Protetor da República".

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Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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