Sobre o Aquartelamento dos Policiais no Espirito Santo
Por: Júlio César Anjos
O
aquartelamento “forçado” dos policiais do Espirito Santo, diante do caso dos
familiares destes funcionários públicos impedirem a saída dos homens da bota às
ruas, tal assertiva fez com que o povo se dividisse entre os defensores da
greve, que entendem a situação precária da categoria, e os críticos que
compreendem que o egoísmo dos policiais gerou o caos generalizado no estado.
Por isso, o fato é que há outros parâmetros e enfoques a criticar, não só os
policiais do Espirito Santo, mas guardião de qualquer estado também, que vão
além do mero distúrbio popular.
O
que escancara como absurdo é o fato de marmanjo sacudo fazer familiar como escudo
humano, a fim de “sensibilizar” o governante por meio de chantagem. Tal ardil
não difere muito do próprio traficante fazer a “comunidade” [favela] como
escudo de proteção contra os próprios militares, além de ser parecido com a
estratégia que vai desde a cracolândia, passando pela grilagem de MST, até
chegar à oposição contra Trump, que é utilizar criança como arma defensiva
contra hostilidade qualquer. Ou até mesmo, numa comparação mais pesada, um bandido colocar a vitima escorada ao seu corpo, ao fazê-la como refém. É isso ou a desculpa por outra abordagem, que
passa pela sujeição vergonhosa de saber que quem usa cueca do sujeito ativo na
casa do guarda é a mulher; ao passo que o policial usa calcinha, pois é o
sujeito passivo do lar. Menos crível essa segunda opção. Mas vai que.... né?
As
instituições de segurança, também, possuem os órgãos específicos que possuem
certa liberdade de trabalho, como grupos de repressão de crimes econômicos
(Nurce), de combate ao crime organizado (Gaeco) e os batalhões de operações
especiais (Rone), que possuem certa autonomia para fazerem investigações e
jogar um pouco de escândalo na imprensa e mídia em geral. Portanto, ao invés da
polícia voltar-se contra a população, deve utilizar das próprias ferramentas
existentes nas instituições para colocar, de forma inteligente, o governante no
tronco. Um secretário de segurança até pode anular uma continuidade de uma
investigação, mas não pode impedir da polícia trabalhar e começar a puxar um
fio de uma investigação, até mesmo que causará escândalo e comoção. Porque os
governadores vêm e vão; já o policial estatutário continuará na mesma posição.
Então, usem a inteligência para fazer manifestação.
Outro
problema incrível é saber que o brasileiro tem pensamento mono a respeito de
protesto. E, como é sabido, protesto não se confunde apenas com greve. Há
outras instrumentações até mesmo mais inteligentes de conquistar o objetivo da
reivindicação, sem que se faça o método mais idiota que é a paralisação. Além
do que, como está na lei, policial militar não pode fazer greve, por isso que
se sujeita a ser eunuco de familiar e aceita esta imoralidade de colocar a
família como escudo humano, ato que já fora criticado neste texto anteriormente.
Para fim de ilustração, dois exemplos básicos de protestos que poderiam ser
feitos e mitigariam politicamente o governador: 1) Blitz bem morosas; 2)
revistas bem feitas e vagarosas, atrapalhando trânsito e a mobilidade
inter-vivos. Outra situação poderia ser feita em parceria com polícia civil e
estourar situações ilegais diante os coleguinhas do governador, empresários e
grupos da atual gestão, fazendo com que a polícia consiga aumento por
justamente saber trabalhar, assustando os politiqueiros (a PF faz isso), como
já explicado, também, no parágrafo anterior.
Há,
também, duas outras estratégias de protesto, que são: “Operação tartaruga”; e
pedir demissão. Com o efetivo sem treinamento, com os equipamentos de trabalho
sucateados, com salários defasados, em alto grau de insalubridade e
periculosidade, o fato é que a desmotivação se faz real, com os policiais, ao
natural, fazendo operação tartaruga e pedindo demissão. A loucura é tanta que o
policial, hoje, troca a estabilidade pela felicidade, por isso que a evasão dos
militares é grande e o descontentamento é geral. Perdem-se estes protestos por
já estarem em execução.
Todavia,
o que o policial do Espirito Santo, e também de outras unidades federativas, tem
que entender é que a categoria não pode ir contra a população. E a população
divide-se entre: os que não gostam da polícia, estes estão calados sobre esta
situação toda; e os que “gostam” dos servidores da segurança pública, mas que
estão em cisão entre os que os apoiam incondicionalmente e os que já começam a
perder o entusiasmo e apreço pelo militar (aqui estão os comerciantes que foram
saqueados, as vitimas de tragédia e as pessoas que pensam e compreendem a
impossibilidade de policial fazer greve). Por isso que perder o apoio popular é
suicídio. Agora, fica a pergunta: A quem interessa sujar a imagem da categoria
policial?
Por
fim, há também o encaixe do útil ao agradável do foco neste caos em específico,
que gera distração no que acontece no âmbito mais global: Temer fazendo um
péssimo governo; e a Lava-jato sendo enfraquecida. Que os policiais não sejam
massa de manobra de vieses políticos escusos, que se fingem amiguinhos para
darem o bote no militar lá na frente.
Portanto,
Os policiais do Espirito Santo erraram de estratégia ao se utilizarem de
familiares como escudo humano, a fim de fazer greve velada e colocar, com essa
narrativa, o governante no tronco. Tal medida poderá ter efeito inverso,
mitigando a popularidade do militar, que é até mesmo vaca sagrada para a
multidão, com os policiais perdendo o apoio populacional por causa da onda de saques
e o caos generalizado causado pela inoperância do trabalho de servir e
proteger, ao não resguardar a população. Caso essa medida seja articulação política, a
quem serve sujar a imagem do policial militar? Até porque existem outras
estratégias de reivindicação, que não necessariamente passam pelo crivo da
paralisação. Esta greve, com escudo humano, é o pior cenário, em longo prazo,
para a polícia, pois queima o filme da categoria toda, com o policial deixando
de ser respeitado e valorizado pela sociedade em geral. É realmente o caos...
para a polícia.
Fica a dica não só para o Espirito Santo mas para os demais estados da federação.
Sugestão complemento de leitura:
http://efeitoorloff.blogspot.com.br/2012/08/protesto-nao-se-confunde-apenas-com.html
Sobre o Aquartelamento dos Policiais no Espirito Santo de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

Comentários
Postar um comentário
Comente aqui: